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Automobilismo
Quinta, 15 de maio de 2008, 09h59  Atualizada às 13h24
Corrida italiana exibe carros históricos
 
Guilherme Aquino
 
Guilherme Aquino/BBC Brasil
Carros das Mil Milhas devem ter apenas peças originais
Carros das Mil Milhas devem ter apenas peças originais
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Durante quatro dias, a partir desta quinta-feira, as estradas italianas vão ser cobertas por uma caravana de veículos que escreveram a história do automobilismo mundial, na famosa corrida de Mil Milhas.

A largada e a chegada acontecem na cidade de Brescia, no norte da Itália. O ponto mais distante é Roma. No total, os pilotos irão rodar 1,6 mil km.

Neste ano, 375 carros foram selecionados dentro de um universo de quase dois mil. Os critérios foram o de antigüidade, importância histórica e presença nas edições anteriores da corrida, criada em 1927 e interrompida apenas durante os anos da guerra.

Os veículos foram divididos de acordo com a cilindrada dos motores e nas categorias "Gran Turismo", "Turismo" e "Sport".

Algumas marcas resistiram ao tempo, como a Fiat, a Ferrari, a Porsche e a Bentley. Já outras desapareceram pelo caminho como a DKW e a Gordini.

A corrida é uma chance para ver de perto modelos de 59 casas automobilísticas pilotados por colecionadores de 29 nações, entre eles o francês Jean Alesi, ex-piloto da Fórmula 1.

Os carros devem ter apenas peças originais. Antes da largada, os veículos passam por um rigoroso exame de inspeção.

"Verificamos o estado do carro e a sua origem, o seu passado histórico", diz um técnico para a BBC Brasil. Cada carro de época tem uma espécie de árvore genealógica, e muitos são seguidos à distância pelos seus velhos proprietários.

Reencontros
A corrida possibilita reencontros. Como os de Giorgio e Nicoleta Barvas Grossi com o ex-piloto Rinaldo Parmiggiano, 82 anos. O casal comprou um Alfa Romeu Giulietta Sprint Veloce que participou das Mil Milhas de 1957.

"Não sabíamos que o piloto que correu ainda estava vivo. Foi uma grande surpresa quando entramos em contato. Ele nos mandou uma foto daquele período e na dedicatória escreveu que o importante era participar. Vamos nos encontrar no Passo della Futa, entre Florença e Bolonha. O senhor Parmiggiano pediu apenas para ser fotografado de novo ao lado do carro", disse Nicoleta, emocionada.

Nesta competição, ninguém tem sede de vitória. Todos largam para se divertir e colocar à prova ruelas, parafusos, pneus, nervos e neurônios. Mais do que uma prova de velocidade, a corrida é hoje um teste de resistência para os carros e os pilotos.

"Tive apenas duas horas de sono desde ontem. Durante o trajeto, um pneu da carreta que transportava o meu carro estourou, mas continuamos assim mesmo. Com os solavancos, o interruptor da bomba de gasolina do carro se rompeu e ele não ligava. Foi uma luta para descobrir a origem do problema", afirmou Michele Orsi, dono de um Bandini, de 1953.

Na bagagem, ele leva algumas peças sobressalentes intuindo que vai quebrar justamente "aquela sem reposição", brinca ele.

Moda antiga
Com algumas mudanças, as Mil Milhas continuam sendo uma corrida à moda antiga. O piloto e o seu navegador somente podem guiar e se orientar usando os mapas e, claro, prestando atenção às indicações das placas nas estradas. Aparelhos que localizam a posição através de satélite pertencem ao futuro e não ao passado.

Já foi o tempo quando quem vinha atrás comia poeira, literalmente, como nos primeiros anos, nas estradas de terra batida. O percurso, entre rodovias vicinais e principais, é praticamente todo asfaltado.

Por um lado, isso pode ser uma tentação para pisar no acelerador. Por outro, é bom conhecer bem os limites de velocidade para não ganhar uma multa: 50 km/h nos centros urbanos, 70 km nas estradas provinciais e 130 km/h nas auto-estradas. Tudo em nome da segurança.

Acidentes
A corrida cobrou um tributo alto de acidentes com vítimas fatais ao longo da sua existência.

O pior aconteceu em 1957, quando o piloto espanhol Alfonso de Portago saiu da estrada a 300 km/h por causa de um pneu estourado. Ele e o jornalista Emundo Gurner Nelson, navegador da dupla, morreram juntamente com outros nove espectadores atropelados pela Ferrari desgovernada.

De lá para cá, a competição trocou a velocidade pela regularidade. O recorde de 10 horas e 8 minutos, com uma média de 157 km/h, estabelecido pelo piloto Stirling Moss, campeão de 1955 a bordo de um Mercedez-Benz 300 SLR, ficou congelado no tempo.

E através de uma complicada equação matemática, os organizadores "calibram" o tempo levando em conta o modelo, o ano, a cilindrada do motor e a duração entre os trajetos medidos com o cronômetro manual.
 

BBC Brasil

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