| Fernando Bizerra/COB/Divulgação |
 Lula discursa diante de autoridades e atletas olímpicos, em Brasília |
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ao ministro do Esporte, Orlando Silva, ao presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, e do Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB), Vital Severino Neto, que criem uma espécie de comissão de dirigentes e atletas para debater as atuais deficiências no incentivo ao esporte e procurar soluções para ampliar o nível de competitividade dos brasileiros em campeonatos.
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Ao receber os medalhistas olímpicos e paraolímpicos em solenidade no Palácio do Planalto, o presidente reconheceu que é preciso "fazer o dever de casa" e disse estar disposto a convencer os maiores empresários do país a reforçar os patrocínios e incentivos a um projeto olímpico nacional.
"Estou convencido que nós ainda não fazemos o que precisa ser feito para garantir que o Brasil participe das Olimpíadas em igualdade de condições. Não estou aqui exigindo mais medalhas. Temos é que preparar as delegações e os atletas brasileiros naquilo que for o possível do melhor que nós podemos fazer", afirmou Lula, explicando que a delegação a ser criada irá avaliar as carências da prática diária do esporte.
"Quero me comprometer que vocês montem um esquema, uma proposta, (e eu me disponho) a juntar uns 50, 100, 150 maiores empresários desse país. (Vamos) ver se a Caixa, o Banco do Brasil e os Correios já estão fazendo tudo, ver se a Eletrobras está dando o que tem que dar e ver se outras empresas estão dando o que tem que dar", completou. "O que não é justo é que um atleta não possa treinar porque não comeu as calorias necessárias para o treinamento ou porque não tem técnico. Se nós quisermos nos transformar em uma potência olímpica, isso precisa não de gasto, mas de investimento para que todos tenham orgulho de ser brasileiro. Quero ver se a gente faz a lição de casa", declarou o presidente.
"Quando a gente não ganha 100% (das medalhas previstas) aparecem os heróis de última hora querendo encontrar o culpado. O culpado somos todos nós, 190 milhões de brasileiros. Precisamos garantir que os atletas nossos que vão passar por todos os testes cheguem na Olimpíada 100% em condições de disputar qualquer medalha", afirmou.
Durante a homenagem aos medalhistas de Pequim, Lula se lembrou também daqueles que não conseguiram chegar ao pódio, apesar das expectativas, e disse que eles não podem ser considerados competidores menores. "Uma coisa que me deixa inquieto é que quando começa a competição tem um tipo de gente que talvez tenha passado quatro anos sem dar uma palavra sobre nossos atletas e, quando não acontece o que imaginava que iria acontecer, que é o ouro, passa a fazer críticas, diz que não houve preparação", apontou.
O presidente citou os casos específicos do vôlei de praia masculino, cujas duplas ficaram com a prata e o bronze, e do ginasta Diego Hippolito, que levou um tombo na final da disputa individual. "Ele (Diego) cai quando não deveria cair. Paciência, meu Deus. Faz parte do esporte. E nem por isso ele é menor. É importante ganhar muita medalha de ouro. É lógico que é importante ver o Cielo (César Cielo, ouro no 50 m livre) ganhar a medalha de ouro, mas se ele não ganha ele não seria menor. A gente não sabe o que vai acontecer com a gente daqui a dois minutos. Essa é a coisa gostosa do esporte", avaliou.
O presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, por sua vez, citou a "força e vontade" dos atletas brasileiros, em especial a medalhista de ouro no salto em distância, Maurren Maggi, e o judoca paraolímpico Antônio Tenório, ouro na categoria D1, cego total, até 100 kg, além de lembrar o "ineditismo" da conquistas de Maurren, César Cielo, ouro no 50 m livre, e o primeiro lugar do vôlei feminino. E lembrou que os medalhistas de prata e bronze também devem ser homenageados e incentivados. "Todas essas medalhas (prata e bronze) no mundo inteiro são reconhecidas. O apelo que faço é que não trabalhemos apenas com aquele que ganha a medalha de ouro".
Ainda durante a recepção aos medalhistas olímpicos e paraolímpicos, o ministro do Esporte, Orlando Silva, destacou que atualmente todas as empresas estatais adotam uma ou mais de uma modalidade e as patrocinam. Ele citou os efeitos de programas governamentais, como o Pintando a Liberdade, que confecciona as bolas com guizo utilizadas no futebol de cinco, e o Bolsa Atleta, que em 2007 destinou R$ 26 milhões para o aperfeiçoamento dos competidores.
"Todos vocês encheram nosso país de orgulho. Quando venceram e não venceram mostraram muito entusiasmo. Estar nos jogos deve ser motivo de muita felicidade e creio que deve ser motivo de muito orgulho e felicidade para o Brasil", opinou.
O presidente do Comitê Paraolímpico Brasileiro, Vital Severino, observou, por fim, o apoio financeiro do governo foi fundamental para o crescimento da competitividade do Brasil junto aos demais países. "Foi o governo que indubitavelmente mais apoio deu ao esporte paraolímpico, (...) colocando o Brasil entre as dez maiores potências paraolímpicas do mundo", comentou. No quadro geral de medalhas da Paraolimpíada, o Brasil ficou na 9ª colocação, com 16 de ouro, 14 de prata e 17 de bronze.
No encerramento, autoridades e alguns atletas seguraram a bandeira de candidatura do Rio de Janeiro aos Jogos Olímpicos de 2016. A cidade carioca compete com Chicago, Tóquio e Madrid.
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