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Vôlei
Quinta, 26 de junho de 2008, 19h04  Atualizada às 19h07
Revista: Ricardinho ataca Giba e Bernardinho
 
Silvio Ávila/CBV/Divulgação
Ricardinho era capitão da Seleção até ser cortado por Bernardinho
Ricardinho era capitão da Seleção até ser cortado por Bernardinho
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Passado um ano do polêmico corte prévio ao Pan-Americano do Rio de Janeiro, o ex-capitão e levantador da Seleção Brasileira masculina de vôlei, Ricardinho, ainda guarda mágoas do assunto. Cortado às vésperas da estréia da equipe na competição, pelo técnico Bernardinho, o jogador do Treviso, da Itália, diz à Revista UM que não pretende voltar ao time verde e amarelo, ataca seus antigos colegas, como Giba, e diz que o treinador "morreu" para ele.

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"O Bernardinho é uma pessoa que morreu para mim", resume Ricardinho. "Passei por muita tristeza, sofri pra caramba. Se ele (Bernardinho) me ligar, querendo resolver o caso, simplesmente vou responder 'não quero, muito obrigado'. Não conseguiria aceitar depois de tanto tempo", completa o levantador, cortado do Pan por divergências internas, segundo o técnico da Seleção.

"Como capitão, estava na linha de frente mesmo. Reivindicava pelos nossos direitos e isso pode ter criado algum atrito. Participei da conversa sobre a divisão de prêmios, também conversamos sobre longas viagens desgastantes. Sei que no dia da apresentação para o Pan, no Rio, a única desculpa que recebi do Bernardinho para minha dispensa era o desgaste no nosso relacionamento", diz Ricardinho, que chegou atrasado ao Rio de Janeiro após ser campeão da Liga Mundial.

Sem o levantador e com Marcelinho assumindo a posição, o Brasil conquistou o ouro no Pan e, no pódio, os jogadores levaram uma bandeira com a inscrição "Pequim 08", em alusão a um pacto feito por eles - incluindo Ricardinho - para se aposentarem da Seleção após os Jogos Olímpicos deste ano, na China. Um dos que estavam na festa era Giba.

Grande amigo do ponteiro nos tempos de Seleção, Ricardinho diz que, hoje, não nutre nenhuma amizade com o ex-colega. "Não somos mais amigos, agora é tudo profissional. Eu acreditava que ele deveria ser o cara que tinha de apontar o que eu fiz de errado, o que o Bernardo fez de errado e o que o grupo também errou. E todo mundo errou", afirma.

"No começo (Giba) foi a pessoa que me deixou mais chateado, mas agora, com calma, entendo que essa é a personalidade dele, em cima do muro. Não poderia esperar do Giba essa reação, porque não é o jeito dele. Ele não era o amigo que eu pensava que fosse. Irmão e amigo são coisas completamente diferentes e, se um dia jogarmos juntos, será profissional", declara Ricardinho.

O levantador vai além e acusa o grupo que disputou o Pan do Rio de o "deixar na mão". "Agora, no Treviso, com o Gustavo (Ricardinho se transferiu do Modena para o Treviso), será estritamente profissional. Não adianta falar que vou sair pra jantar com ele porque isso não vai rolar. Mas na quadra jogamos junto, não há qualquer problema", garante.

Por fim, Ricardinho, 32 anos, avisa que pretende seguir no vôlei após se aposentar, de preferência como treinador. "Há uns dois anos eu procuro me aperfeiçoar mais nesse caminho, reparando e tentando tirar o melhor de cada técnico, do (italiano) Andréa Giani, do (argentino) Julio Velasco e até do Bernardinho. Não quero repetir os erros que eles cometeram. A manha de ser técnico é conhecer cada profissional, como é a convivência com a família dele, em casa, se ele gosta de sair. É enxergar o jogador como ser humano. Fácil é montar o trabalho em quadra, difícil é manter o grupo fora", encerra.


 

Redação Terra