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 Castro é autor de biografias de Nelson Rodrigues e Carmen Miranda |
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O argentino Diego Graciano mandou algumas das poucas cópias que produziu a escritores, jornalistas e intelectuais brasileiros, entre eles Ruy Castro. Autor de consagradas biografias, como as de Nelson Rodrigues e Carmen Miranda, o escritor enfrentou uma longa batalha jurídica em torno da obra Estrela Solitária, sobre Garrincha, da Companhia das Letras, proibida logo após a sua publicação.
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Segundo Castro, dois advogados montaram o processo em nome das filhas do ex-jogador do Botafogo. O livro foi retirado de circulação durante um ano após a Justiça dar ganho de causa às familiares de Garrincha. A publicação retornou às livrarias apenas no final de 1996 e desde então não foi mais contestada. A disputa jurídica se arrastou por dez anos e acabou apenas quando as filhas do antigo atacante entraram em acordo com a Companhia das Letras.
Em entrevista ao Terra, o escritor comentou a situação de Diego Graciano. "O problema que ele está tendo é quase inevitável quando se faz a biografia de uma pessoa viva", diz o escritor. Um dos que mais criticou a proibição da obra Roberto Carlos em Detalhes, ele não recomenda aos escritores investirem em biografias de personagens vivos. "Se ele tivesse me perguntado antes, eu o teria desaconselhado".
Admirador do futebol de Marta, o flamenguista diz que ela "é o Pelé de batom". No entanto, para os biógrafos, Ruy Castro vê um importante defeito na atleta, escolhida como melhor do mundo pela Fifa em 2006 e 2007. "Ela tem o grande problema de estar viva. Por isso, meus personagens foram o Nelson Rodrigues, o Garrincha e a Carmen Miranda - todos mortos. E, mesmo assim, tive problemas", lembrou o autor, que lançou recentemente o livro Ungáua!, compilação de crônicas publicadas por ele desde que passou a escrever no jornal Folha de S.Paulo, em fevereiro de 2007.
Ruy Castro é expressamente contra as autobiografias. Para ele, neste tipo de obra o verdadeiro autor é o próprio biografado, na medida em que ele oferece uma visão pessoal dos acontecimentos e tem poder para editar o texto final. Na visão do escritor, o personagem ideal deve ter morrido há, pelo menos, dez anos para evitar a contaminação da obra por qualquer tipo de idealização ou distorção causada pela morte recente.
O deputado federal Antônio Palocci (PT-SP) apresentou recentemente um projeto de lei que altera o artigo 20 da Lei Federal nº 10.406, evocado pelos biografados insatisfeitos. A idéia é incluir o seguinte parágrafo na legislação: "É livre a divulgação de informações biográficas sobre pessoas públicas ou que tenham participado de acontecimentos de interesse da coletividade".
A advogada Deborah Sztajnberg participou da redação do projeto de lei, que aguarda votação. Para ela, o receio das editoras em publicar novas biografias "é um dos efeitos nocivos do processo movido por Roberto Carlos". "Agora, ninguém mais vai poder escrever sobre nada no Brasil, muito menos biografias", declarou a advogada, que ainda luta judicialmente para devolver a biografia de Roberto Carlos às livrarias.
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