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Pan-Americanos
Sábado, 13 de janeiro de 2007, 10h08 
Destaque supera tragédia com irmão e quer medalha
 
Gustavo Gimenes
 
Divulgação
Fabio Rezende acredita que o país tem chance de medalha
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"Quando me lembro do meu irmão, me traz alegria, positividade, felicidade, amor." Número um do boliche brasileiro, o paulista Fábio Rezende lembra que, aos 11 anos, viu seu irmão, Fernando, trazer uma medalha de ouro do Mundial da categoria. Foi quando decidiu se dedicar ao esporte.

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Sete anos mais tarde, o atleta perde seu irmão em um acidente de carro, mas tem forças para continuar sua dedicação nas pistas. Hoje, o atleta é a maior esperança de medalha brasileira no boliche nos Jogos Pan-Americanos.

Rezende, nascido em 3 de junho de 1977, diz que o País tem grandes chances de conquistar uma das três melhores colocações na competição no Rio de Janeiro. "Levamos medalhas do Torneio das Américas, realizado em Miami (EUA), e a competição é do mesmo nível técnico de um Pan", destacou.

Fábio Rezende é um dos quatro pré-classificados para representar o Brasil no evento sul-americano, grupo que será reduzido a uma dupla para jogar o Pan, e coleciona vários títulos.

"Sou atual bicampeão sul-americano e venci cinco das dez Eliminatórias para o Pan. Voltei com dois ouros dos Jogos Odesur (competição sul-americana), na fase individual e de grupo. Além disso, sou bicampeão brasileiro, tricampeão brasileiro na categoria Sub-23, atual bi brasileiro de tercetos, campeão de dupla e tetra de seleções, representando São Paulo,...".

Aparentemente tímido e de palavras dosadas, o paulista concedeu entrevista por telefone ao Terra Esportes e deixa externar a emoção pela perda de seu irmão ao suspirar e colocar pausas quando fala sobre o assunto.

Hoje em dia, Fernando Rezende é motivo de orgulho para qualquer atleta do boliche, uma vez que o título de melhor no ranking nacional leva o seu nome.

Terra - Como você começou com a idéia de jogar boliche?
Fábio Rezende - Meu pai jogava pela seleção paulista e meu irmão pelo Brasil. Meu irmão voltou com uma medalha de ouro do Mundial (Sub-23) nas Filipinas, na fase individual. Eu tinha 11 anos, e o pessoal já falava que eu jogava melhor que ele. Foi então que resolvi me dedicar ao boliche.

Terra - Foi o seu primeiro contato com o esporte?
Rezende - Nada, na verdade, mesmo na barriga de minha mãe já freqüentava as pistas de boliche. Aos três anos, eu já rolava umas bolinhas. Com oito, eu pegava minha sacola com uma bola (que pesava cerca de 1kg) e luvas, tinha que andar cerca de 1km até o ponto de ônibus e pegar duas conduções para chegar à pista, que ficava em um shopping. Na época, era 'paitrocínio'. Desde 2001, pago minhas contas com o boliche.

Terra - Sua família, então, era bastante ligada ao esporte?
Rezende - A gente era tão aficcionado por boliche, que jogávamos com 10 latinhas de refrigerante e uma bola de futebol, com marcações e tudo. Com 11 anos, eu jogava umas cinco vezes por semana cerca de duas horas por dia.

Terra - Como você superou a perda de seu irmão?
Rezende - Foi difícil. Ele se envolveu em um acidente de carro. Meu pai desistiu de continuar jogando e eu parei naquele ano. Além disso, acabei reprovado em um período do curso de Publicidade e Marketing, que fazia na época. Mas consegui superar e voltei a jogar. Sempre tive também o apoio da minha família e da minha companheira.

Terra - Quais as chances do Brasil em conquistar uma medalha no boliche?
Rezende - Muito boas. Levamos medalhas do Torneio das Américas, realizado em Miami (EUA), e a competição é do mesmo nível técnico de um Pan. Estes resultados vêm mostrando que a gente tem condições de trazer uma medalha de qualquer cor.
 

Redação Terra