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Quinta, 9 de outubro de 2008, 10h42  Atualizada às 20h43
Nets esperam que gigante atraia chineses
 
Jonathan Abrams
 
Getty Images
Yi defende a seleção chinesa nos Jogos de Pequim
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Em meio à movimentada Chinatown do bairro de Flushing, em Queens, Ken Niu é uma daquelas pessoas que só acompanham basquete quando lhe sobra tempo. Quando pode, ele assiste a um jogo, mas não fica necessariamente decepcionado caso não o faça.

» Jogadores visitam Paris

Niu é o público alvo do New Jersey Nets, o tipo de observador que pode ser atraído às partidas da equipe em East Rutherford, Nova Jersey, pela primeira vez com a chegada de Yi Jianlian, um ala de força de 2,14 m natural da província de Guangdong, sul da China, que está iniciando sua segunda temporada na NBA.

"É como ter um novo vizinho", disse Niu, 26 anos, por meio de um intérprete, enquanto comia uma dobradinha bem apimentada. "Primeiro havia Yao Ming. Agora temos Yi". O nome de Yi é muito conhecido, e os moradores de Chinatown dizem que gostariam de assisti-lo, se tiverem tempo e dinheiro para atravessar o rio Hudson.

"Na China, como Yao, ele é muito famoso", disse Lei Li Henan, 43 anos, por meio de um intérprete. "Se eu estiver visitando Nova Jersey e puder vê-lo jogar, o farei, porque nós dois somos chineses". Os Nets esperam que Yi propicie uma boa conexão com os 650 mil norte-americanos de origem chinesa que vivem na região de Nova York e nas cercanias, o que atrairia uma nova e cobiçada base de torcedores para a equipe.

E como Yao, o pivô do Houston Rockets, Yi também tem apelo internacional, já que é cidadão do mais populoso país do mundo. Evidentemente Yao entrou na NBA com um jogo já refinado. Ele era um astro quando chegou, escolhido em primeiro lugar no processo seletivo. Yi, 20 anos, um ala de força desengonçado adquirido ao Milwaukee Bucks, ainda não jogou com a camisa do Nets.

"Ele precisa construir um relacionamento com a comunidade", disse Sunny Moy, presidente do Centro da Juventude Ásia América. "No momento, as pessoas gostam mais de Yao porque Yi é praticamente um calouro. Ele é bom jogador, já o vi em quadra, mas ele precisa doar ingressos, criar um relacionamento com as crianças, a fim de fazer efeito".

Os Nets estão pesquisando cuidadosamente sobre como atingir sua nova audiência da maneira mais significativa e lucrativa. O site da equipe agora oferece versões em chinês simplificado e tradicional, e quase 30% do tráfego que recebe se origina do Sudeste Asiático. Um esquema de ônibus que transportará torcedores da Chinatown de Manhattan ao Izod Center está sendo montado. E cerca de 50 partidas do time nesta temporada serão transmitidas pela TV aberta chinesa.

A abordagem é um tanto arriscada. Uma conexão duradoura só será estabelecida caso Yi transforme seu potencial em produtividade. David Carter, diretor executivo do Instituto de Negócios e Esporte da Universidade do Sul da Califórnia, disse que esforços de marketing vinculados a atletas estrangeiros podem ser mais complicados do que aqueles que envolvem jogadores norte-americanos.

"Não se pode simplesmente sair e divulgá-lo junto a uma audiência étnica porque ele se parece com aquelas pessoas", diz Carter. "A única maneira de conquistar credibilidade é que ele jogue bem e se comporte bem". Os Nets adquiriram Yi e o ala Bobby Simmons em uma transação no dia da seleção, aproveitando uma combinação de fatores que incluía oportunidades de marketing e a redução da folha salarial do time.

Mas as contratações não compensam a produtividade perdida com Richard Jefferson, o cestinha do time, negociado como parte do pacote. Brett Yormark, presidente da Nets Sports and Entertainment, diz que a troca foi realizada para colocar o melhor time possível em quadra, e que a quadra será a prioridade para Yi.

"Acredito que temos uma oportunidade para contar à comunidade chinesa, o que antes não tínhamos, mas não queremos explorar essa situação", disse Yormark. "Não é assim que se faz. Temos de merecer a atenção". É um conceito com o qual Yi, que parece ter se adaptado bem ao seu novo time, concorda. Seu sorriso sincero não precisa de intérprete.

Yi o exibia quando o técnico Lawrence Frank brincou e se ofereceu como intérprete durante uma entrevista. "Ele odeia o técnico", brincou Frank. "E quer mais oportunidades de arremesso". Melhor não contar a Frank, mas Yi ocasionalmente precisa mesmo de um intérprete. Ele estudou inglês na escola e antes do processo seletivo do ano passado. Seu domínio do idioma ainda é limitado mas, como seu jogo, está evoluindo rapidamente.

"É uma nova oportunidade", diz Yi, que pensa antes de responder cada pergunta. "Um novo começo, novo time. Time jovem, com muitos jogadores novos, e sinto que estamos realmente prontos para a temporada". Será tarefa de Yormark caminhar pela corda-bamba que separa exploração e expansão nesta temporada.

Em uma abordagem que os Nets pretendem imitar, os Bucks aproveitaram o apelo internacional de Yi vendendo patrocínio em quadra a companhias chinesas. Yormark recentemente voltou de Pequim e Xangai, onde participou de 28 reuniões em cinco dias e viu em primeira mão como o basquete é popular na China.

Os Nets estão oferecendo um pacote de quatro jogos dirigido à comunidade chinesa dos Estados Unidos - contra o Houston Rockets, o Golden State Warriors, o Los Angeles Lakers e o Cleveland Cavaliers. Os Rockets e os Lakers contam com os dois outros jogadores chineses da liga - Yao e o estreante Sun Yue.

Os Nets contrataram uma agência de marketing multicultural e planejam promoções para os dias de jogos que incluem oferecer a um torcedor o posto de intérprete de Yi por um dia e uma festa de Ano-Novo chinês. "Eu não estou contando com isso", disse Yormark, que disse ter conversado com dirigentes dos Rockets e dos Bucks sobre como promoveram Yi e Yao. "Mas há grande potencial na idéia, se bem feita. E o que quero é garantir que o façamos".

No processo seletivo, as informações eram de que Yi preferiria jogar em um grande mercado. Os Bucks o selecionaram com a sexta escolha e depois de longas negociações, que incluíram uma visita de Herb Kohl, o proprietário do time, e diversos outros dirigentes a Hong Kong, Yi por fim assinou.

"Ele atraiu o interesse de nossos torcedores, as pessoas estavam curiosas", diz John Steinmiller, vice-presidente de operações de negócios dos Bucks. "No caso da comunidade chinesa, nós os interessamos e talvez tenhamos conquistado alguns deles como fãs para a NBA. Obviamente as oportunidades de fazer as coisas de outro modo, e talvez melhor, são imensas em Nova Jersey".
 

The New York Times