Esportes

> Esportes > Futebol > Brasileiro > Futebol Paulista  > São Paulo

  Personalidades
Ewerthon
Janeth

  Especiais
Copa do Brasil
Copa 2006
Copa América 2007
Dakar 2009
Estaduais 2009
Eurocopa 2008
Formula 1 2008
Libertadores 2009
Jogos Paraolímpicos
Mundial de Futsal
Olimpíada
Pan 07

  Sites relacionados
ESPN
ESPN360
Futex
Futsal

São Paulo
Segunda, 28 de abril de 2008, 11h05  Atualizada às 11h12
"Serei cabo eleitoral de Rogério Ceni", diz Raí
 
Marcelo Santos
 
Terra
Raí acredita que Rogério Ceni poderá ser um bom presidente
Raí acredita que Rogério Ceni poderá ser um bom presidente
 Últimas de São Paulo
» São Paulo conta com retrospecto positivo contra o Goiás
» Ricardo Gomes diz que é difícil ironizar um time campeão
» São Paulo critica ausência de Gomes entre melhores técnicos
» Perto da taça, São Paulo atrai torcida e confusão ao Morumbi
Busca
Busque outras notícias no Terra:

No final de 2008, o ídolo são-paulino Raí comemora dez anos à frente da Fundação Gol de Letra, instituição criada em conjunto com o também ex-atleta Leonardo (hoje dirigente do Milan). Campeão do mundo em 1994, o ex-jogador, que também conquistou um Mundial Interclubes e duas Copas Libertadores com o São Paulo, afirmou, em entrevista exclusiva ao Terra, que nunca teve a pretensão de se candidatar à cadeira de presidente do São Paulo e prometeu apoiar Rogério Ceni em uma futura eleição no seu ex-clube.

» Assista ao vídeo
» Opine: Rogério Ceni seria um bom presidente no São Paulo?

Raí se despediu do São Paulo em 2000 e, antes de deixar os gramados, começou a se dedicar ao terceiro setor. Em dezembro de 1998, após voltar da França, onde defendeu o Paris Saint Germain por cinco anos, instituiu a Fundação Gol de Letra ao lado de seu ex-companheiro Leonardo. Em dez anos de atuação, a ONG já atendeu mais de cinco mil crianças e jovens e tornou o ex-jogador uma referência para diversos outros projetos sociais em todo o País.

Atualmente, é líder ao lado de campeões de outras modalidades, como Ana Moser, Magic Paula, Lars Grael, Flávio Canto e Gustavo Borges, entre outros, o projeto Atletas pela Cidadania, que, como Raí explica, briga por "oportunidade para os jovens e a própria educação". Entre os outros apoiadores da iniciativa estão o técnico da Seleção Brasileira, Dunga, e Kaká, meia do Milan.

Com a experiência de quem conquistou duas vezes a Copa Libertadores, Raí se mostra otimista com o desempenho do time de Muricy Ramalho. "Um jogador ou outro que possa vir a agregar e que vai colocar o São Paulo de novo no mesmo nível do ano passado". Para o ídolo, o atual treinador não tem responsabilidade nenhuma sobre os problemas da equipe. "Ele tem feito um bom trabalho", analisa.

Confira a entrevista na íntegra:

Terra - Depois de 10 anos, qual é o balanço você faz do Raí, homem do terceiro setor?
Raí - Alguém que aprendeu muito. Um atleta que tinha um histórico na família, com o Sócrates e o meu pai, minha família de uma maneira geral, sempre com preocupações e discussões políticas em casa sobre a sociedade. Mas não tinha envolvimento direto. Desde que eu parei de jogar, aliás, um ano antes, comecei a me envolver mais com pessoas e ações concretas, diretas e indiretas, ligadas a temas sociais.

É um aprendizado muito grande. Entrei com o que eu tinha: credibilidade, reconhecimento e uma carreira pública ligada ao futebol - esporte mais popular do País. Tudo isso tem um valor, que procurei direcionar para as causas que eu acreditava. Hoje em dia, na Fundação Gol de Letra, nesses 10 anos, já passaram mais de cinco mil crianças e jovens. É um trabalho comunitário, já com resultados não só com a transformação das pessoas, mas também no local onde nossos centros estão presentes (em São Paulo e no Rio de Janeiro).

Agora estamos com o Atletas pela Cidadania, que é uma associação de mais de 35 atletas. Aí é uma posição mais política, de posicionamento e reivindicação e motivação para causas diferentes, as duas primeiras são a oportunidade para jovens e a própria educação. E a gente está atuando, nas duas, com esse poder que eu falei que, desde que saí do esporte, tentei utilizar nas minhas ações no Terceiro Setor e agora com outros companheiros de peso, como Ana Moser, Lars Grael, Maurício, Flávio Canto, Gustavo Borges, Sócrates, Leonardo etc., que são atletas que se reúnem e estão usando esse poder juntos para atuar a favor de causas macro-sociais.

Terra - Você acha que seria interessante que alguém montasse um projeto para ajudar atletas a cuidar das próprias carreiras? Isso seria bom não apenas para a vida deles, mas também melhoria o nível do esporte no Brasil?
Raí - O agenciamento de uma carreira é algo que já foi muito discutido que é super profissionalizado nos EUA. Existem empresas, pessoas e profissionais que têm as suas regras, leis e têm que prestar contas também. São regras claras. No Brasil e em outros países isso não existe. Existe uma tentativa no futebol para a Fifa regulamentar agentes e não agentes. A gente sabe que existe muita coisa informal. Esta falta de profissionalização neste tema faz com que muitos atletas acabem se prejudicando muitas vezes, (sejam) mal orientados. Muitos clubes não se preocupam com isso, em dar um apoio. Acho que isso poderia melhorar muito e são regras que poderiam ser feitas até no Brasil para que pessoas sérias com estrutura orientem e façam com que os atletas tenham uma melhor retaguarda e melhor formação também.

Terra - O Rogério Ceni já deixou claro que gostaria de seguir no futebol como dirigente ou presidente do São Paulo. Nunca passou pela sua cabeça ajudar o clube desta forma?
Raí - Quando eu parei de jogar eu queria sair do futebol. Não eternamente, mas queria dar um descanso do futebol. E, aos poucos, fui voltando o contato e estive até alguns meses como dirigente do São Paulo, mas vi que não era naquilo que eu queria atuar. Sempre me perguntam se eu quero ser presidente do São Paulo e eu digo que serei um grande cabo eleitoral do Rogério Ceni. Apoiá-lo já vai ser uma ótima ajuda para o São Paulo. Ele já tem isso na cabeça, tem planos e gosta, tem uma história no clube, como eu tenho, mas é o que ele quer. Acho que tem um caminho pela frente. É inteligente. A minha ação será apoiar o Rogério nas próximas eleições.

Terra - Você conviveu com Juvenal Juvêncio quando jogador?
Raí - O Juvenal (presidente do São Paulo) era meu diretor de futebol quando eu cheguei ao São Paulo e, depois, foi presidente. Foi meu presidente àquela época, na primeira fase do São Paulo (1988 e 89) e eu o conheço bem.

Terra - Que avaliação que você faz do momento que o time do São Paulo vive?
Raí - Eu acho que o que está acontecendo neste ano é coerente com a estratégia dos últimos anos e que deu certo. Só que esse ano não deu e não vai dar certo sempre. Acho que o São Paulo teve um risco grande em apostar em alguns jogadores que tinham certo grau de risco de adaptação à filosofia do São Paulo. Acho que foi um risco calculado e eu acho, que dentro da estratégia que fez o São Paulo ser campeão do mundo, teve uma coerência, está sendo repetida, mas nem sempre vai dar certo. Mas eu tenho certeza de que, mesmo que o São Paulo não esteja com resultados ou rendimento do ano passado, são detalhes, um jogador ou outro que possa vir a agregar, que vai colocar o São Paulo de novo no mesmo nível do ano passado.

Terra - Você acha que o Muricy tem alguma responsabilidade neste processo ou não tem os instrumentos para tornar o time melhor?
Raí - Bom, eu acho que todos os clubes hoje têm dificuldades em contratação. Os melhores atletas estão fora do país. Os jovens que chegam são caros, então existe essa dificuldade em todos os clubes. Claro que o Muricy não tem as melhores peças ou o que se considera ideal para cada posição. É sempre um trabalho forte. Acho que ele é um grande treinador e não tem responsabilidade nisso não. Ele tem feito um bom trabalho.

Terra - Você vê algum empecilho maior para que os meninos cheguem aos clubes? Como você vê essa questão da geração de jogadores, porque o nível está caindo mesmo...
Raí - Está caindo porque os jogadores iam antes para a Europa, na época do meu irmão (Sócrates), com 28 anos. Depois foi caindo para 25, aí a partir do Ronaldo começaram a ir com 19, hoje vão com 17 e têm milhares de atletas, centenas com certeza, de jovens que estão nos clubes europeus. Essa é a maior dificuldade.

Terra - Você já tinha ouvido falar alguma vez na sua vida em algo parecido com o que aconteceu com o São Paulo no Palestra Itália na semifinal do Paulista?
Raí - Tinha ouvido falar em livros de história do futebol. Nunca nos últimos anos.
 

Redação Terra