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Quinta, 21 de junho de 2007, 11h45 
Pan de São Paulo contrasta com Jogos do Rio
 
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Quase 4 bilhões de reais em investimentos, forte atenção da mídia e muita pressão. Isso tudo vale para os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, em julho. Mas passa bem longe da edição do torneio que São Paulo abrigou há 44 anos.

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A partir de 13 de julho, mais de 5.500 atletas de 42 países vão tomar o Rio de Janeiro. Mas entre 20 de abril e 5 de maio de 1963 o estádio do Pacaembu recebeu 1.665 atletas de 22 países na abertura do primeiro grande evento multiesportivo realizado no país, sob os olhares de quase 40 mil espectadores.

Esportistas que ali estiveram afirmam que as derrotas no Pan de São Paulo não geraram pressão alguma, exceto no caso da popular seleção masculina de basquete. Contam ainda que também não houve nenhum frenesi com os vários triunfos que levaram o Brasil ao segundo lugar no quadro de medalhas, atrás apenas dos Estados Unidos.

"Não éramos favoritas, vencemos as norte-americanas na final, comemoramos e tudo. Tinha torcida no ginásio, mas não era aquela coisa de tietagem de hoje. Nem se compara", disse a ex-jogadora de vôlei Marina Conceição Felispre, 59 anos, campeã do Pan de São Paulo.

"Era tudo amador, ninguém estava ali com perspectiva de ganhar dinheiro. A noção de esporte profissional era diferente, a gente se limitava ao básico dos treinamentos e a evitar paquerar muito e a sair antes dos jogos", explicou.

Também campeão no Pan paulistano, o ex-capitão da Seleção Brasileira Carlos Alberto Torres via mais espírito olímpico nos atletas da época.

"Ninguém estava ali para fazer contrato, jogar na Europa. Não sou contra o que tem hoje, mas atualmente só se preocupa com isso. Ninguém ganhava dinheiro no time do Pan e se tinha meia dúzia de repórteres nos acompanhando era muito", disse.

Além de um jovem Carlos Alberto, com apenas 17 anos, a equipe de futebol também contava com o atacante Jairzinho, ambos os jogadores atuaram na mítica equipe brasileira campeã da Copa do Mundo de 1970.

"No Pan a gente chamou a atenção quando goleamos os EUA por 10 a 0, mas não tinha Pelé, não tinha Garrincha, não tinha nenhuma celebridade falando sobre nós", contou Carlos Alberto, ressaltando que o time de futebol ficou isolado no complexo do estádio do Morumbi, sem contato com os demais atletas.

Decepção

Tenista vice-campeão do torneio de simples no Pan de São Paulo, Thomaz Koch,62 anos, diz que não amargou a derrota na decisão do Pan-Americano. Para ele, atuar no seu país natal não fez a menor diferença.

"Era basicamente o público de tênis, muito restrito, que ia nos assistir no Pan. Só tinha um pouco mais de gente quando joguei e venci nas duplas mistas com a Maria Esther Bueno, que já era bicampeã de Wimbledon", afirmou.

Os atletas brasileiros mais pressionados pela torcida para conquistar o título foram os da seleção masculina de basquete, campeã do mundo em 1959, no Chile, que disputaram o Pan como preparatório para o Mundial do Rio de Janeiro.

Por isso, apesar da derrota na decisão por 78 a 66 diante dos EUA, a equipe liderada por Amaury Pasos, 70 anos, não saiu totalmente abatida de um lotado e decepcionado ginásio do Ibirapuera.

"O resultado foi uma contingência do dia. Tanto que logo depois fomos bicampeões mundiais no Rio jogando contra uma equipe norte-americana melhor do que aquela", minimizou Amaury, recentemente eleito para o hall da fama da Federação Internacional de Basquete (Fiba).

"Havia expectativa das pessoas e nós também achávamos que ficaríamos com o título. Não deu. Mas pessoalmente acho que a torcida não influenciou em São Paulo. Sempre preferi atuar fora de casa. Só no Mundial do Rio foi diferente, porque com o carioca é outro papo, é mais festa. Acho que vai ser assim neste Pan, terá muito calor humano", completou.

A derrota no basquete masculino acabou não impedindo o Brasil de conquistar o segundo lugar no quadro geral de medalhas, com 14 de ouro contra 11 do Canadá. O Brasil contou com a surpresa do boxe, que levou nove pugilistas ao pódio, sendo três deles no degrau mais alto.

Para esta edição dos Jogos Pan-Americanos, a expectativa segundo especialistas é que o Brasil conquiste um recorde de 152 medalhas, sendo ao menos 42 de ouro, e superar o Canadá no quadro de medalhas, subindo para a terceira posição, atrás de Cuba e EUA.


 

Reuters

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