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Sexta, 3 de outubro de 2008, 11h27 
Relatório afirma que outros árbitros não ajudaram Donaghy
 
Michael S. Schmidt
 
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A investigação de 14 meses que a NBA, a liga de basquete profissional dos Estados Unidos, conduziu sobre alegações de que alguns de seus árbitros estavam envolvidos em esquemas de apostas concluiu que nenhum outro árbitro além de Tim Donaghy havia feito apostas em jogos do campeonato, fornecido informações privilegiadas a apostadores, e nem manipulado ou alterado resultados de partidas.

No entanto, a investigação constatou que diversos árbitros haviam violado as regras da NBA sobre jogos de azar ao fazer apostas com amigos durante partidas de golfe ou jogar cartas em cassinos. As regras quanto a essas práticas foram recentemente relaxadas.

Donahy começou a servir uma sentença de prisão de 15 meses em 23 de setembro, por seu envolvido em um esquema de apostas no qual ele era pago para determinar os vencedores de jogos da NBA e fornecer informações privilegiadas a apostadores.

Em junho, Donaghy acusou a NBA de manipular os resultados de partidas, e o comissário da organização, David Stern, apontou Lawrence Pedowitz, um ex-promotor público federal, para conduzir uma investigação quanto às alegações. Pedowitz e sua equipe de investigadores estudaram cada uma das acusações e, como as autoridades federais, não foram capazes de substanciar qualquer das alegações de Donaghy no sentido de que os resultados de jogos haviam sido manipulados.

"Não descobrimos provas de que a liga solicitou a árbitros que apitassem jogos de maneira a favorecer determinadas equipes ou jogadores", afirma o relatório.

Uma revisão de 17 partidas quanto às quais Donaghy havia fornecido palpites sobre vencedores aos apostadores, na temporada 2006/7, não apresentou quaisquer provas de que ele tenha manipulado os resultados dos jogos, de acordo com o relatório.

Podowitz recomendou diversas medidas que a NBA deveria tomar para impedir que jogadores e árbitros apostassem em jogos, entre as quais abrir mais o acesso dos torcedores e da imprensa aos juízes e criar uma linha para denúncias telefônicas anônimas sobre irregularidades vinculadas a apostas.

Stern, em entrevista coletiva telefônica na quinta-feira, disse que havia acatado as recomendações. "Estamos determinados a desmistificar o processo e a compartilhar com a mídia, e portanto com os torcedores, as instruções de arbitragem, as informações mais específicas, e com isso inevitavelmente as revelações sobre erros cometidos", disse Stern.

Pedowitz e os investigadores estudaram quatro alegações específicas que Donaghy fez às autoridades federais sobre manipulação de jogos por árbitros e dirigentes do basquete profissional.

A mais explosiva das acusações se referia à manipulação do resultado do jogo série na série semifinal entre Sacramento Kings e Los Angeles Lakers, em 2002. Em documentos judiciais apresentados antes do terceiro jogo das finais da NBA, em junho, o advogado de Donaghy afirmou que os árbitros da partida haviam manipulado o resultado de maneira a forçar um sétimo jogo na série e elevar as vendas de ingressos e a audiência de televisão. O Lakers venceu o jogo seis, o jogo sete e depois conquistou o título.

Pedowitz entrevistou os árbitros da partida e outros funcionários da NBA sobre as alegações e solicitou uma revisão oficial do jogo por especialistas em arbitragem que trabalham diretamente para Stern.

"O jogo foi mal arbitrado, na opinião dos especialistas que o revisaram", afirma o relatório. Mas aponta que, entre as 15 marcações incorretas, ou irregularidades que passaram sem marcação, oito favoreceram os Lakers e sete aos Kings. "Não vimos ou recebemos provas conclusivas ou argumentação lógica que sustente a as alegações de Donaghy sobre a partida", afirma o relatório.

A investigação de Pedowitz foi prejudicada pela falta de cooperação de Donaghy. Depois de inicialmente se oferecer para conversar com funcionários da NBA, Donaghy se recusou a falar com Pedowitz, porque Stern repetidas vezes definiu o ex-árbitro como traidor e o acusou de inventar informações sobre manipulação de jogos, disse o advogado de Donaghy.

Sten acusou Donaghy de inventar uma história sobre como os árbitros decidiram o resultado de um jogo de playoff, na esperança de, com isso, conseguir sentença mais branda.

"Minha preocupação é que o escritório de advocacia encarregado da investigação respondia diretamente a David Stern, em lugar de conduzir uma investigação verdadeiramente independente", disse John Lauro, o advogado de Donaghy.

Stern promoveu diversas mudanças no programa de arbitragem. Antes da temporada 2007/8, ele relaxou as regras que proibiam árbitros de jogar em cassinos porque era impossível aplicá-la, e disse que não puniria os juízes por passadas violações da norma.

Ao mesmo tempo, ele mudou a escalação de árbitros, que costumava ser mantida em segredo até o início do jogo e agora será anunciada pela manhã.

Em julho, a NBA contratou Ronald Johnson, um general reformado do exército, para comandar seu departamento de arbitragem.

Stern disse que Pedowitz revisaria o programa de arbitragem da NBA no início da temporada 2008/9, para garantir que este "esteja de acordo com suas recomendações e aspire aos mais elevados níveis de integridade".

"Atividades criminais existem em qualquer parte do mundo, e é impossível garantir que não aconteçam no esporte", disse Stern. "Mas teremos o mais eficiente sistema já adotado", completou.

O comissário acrescentou que "sempre soubemos que os jogos de azar continuam a crescer, no país e no mundo, e que teremos de continuar tratando da questão de modo a decidir quanto as vantagens que apostadores tentam obter devem ser combatidas pela divulgação pública de informação ou outras medidas que tentaremos implementar".

Tradução: Paulo Migliacci
 

The New York Times