| The New York Times |
 Hotel na capital chinesa tem o tradicional estilo casa de visitas |
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Bem alto por sobre o bairro de Chaoyang, em Pequim, a nova sede da Televisão Central da China (CCTV) em breve enfeitará o bairro como uma espécie de rosquinha superdimensionada; o edifício já ameaça explodir para fora dos tapumes, que mal parecem capazes de contê-lo. Projetado por Rem Kolhaas e Ole Scheeren, do radical escritório holandês de arquitetura OMA, a sede será um monumento de 230m de altura à ousadia arquitetônica, e um desafio permanente à gravidade. A sede da CCTV servirá como marco e como pano de fundo para que as imagens da nova e ascendente China sejam transmitidas ao mundo durante a Olimpíada de 2008.
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Mas quando Pequim enfim conquistar seu lugar ao sol olímpico, algumas das emoções exigirão apenas uma chave de quarto. Em construção ao lado do edifício da CCTV, e também projetado pela OMA, o deslumbrante Centro Cultural da Televisão, ou TVCC, sobe e mergulha como uma montanha envolta em zinco corrugado.
E quanto à obra for inaugurada, no ano que vem, o edifício abrigará também um dos mais espetaculares hotéis da cidade: um Mandarim Oriental de 241 quartos que não se parece com qualquer hotel que você já tenha visitado. Com restaurantes e um bar suspensos do teto, sua cortina modular de quartos espalhados como que aleatoriamente vai girar hipnoticamente em meio ao átrio estonteante, com pé direito de 21 pavimentos, enquanto um salão de baile circular e cercado de água brilha abaixo.
"Não é por acidente que esse edifício foi construído em Pequim", disse Scheeren, o sócio do OMA que supervisiona os projetos CCTV e TVCC. "Nenhuma outra cidade tem nível de ambição semelhante".
À medida que Pequim corre para se redefinir como a metrópole do futuro, e se prepara para receber 1,5 milhão de visitantes esperados na Olimpíada, o novo Mandarin Oriental sinaliza um boom hoteleiro de proporções hiperbólicas. Um dilúvio de redes de hotéis de luxo, bem como um mercado paralelo de hotéis de grife, empresta tom de platina ao despertar cosmopolita da metrópole. No extremo oposto do espectro, mansões históricas, construídas em torno de pátios, estão sendo reformadas de acordo com a moda mais recente e transformadas em pousadas. É uma onda de desenvolvimento que acompanha o ritmo frenético, as aspirações superlativas e o zelo arquitetônico de uma cidade que quer abandonar a reputação, cinzenta como uma das túnicas do Camarada Mao.
"Muitas das pessoas que chegam a Pequim pela primeira vez ficam surpresas com o grau de desenvolvimento que a cidade já oferece", disse Damien Little, diretor da Horwath HTL, uma empresa de consultoria internacional do setor hoteleiro, em Pequim. A cidade deve elevar em mais de quatro mil unidades seu número de quartos de hotel de luxo, este ano e, segundo Little, e outros sete mil ou mais serão inaugurados em 2008.
Ao redesenhar o panorama de Pequim, esses hotéis estão conquistando lugar entre os edifícios que servem como marcos ao longo das avenidas monumentais da capital, à maneira de naturezas mortas surrealistas como as pintadas por Giorgio Morandi. Podem escolher as metáforas que quiserem: o gigantesco Ninho de Passarinho do Estádio Olímpico, projetado pelo escritório Herzog & De Meuron, o "cubo aquático" iridescente do centro de esportes aquáticos, logo ao lado, ou o novo Grande Teatro Nacional, uma imensa bolha de vidro e titânio que parece apenas alguns passos distantes de se transformar na Bolha que Devorou a Cidade Proibida.
Há também o novo e imenso Terminal 3 do aeroporto internacional de Pequim, que naturalmente será o maior terminal aéreo do mundo quando sua construção for concluída, com quase 900 mil metros quadrados.
Mas o gigantismo que consome Pequim dificilmente se limita ao aço e vidro. Aninhado entre os mastodontes arquitetônicos da cidade existem epicentros igualmente florescentes, e ambiciosos, de uma nova preocupação com a moda, estimulada pela afluência.
Vejam o caso do LAN, um imenso restaurante inaugurado recentemente no qual um mar de rótulos de estilistas pulsam em um interior que só pode ser descrito como decadente - até mesmo de acordo com os padrões de seu exagerado projetista, Philippe Starck.
Ou o Legation Quarter, um projeto que está transformando o velho edifício da embaixada dos Estados Unidos, na era Qing, em um centro de promoção das artes, equipado com restaurante de Daniel Boulud, teatro de repertório, centro de arte contemporânea e uma filial local do clube noturno londrino Boujis. Se essa mistura de alta octanagem parece ecoar Xangai, a rival maior e mais glamourosa de Pequim, há motivos claros.
O incorporador responsável pelo projeto, Handel Lee, também desenvolveu o complexo Three on the Bund, em Xangai, que ajudou a elevar o interesse da capital financeira da China em estilo por meio de, entre outras coisas, uma loja de moda Armani e um restaurante de Jean-Georges Vongerichten.
"Acredito que o Legation Quarter vá resultar em uma explosão", diz Lee, que espera que o projeto (www.legationquarter.com), localizado no canto sudeste da praça Tiananmen, seja inaugurado ao menos parcialmente no começo do ano que vem. "Até o momento, era possível ter a experiência histórica de Pequim", incluindo hutongs e outras atrações, "mas não havia excitação".
Para completar o quadro, o estoque de hotéis da capital chinesa foi quase completamente reformado. No passado limitado a quartos padronizados para turistas, o setor em breve poderá competir, ou superar, as maiores cidades turísticas do mundo - e em tempo recorde.
Quando o Hotel Kapok (16 Donghuamen Street; www.hotelkapok.com) foi inaugurado, em novembro, era visto por muitos como o primeiro hotel de grife de Pequim. Projetado por Pei Zhu, o maior arquiteto da China, responsável também pelo centro de comando digital da Olimpíada, um edifício que se assemelha a um microchip gigante, o Kapok oferece quartos elegantes e de decoração espartana, por diárias de cerca de US$ 166, em uma caixa minimalista de cinco andares envolta por uma grade de fibra de vidro diáfana.
Desde então, surgiram outros hotéis para disputar a categoria. Kengo Kuma, astro entre os arquitetos japoneses, está projetando um hotel de 99 quartos, envolto em vidro fosco, no bairro de Sanlitun. A cadeia de hotéis Andaz, com a qual o grupo Hilton pretende concorrer no mercado dos hotéis de grife, está estudando um terreno perto do Grand MOMA, um projeto futurista e ambientalmente responsável desenvolvido por Steven Holl, um arquiteto de vanguarda norte-americano.
O Grand MOMA disporá de hotel próprio, um cilindro de 60 quartos que ficará entre as oito torres com jeito de Lego que compõem o complexo, ligadas por uma "rua" flutuante que abrigará cafés, bares e até uma piscina, tudo isso flutuando a 20 pavimentos de altura.
"O complexo terá sua própria realidade", disse Holl sobre o hotel e o restante do incomum projeto que ele está criando. Como outros arquitetos que trabalham em Pequim, ele se admira com a liberdade criativa concedida aos projetistas. "Na preparação para a Olimpíada, é impressionante o que o esta cidade está fazendo, em termos arquitetônicos", afirmou.
Para alguns dos hóspedes que visitam a capital chinesa, no entanto, nenhum feito moderno de design e engenharia pode se comparar ao charme das tradicionais pousadas chinesas e de seus pátios. A maioria delas data da dinastia Qing (1644-1911), e muitas das silheyuans, como são conhecidas, se tornaram vítimas lamentáveis da mania de demolição que agita a cidade. Por sorte, algumas foram preservadas como pousadas, e uma das mais novas, e talvez a mais bela, é a Cote Cour (70 Yanyue Hutong; www.hotelcotecoursl.com ; quartos de solteiro com diárias a partir de US$ 168), restaurada com cuidado e decorada com estilo. Trata-se de uma construção de 14 quartos, dispersos pela casa, com gesso veneziano, mosaicos com telhas de vidro e antiguidades chinesas espalhadas entre pátios equipados de fontes, enfeitados por uma tamareira centenária.
"Em Pequim, é fácil se hospedar em algum lugar moderno", diz Shauna Liu, a elegante proprietária da pousada. "Mas uma casa como essa é que é realmente atraente".
Ainda assim, elas representam uma pequena minoria das acomodações disponíveis na cidade. O maior esforço vem das grandes cadeias internacionais de hotéis de luxo, que estão começando a dominar o panorama hoteleiro da cidade. Muitas delas são conhecidas dos ocidentais, como é o caso do Grand Hyatt Beijing (1 East Chang An Avenue; www.beijing.grand.hyatt.com), do St. Regis Beijing (21 Jianguomenwai Avenue; www.stregis.com/beijing), ou dos novos Ritz-Carlton Beijing, Financial Street (1 Jin Cheng Fang Street East; www.ritzcarlton.com), InterContinental Beijing (11 Financial Street; www.ichotelsgroup.com , e Regent Beijing (9 Jinbao Street; www.regenthotels.com), que oferece um lounge em formato de lua crescente e com pé direito de quase 15m.
As cadeias hoteleiras originárias da Ásia tampouco estão dormindo. Suas propriedades incluem o recentemente renovado Peninsula Beijing (8 Goldfish Lane; www.peninsula.com) e o Raffles Beijing (33 East Chang An Avenue; www.beijing.raffles.com), que no ano passado assumiu o controle do histórico hotel, construído em estilo franco-oriental, que hospedou George Bernard Shaw e Henri Cartier Bresson em suas viagens. Sob os padrões ocidentais, as acomodações de luxo em Pequim saem por uma pechincha, cotadas em geral a menos de US$ 300 por noite.
A cidade parece tão faminta por acomodações de alto preço que tanto a Ritz-Carlton quanto a InterContinental inaugurarão segundas casas em Pequim, ainda este ano. E a lista prossegue. Antes que a tocha olímpica chegue à cidade, podemos esperar um novo Four Seasons, um J. W. Marriott de 588 quartos e um Park Hyatt com saguão piramidal e restaurante instalado cerca de 60 pavimentos acima do centro comercial da cidade - para não mencionar o Mandarin Oriental do TVCC.
Durante a Olimpíada, porém, os quartos mais cobiçados podem ser os do Beijing 7 Star Hotel, que se atribui essa classificação quase inédita porque está sendo construído diante do principal estádio dos Jogos. Para justificar as duas estrelas adicionais que seu nome menciona, o hotel promete que cada um de seus 270 quartos terá três funcionários para atendimento exclusivo e, o mais importante, oferecerá vista para o estádio, de cada cama king-size.
"Há poucos lugares no mundo, em que haja tanta atividade de construção, hoje em dia", disse o arquiteto Scheeren. "Boa parte dela é bastante respeitável - não só no contexto de Pequim, mas em escala mundial". Tradução: Paulo Eduardo Migliacci ME
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