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NBA
Terça, 7 de outubro de 2008, 13h09  Atualizada às 13h18
Sem Camby, Nuggets podem desenvolver jogo de garrafão
 
Mark Kiszla
Do Denver Post
 
Getty Images
Camby troca Denver Nuggets pelo Los Angeles Clippers
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Com base em todas as lamentações ouvidas em Denver quando o pivô Marcus Camby foi negociado com o Los Angeles Clippers pelo preço de um sanduíche, seria perdoável imaginar que os Nuggets cometeram um deslize histórico em termos de opções no basquete.

Uma decisão tão estúpida quanto usar a terceira escolha no processo seletivo da NBA em 1998 para contratar Raef LaFrentz, ignorando jogadores como Vince Carter, Dirk Nowitzki e Paul Pierce?

Ou tão estúpida quanto permitir que Dikembe Mutombo deixasse a cidade, levando com ele a alma dos Nuggets?

Creio que não, de forma alguma.

Bem, agora que estabelecemos certa perspectiva quanto à negociação de Camby, eis uma novidade para vocês.

Os Nuggets são perfeitamente capazes de vencer 50 partidas na temporada regular sem a ajuda de Marcus Camby - e, se George Karl merece ser o técnico desse time, certamente o fará.

Os Nuggets podem ser um time mais firme e mais fechado na defesa sem Camby, que colecionava bloqueios como se fossem obras de arte mas não demonstrava muito interesse em trabalhar de verdade no garrafão, quer a expectativa fosse a de que aplicasse pressão na marcação contra Shaquille O'Neill ou tentasse acompanhar a velocidade de Pau Gasol.

Sem Camby, cuja idéia de ataque era fazer arremessos a 5,5 metros da cesta, pode bem ser que os Nuggets desenvolvam um verdadeiro jogo de garrafão, que poderia oferecer a Carmelo Anthony e Allen Iverson um motivo convincente para passar para alguém perto da cesta.

"Chegou a minha hora", Nenê me disse recentemente.

Nenê é um defensor mais firme do que Camby em termos de marcação, sai mais rápido no contra-ataque e costuma fazer mais pontos do que o veterano que terá de substituir na posição de pivô.

Todo mundo sabe que a carreira de Nenê até agora foi um mistério envolto em um enigma, e em diversas ataduras. Aos 26 anos, chegou a hora de Nenê provar que consegue se manter saudável a ponto de jogar 35 minutos por noite.

Com Camby, o time usava uma defesa que combinava passividade e agressividade excessiva, já que ele parecia sempre inclinado a interferir no último segundo para salvar o time do desastre. Agora, os defensores não terão alternativa a não ser marcar os atacantes adversários de perto. "Vamos ser muito mais agressivos, incomodar muito mais os adversários", disse Karl na segunda-feira.

Embora a equipe que comanda os Nuggets, formada pelo proprietário Stan Kroenke, pelo assessor Bret Bearup, pelo vice-presidente de operações de basquete Mark Warkentien e pelo diretor de pessoal Rex Chapman tenha ocasionalmente demonstrado paralisia, é preciso reconhecer, igualmente, que a difícil escolha de negociar Camby, diante de críticas inevitáveis, fazia sentido em termos financeiros e de jogo.

O fato de que ele seja um bom sujeito não justifica manter Camby como parte de um time de basquete a um salário anual de US$ 10 milhões.

Embora a conferência oeste da NBA continue a ser um dos mais indefinidos e competitivos territórios em qualquer dos esportes profissionais norte-americanos, os pistoleiros que o dominaram nos últimos anos estão todos envelhecendo. O San Antonio Spurs jogou a temporada passada com quatro titulares na casa dos 30 anos. No caso do Phoenix Suns, a comunidade de aposentados vai crescer mais rápido do que o time espera, já que Steve Nash está com 34 anos e Shaquille O'Neal já completou 36. Todas as caretas que costuma exibir à beira da quadra ao assistir ao seu Dallas Mavericks, um time que costuma sair derrotado de disputas em que entra como favorito, indicam os problemas que Mark Cuban pode enfrentar caso decida mesmo adquirir o Chicago Cubs, um time de beisebol cuja equipe é formada por veteranos ¿ exatamente como no caso dos Mavericks, cujos seis principais jogadores têm idade média de 32 anos.

Os Nuggets decidiram que era hora de abrir mão de Camby porque, no futuro, eles precisarão acompanhar a juventude de times como o New Orleans Hornets e o Portland Trailblazers, se desejam disputar uma vaga nos playoffs da conferência oeste.

Denver ainda necessita de um armador que se preocupe mais com o passe do que com marcar pontos, e a única coisa substancial revelada por todos aqueles boatos ridículos quanto ao interesse do time por Jamal Tinsley, cuja reputação por indisciplina não poderia ser maior no Indiana Pacers, é que o time está claramente à procura de um armador que pense primeiro na equipe e possa acompanhar Iverson ou J. R. Smith.

Mas não esperem que qualquer transação importante venha a acontecer em curto prazo. O Denver está à procura de um armador com muita inteligência na distribuição do jogo, salário razoável para os padrões da NBA e que tenha firme controle de seu ego desde que deixou que Steve Blake saísse do time.

As grandes mudanças que poderão reformular inteiramente a equipe dos Nuggets certamente não acontecerão antes de 2009, quando expira o contrato de Iverson e quando a isenção quanto às normas de limitação salarial gerada pela negociação de Camby poderão abrir um espaço salarial de cerca de US$ 30 milhões anuais para que os Nuggets invistam em novas aquisições.

Determinar por quanto tempo George Karl estará presente para comandar a nova geração de Nuggets vai depender em medida considerável do sucesso que ele obtenha ao desenvolver Nenê, Smith e Linas Kleiza.

Camby só atrapalhava no ataque e na defesa costumava servir como muleta a um time sempre à procura de desculpas para não se esforçar.

Bem, agora essas desculpas não existem mais. Anthony, Iverson, Nenê e Karl terão de provar sua capacidade em ajuda.

É hora de parar com a choradeira e trabalhar.

Tradução: Paulo Eduardo Migliacci ME
 

The New York Times