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Copa-2014
Sábado, 27 de outubro de 2007, 18h21 
Sombra de CPI preocupa CBF e pode comprometer Copa no Brasil
 
Allen Chahad
Vagner Magalhães
Jeferson Ribeiro
 
Ney Rubens/Especial para Terra
Ricardo Teixeira conta com apoio de governadores e do presidente Lula
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Antes mesmo de ser oficializada como sede da Copa de 2014, a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) trabalha nos bastidores para que uma eventual CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar lavagem de dinheiro no futebol, como o caso MSI-Corinthians, não respingue na competição e impeça que o Mundial seja realizado no País.

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Mostrando força nos bastidores, o presidente da entidade, Ricardo Teixeira, vem articulando importantes apoios políticos.

Na comitiva a Zurique, local da confirmação da sede de 2014, Teixeira estará ao lado do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e de nove governadores, entre eles os tucanos José Serra e Aécio Neves e o peemedebista Sergio Cabral.

O apoio dos governadores é essencial para barrar uma CPI que pode ser instalada a qualquer momento. E a Fifa, empresa privada que administra o futebol mundial, tem ojeriza ao envolvimento e pressão de governos em seus negócios.

Congresso

O deputado Silvio Torres (PSDB-SP) disse que já conta com as assinaturas necessárias para criar a CPI. Atendendo o pedido de Teixeira, a Comissão só deve ser criada depois que o Brasil for oficializado como sede de 2014. A abrangência das investigações será ampla segundo o parlamentar. "A CPI vai investigar crimes contra o sistema financeiro praticados no futebol, na parceria entre Corinthians e a MSI e outros assemelhados", explica.

Para Torres, Teixeira está preocupado com a sua própria gestão. "O que pode mudar com a realização da CPI é a forma como se administra o futebol no Brasil. O futebol no País ficou exposto a negócios criminosos. Através de um trabalho de legislação podemos evitar que isso aconteça. Não vejo porque uma CPI atrapalharia Copa do Mundo. Pelo contrário, pode fortalecer a organização da competição", argumenta Torres.

CBF

O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, esteve em Brasília nas últimas semanas e se reuniu com vários parlamentares para entender o cenário político. O cartola teme que as investigações arranhem a imagem do Brasil perante à Fifa e crie obstáculos, tanto aqui como no exterior, para realização da Copa no País.

A visita serviu para adiar a instalação da CPI para depois da escolha oficial da sede da competição - o Brasil é candidato único -, mas não deve impedir o início das investigações.

Fifa

A entidade máxima do futebol não admitiria a quebra de sigilo dos seus negócios em um ambiente político. Como uma empresa privada, a Fifa não quer se submeter a instituições fiscalizadoras em meio a uma guerra política.

Se ficasse encurralada, o que poderia fazer em última hipótese? Simples, tirar a Copa do Mundo de 2014 do Brasil. E novos candidatos a organizar o campeonato não faltariam.

Governo

O ministro do Esporte, Orlando Silva, disse por meio da assessoria que a criação da CPI é uma prerrogativa do Congresso Nacional e que não opinaria sobre a hipótese, já que a comissão ainda não foi criada.

Contudo, também há preocupação dentro do governo com as investigações, já que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está diretamente empenhado na realização da competição no Brasil e pode mobilizar a base para evitar a criação da comissão.
 

Redação Terra