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Copa da África
Domingo, 10 de fevereiro de 2008, 21h46 
Milhares de egípcios comemoram título na África
 
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Milhares de pessoas tomaram neste domingo as ruas da capital egípcia, Cairo, para comemorar o sexto título da Copa da África, depois que o Egito derrotou o Camarões na final por 1 a 0.

"Sabia que iríamos ganhar, estava otimista", disse Magad, dono de um estabelecimento comercial que, visualmente, lembra um tradicional boteco brasileiro, minutos depois do apito final.

"Aqui é um café, não um bar", ressaltou ele. Como país muçulmano, os pontos de venda de álcool são poucos e restritos.

Talvez pela ausência do fator etílico, o clima era de gentileza entre as cerca de 50 pessoas que assistiram à partida no café de Magad, sentadas em cadeiras colocadas na calçada e na rua, bebendo chá com hortelã e fumando narguilé (o tradicional cachimbo d'água, comum em todos os países do Oriente Médio).

Ali, garotos de rua, porteiros de prédios próximos, engravatados, aposentados e jovens acompanhavam com atenção cada lance, mostrando paciência quando o televisor falhava ou algum carro passava pela rua, obrigando várias pessoas a se levantarem.

Animação

"O futebol une a nação, somos todos iguais hoje, todos egípcios", disse Hagi, no intervalo da partida, no Beano's, um sofisticado café frequentado por estrangeiros e egípcios abastados no mesmo bairro de Zamalek.

Após a partida, as buzinas começaram a soar com mais intensidade e de forma mais ritmada pelas ruas.

Em poucos minutos, milhares de pessoas se reuniram em um local à beira do Rio Nilo, empunhando bandeiras, tambores, pulando e gritando cânticos que sempre continham a palavra Misr (se pronuncia "Mâssar"), Egito em árabe.

Apesar de não ter disputado as últimas quatro Copas do Mundo e não ter nomes tão famosos como os de alguns jogadores de Camarões, Nigéria, Gana ou Costa do Marfim, o Egito havia ganhado cinco edições da Copa Africana, inclusive a última, disputada em 2006.

Poucos, no entanto, previam o hexacampeonato no torneio deste ano, ocorrido em Gana.

O Egito jogou sem alguns de seus maiores nomes como Mohamed Barakat, Abdelhazer El Saqqa e Mohamed Abdelwahab, que morreu de ataque cardíaco há seis meses.

Mesmo assim, o time surpreendeu, mostrando garra, coletividade e gols, 16 deles em 6 partidas, sendo que 4 contra os mesmo rivais da final, Camarões, no jogo de estréia das duas seleções.

O veterano Mohamed Aboutrika foi eleito o melhor jogador da final (foi dele o tento decisivo, marcado aos 32 do segundo tempo) e seu colega, o meia Hosni Abd Rabou foi considerado o craque do torneio.

Como prêmio de consolação, o atacante camaronês Samuel Eto'o ficou com a artilharia da Copa Africana, com cinco gols.


 

BBC Brasil

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