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Protagonista de uma grande polêmica com a Federação Eqüestre Internacional (FEI), o cavaleiro Rodrigo Pessoa afirmou ter consultado os colegas de profissão antes de anunciar sua desistência do Athina Onassis International Horse Show, competição que também engloba a grande final do Global Champions Tour, um dos torneios mais importantes do mundo do hipismo.
"Consultei meus colegas para não causar ainda mais tumulto no evento e acredito que foi a melhor decisão", comentou o atleta, que está suspenso até o dia 10 de janeiro por conta de doping detectado em seu cavalo Rufus durante a Olimpíada deste ano, mas ganhou uma liminar na Justiça brasileira para competir no Athina. "Várias questões, como as regras de doping tem que mudar e ficar mais claras e acho que este é um momento bom para discutir as regras", destacou.
Rodrigo, porém, evita falar muito sobre o assunto. Blindado por seu empresário, André Beck, e pela assessoria de imprensa do evento, o atleta limitou-se a estas declarações e não respondeu às perguntas que aprofundariam o assunto. Alegando que o Tribunal Arbitral do Esporte (TAS) não daria um parecer a tempo de ele participar do evento em São Paulo, no qual sua ausência culminaria em perdas de US$ 36 mil pelo descumprimento de cláusulas com patrocinadores, Pessoa conseguiu uma autorização da juíza Flávia Viveiros, da 6ª Vara Cível do Rio de Janeiro, baseada no 'periculum in mora' (perigo da demora).
A FEI, entretanto, reagiu rápido e ameaçou "tomar punições disciplinares futuras" caso ele fosse à pista da Sociedade Hípica Paulista. Questionado se Rodrigo havia tomado tal decisão por receio de represálias, Beck deu a entender que sim. "Quando você toma uma decisão desse nível, leva em conta vários fatores e com certeza ele fez isso tanto na decisão de entrar com a liminar quanto na escolha de não competir do Athina. Ele tem uma carreira de 20 anos como profissional e nenhum cavaleiro tem resultados como o dele. As decisões dele são bem centradas e tomadas com calma. A conduta da carreira do Rodrigo é uma prova disso", declarou.
Na quarta, o próprio Beck, que é coordenador-geral do Athina, havia declarado que o campeão da prova de saltos em Atenas 2004 já tinha "comprado briga com a FEI" e confirmou sua participação no evento, desde que a liminar continuasse válida. O cavaleiro, inclusive, chegou a ameaçar a criação de uma liga independente em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, idéia que conta com o apoio de Álvaro Miranda Neto, o Doda, outro organizador do Athina e também cavaleiro.
Porém, o tom das declarações mudou pouco mais de 24 horas depois e o ginete já admite conversar com os dirigentes antes de tomar qual quer decisão radical. "O Rodrigo quer usar este exemplo para que todos os cavaleiros possam sentar em uma mesa e dialogar com a FEI para que as regras sejam mais claras", afirmou Beck. Segundo o empresário, o brasileiro pretende usar de seu prestígio de presidente do Clube de Cavaleiros da Europa para conseguir o que quer.
"A FEI tem que respeitar a entidade que representa os cavaleiros, até porque, sem eles, ela não existe. Chegou a um ponto em que ou a FEI escuta os cavaleiros e toma as medidas para que as coisas se tornem mais claras ou algumas ações vão ter que ser tomadas pelos próprios cavaleiros", ameaçou André, que confirmou que Rodrigo entrará até o dia 03 de novembro com um recurso do Tribunal Arbitral do Esporte (TAS) para diminuir a pena do doping de Rufus. Questionado sobre os contratos que, no pedido de liminar, Pessoa alegou que teria prejuízo caso não competisse no Athina, André limitou-se a dizer que os "patrocínios dele são pessoais e não por evento e que ele não estaria perdendo dinheiro com isso", destacou.
O caso de Rodrigo não é o único no Athina. Segunda colocada na primeira fase da final da Global Champions Tour, disputada nesta quinta, a irlandesa Jessica Kurten também está suspensa por doping pela FEI, mas conta com uma decisão no CAS para competir. Ela, porém, não quis se estender no assunto.
"Não é o momento de falar sobre a situação entre cavaleiros e a FEI, pois estou focada na decisão aqui em São Paulo e isso só deve ser discutido a partir da semana que vem", afirmou a atleta, que, no entanto, deixou claro seu descontentamento. "Infelizmente, o nosso esporte está vivendo um turbilhão. É um momento muito perigoso, pois as pessoas não têm certeza sobre quais são as regras e como devem se portar", criticou.
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