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Hóquei
Terça, 30 de setembro de 2008, 10h37  Atualizada às 10h36
NHL quer reforçar marca do hóquei na Europa
 
Lynn Zinser
 
Getty Images
Times da NHL farão jogos em território europeu
Times da NHL farão jogos em território europeu
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Desde que jogadores europeus começaram a ser integrados aos times de hóquei da NHL, a federação de hóquei profissional dos Estados Unidos, no final dos anos 70, vem aumentando sua influência. A NHL espera descobrir que impacto poderia ter na Europa, durante o fim de semana, quando abrirá sua temporada regular com jogos na Suécia e na República Checa.

Esta semana, quatro times da NHL - New York Rangers, Pittsburgh Penguins, Tampa Bay Lightning e Ottawa Senators - jogarão partidas de exibição na Europa. Seus jogos contra times europeus na Finlândia, Suíça, Eslováquia e Alemanha atraíram interesse entusiástico e as partidas de sábado ¿ Rangers e Tampa Bay em Praga, Pittsburgh e Ottawa em Estocolmo - já estão com os ingressos esgotados.

No ano passado, a NHL já havia iniciado sua temporada regular com jogos no exterior - duas partidas entre Anaheim Ducks e Los Angeles Kings, em Londres. Nesta temporada, a liga decidiu visitar territórios onde o hóquei tem mais tradição.

"O objetivo é reforçar nossa presença de marca aqui", disse Bill Daly, comissário assistente da NHL. "Gostaríamos de ter alguma espécie de presença permanente, quer na forma de um escritório da liga, lojas ou jogos da temporada regular. Reforçar nossa marca na Europa claramente nos interessa".

A idéia de que a NHL poderia desempenhar papel maior na Europa vem sendo discutida desde o começo dos anos 90, e os pensadores mais ambiciosos imaginavam criar uma divisão européia da federação. Mas ela enfrentou dificuldades ao expandir seu quadro para 30 equipes, e os problemas financeiros enfrentados levaram à suspensão do campeonato na temporada 2004/2005. Quando um acordo com os jogadores foi fechado, a Europa voltou ao cenário.

Daly disse que não havia planos definitivos de expansão da liga e para colocar times na Europa, mas disse que esperava mais viagens de pré-temporada e mais jogos da temporada regular no continente, especialmente se a viagem deste ano for bem. Os planos iniciais do ano incluíam apenas um par de jogos em Praga, mas a liga descobriu que existia interesse suficiente da audiência para expandir essa programação.

"Estou certo de que isso tem algo a ver com o potencial de expansão da liga um dia, de modo que se for esse caso, as pessoas poderão olhar melhor a NHL", disse Sidney Crosby, pivô do Pittsburgh Penguins. "Estamos expandindo tudo um pouco mais, e dando a pessoas que tipicamente não poderiam assistir a uma partida da NHL a oportunidade de fazê-lo. Caso as pessoas gostem disso, a liga com certeza precisa explorar a idéia".

Mas a NHL chega à Europa em um momento complicado de seus relacionamentos internacionais. Os desacordos sobre como conduzir as transferências de jogadores entre equipes européias e da NHL se intensificaram a ponto de derrubar o acordo de transferência internacional que vigorava. E a situação com a Rússia é contenciosa.

Embora alguns países e a NHL tenham concordado em não transferir com jogadores sob contrato, o mesmo não se aplica à liga russa. Há um caso que vai ser decidido em arbitragem envolvendo a transferência do atacante Alexander Radulov a um time russo enquanto ainda tinha contrato com o Nashville.

Daly disse que esperava que as questões referentes a transferências fossem resolvidas ¿ele se reunirá com dirigentes internacionais esta semana - mas os efeitos colaterais do problema se fizeram sentir na NHL. Depois de anos de elevação constante no número de jogadores europeus inscritos na liga, a tendências e reverteu. Na temporada passada, 26% dos jogadores da NHL não vinham da América do Norte, ante porcentagem superior a 30% em temporadas anteriores. Em 2000, 42% dos jogadores selecionados para a liga eram europeus; em 2008, a porcentagem caiu a 21%.

Questões contratuais dissuadem as equipes de contratar jogadores europeus. Os jogos do fim de semana representam uma espécie de esforço diplomático. Não é coincidência que a NHL envie à Europa times nos quais jogam astros europeus, ainda que a visita do Rangers a Praga tenha perdido parte de seu interesse quando Jaromir Jagr assinou com uma equipe russa.

"Quando penso em ir a Praga e Estocolmo, o que tenho em mente não é falta de um contrato de transferência; penso em dois grandes países para o hóquei, em seu interesse pelo jogo e nos grandes jogadores que ambos forneceram à NHL", diz Ray Shero, diretor geral do Pittsburgh. "Tenho esperança. Confio em que as coisas se resolverão".

Caso a liga decida disputar mais partidas ou patrocinar times na Europa, será preciso superar mais que as questões contratuais. A distância seria o grande problema. Os times já não apreciam as viagens envolvidas na disputa nem que apenas de alguns jogos de início de temporada na Europa. As quatro equipes envolvidas tiveram de reduzir seu período de treinamento na pré-temporada e realizar seus jogos de exibição em casa em um cronograma mais apertado. Alguns jogadores e técnicos acreditam que a viagem possa afetar suas temporadas.

"As viagens serão difíceis, com a diferença de fuso", disse Henrik Lundqvist, goleiro do Rangers, que é sueco. "Veremos como nos sentimos dessa vez ¿ ir até lá, jogar e voltar. Mas já fiz a viagem muitas vezes e sei que é desgastante. Talvez os campeões pudessem jogar lá a cada ano, ou algo assim. Ou fazer num torneio entre os melhores times europeus e os melhores da NHL. Isso poderia ser divertido".

Tom Renney, técnico do Rangers, passou anos treinando equipes internacionais e formações menores da seleção canadense. Ele afirma acreditar que a NHL tenha futuro na Europa.

"Creio que, com tempo, em algum momento do futuro, haverá alguma forma de liga internacional, mundial", disse Renney. "Se formos pioneiros nisso, se liderarmos, ótimo".

Tradução: Paulo Migliacci (ME)
 

The New York Times