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 Palmeiras inspira técnico da Seleção feminina
10 de abril de 2008 11h29 atualizado às 12h08

Para tentar vencer Gana na repescagem olímpica e garantir vaga em Pequim, a Seleção Brasileira feminina de futebol vem usando o time do Palmeiras e o esquema montado pelo técnico Vanderlei Luxemburgo como exemplos. Procurando imitar a tática dos paulistas, o técnico Jorge Barcellos não esconde a inspiração durante a preparação na Granja Comary, em Teresópolis, para o decisivo jogo do dia 19 de abril, na capital chinesa.

A Seleção Feminina joga no esquema 3-5-2 desde o ano passado, quando foi ouro no Pan-Americano do Rio de Janeiro e vice-campeã mundial na China. Durante as partidas, o time pode variar para o 4-4-2, com a líbero passando a atuar de volante. O sistema pode ser comparado ao implantado por Luxemburgo no Palmeiras, que tem o volante Pierre às vezes atuando como terceiro zagueiro.

"O Palmeiras hoje em dia, e o Flamengo também, são times bem entrosados, que atacam e defendem em bloco", disse a meia Formiga, que no esquema da Seleção exerceria o papel do palmeirense Diego Souza. "Acho que se a gente tentar copiar aquilo que eles fazem dentro de campo, o posicionamento, a marcação, acho que dá certo. Especialmente o Palmeiras, porque a maneira que eles jogam surpreende todo mundo", acrescentou.

Mas o time do Palmeiras não é a única fonte de informações. Protagonistas de uma das quartas-de-final na Copa dos Campeões, Chelsea e Fenerbahce também são modelos para Barcellos, principalmente os turcos, treinados pelo ex-jogador da Seleção Zico.

"Claro que utilizamos algumas jogadas do futebol masculino para que a gente possa adequá-las ao futebol feminino. E isso vem dando certo", disse Barcellos. "Aqui no Brasil, o Palmeiras é uma equipe muito certa, o time vem jogando muito bem. Lá fora você tem o Chelsea, o Fenerbahce do Zico, também, então você tem várias equipes que a gente utiliza os vídeos de jogadas do masculino e tenta implantar aqui", acrescentou o treinador.

Por ter perdido o Sul-Americano de 2006, o Brasil precisou ir para a repescagem olímpica tentar sua vaga em Pequim. As campeãs da competição continental foram as argentinas.

Com a equipe concentrada desde 19 de março - exceto cinco jogadoras que atuam no exterior e se juntam ao time na Europa no domingo, incluindo a mais famosa de todas, Marta -, Barcellos teve bastante tempo para apresentar e treinar jogadas ensaidas na Seleção.

O processo de adaptação de jogadas masculinas às mulheres já vem dando resultados, como Barcellos pôde observar na última quarta-feira, em um jogo-treino contra uma equipe da Baixada Fluminense. Cobranças de faltas e escanteios foram executadas conforme o pedido pelo treinador.

"Todo treinador, quando vê um jogo de futebol, vai analisar o que acontece durante o jogo, o que pode ser aproveitado lá na frente no seu sistema. O treinador tem que ter essa criatividade", afirmou Barcellos.

Segundo a capitã Aline Pellegrino, o Brasil deve adotar uma postura cautelosa contra a seleção de Gana, uma vez que o duelo com as africanas será decidido em apenas um jogo, com disputa de pênaltis se necessário.

"Por ser um jogo que nós precisamos estar preocupadas, não adianta sair para cima, temos que nos resguardar um pouco, e conforme as coisas forem acontecendo a gente pode mudar", disse a jogadora.

Reuters
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