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Seleção
Quarta, 22 de agosto de 2007, 08h04  Atualizada às 10h16
Entre planos, Kaká inclui filhos e ouro em Pequim
 
Bernardo Ramos
Direto de Montpellier
 
Bernardo Ramos/Terra
Jogador traça planos ambiciosos em relação à Seleção Brasileira
Jogador traça planos ambiciosos em relação à Seleção Brasileira
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O meia Kaká, destaque do Milan campeão da Europa na temporada 2006/2007 e candidato ao prêmio de melhor jogador do mundo pela Fifa, quer novidades nos próximos anos. "Pretendo ter filhos", afirmou o ex-atleta do São Paulo em entrevista exclusiva ao Terra, em Montpellier, na França, onde nesta quarta-feira, a Seleção enfrenta a Argélia, em amistoso preparatório para as Eliminatórias da Copa do Mundo.

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Na vida profissional, o jogador traça planos ambiciosos em relação à Seleção Brasileira. "Falta disputar e ganhar uma Olimpíada", refere-se à competição do ano que vem, em Pequim. O Brasil nunca conquistou o primeiro lugar dos Jogos, embora seja pentacampeão mundial de futebol.

Para atingir o objetivo, ele terá de ser um dos três convocados com idade acima dos 23 anos, limite estipulado para a disputa da modalidade. "Gostaria muito de ter essa responsabilidade", acrescenta.

Confira a entrevista na íntegra:

Terra - Campeão do mundo com a Seleção Brasileira em 2002, campeão da Copa dos Campeões e casado recentemente. O que falta para você conquistar na vida?
Kaká - Eu vivo de objetivos. A minha vida é marcada por objetivos que eu alcancei. Então hoje, profissionalmente, eu tenho até o final do ano as Eliminatórias com a Seleção, a Supercopa Européia com o Milan e tem o Mundial Interclubes, em dezembro. Então esses são os meus objetivos nesses quatro meses que faltam para acabar esse ano. Depois, claro, disputar mais uma Copa, Olimpíadas, entre outras coisas, e sempre ser campeão. Na parte pessoal, é ter filhos.

Terra - A Olimpíada de Pequim em 2008 é um dos seus projetos com a Seleção Brasileira?
Kaká - Com certeza, porque nunca disputei uma Olimpíada e tenho muito essa vontade. No ano que vem, infelizmente, eu, por idade (Kaká tem mais de 23 anos de idade, limite para ser inscrito nos Jogos), não posso, teria que entrar como extra-cota, dos jogadores acima de 23 anos. Mas gostaria muito de ter essa possibilidade de ir a uma Olimpíada.

Terra - Nesta quarta-feira você fica no banco no início do jogo. Há algum problema da sua parte?
Kaká - Problema nenhum. Até porque em todas as vezes eu conquistei meu espaço na Seleção, nos clubes por onde passei. Não tenho problema nenhum em ter que disputar, em ter que brigar, em ter que conquistar um espaço. Acho que a minha convocação (para o jogo contra a Argélia) reflete que realmente acabou. Não tem nenhuma mágoa, claro, nem da minha parte, nem da parte da comissão técnica. Nos convocaram e a gente está aqui e realmente foi encerrado. Na minha última convocação, lá na Inglaterra, que a gente fez um jogo contra a Inglaterra, e na Alemanha (0 a 0 com a Turquia, em Dortmund), foi esclarecido tudo. Sentei com a comissão técnica, deixando tudo claro, para exatamente zerar essa história. E acabou, não tem mais.

Terra - Você venceu no futebol italiano rapidamente. O que recomendaria a um jogador tão jovem como o Pato, que vai enfrentar uma pressão muito grande?
Kaká - Eu acho que a disciplina é fundamental. Ele tem que colocar objetivos e ser focado realmente naquilo que ele quer. O Pato tem um talento incrível, já demonstrou, está chegando agora, vai ter um período de adaptação sem jogar, porque ele não pode. Só vai poder jogar a partir de dezembro. Eu torço para que dê tudo certo para ele. É um jogador novo, acho que todos têm que ter um pouco de paciência com ele, porque não é fácil, ele está chegando com 18 anos e tem um período de adaptação. E agora, claro, depende disso, dele ser disciplinado e focado naquilo que ele quer.

Terra - Você ainda tem um contrato em vigência com o Milan, mas depois tem planos de retornar ao Brasil, quem sabe jogar no São Paulo ou em algum outro clube brasileiro, ou a sua história deve seguir na Europa?
Kaká - Eu, no futuro próximo, com certeza continuo na Europa. Mas, no final da minha carreira, penso em um dia voltar o Brasil. Claro, o clube que eu gostaria muito que fosse é o São Palo, o clube que me formou, o clube em que eu cresci. Mas eu acho que tem muito tempo ainda para pensar nisso, falta muito tempo.

Terra - Não há nenhum problema com a torcida, apesar daquela saída conturbada em 2003?
Kaká - Da minha parte, não tem mágoa nenhuma. E acho que a grande parte dos torcedores do São Paulo também não tem nenhuma mágoa. Até porque muitos ainda, quando eu estou no Brasil, me reconhecem como o Kaká do São Paulo.


 

Redação Terra