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Vasco
Quinta, 4 de dezembro de 2008, 08h15  Atualizada às 08h15
Amigos citam dor de Edmundo em despedida
 
Hilton Mattos
 
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A idade pesou. Edmundo fez da habitual sinceridade o desabafo para a decisão mais difícil de sua vida. Aos 37 anos, poderia, assim como Romário, Túlio e Valdo, esticar a despedida. Mas as pernas já não o obedecem. O último ato será contra o Vitória, domingo, em São Januário. Palco ideal para a despedida e, ao mesmo tempo, cenário de um fim melancólico caso o time seja rebaixado. Aos que tentam demovê-lo da idéia ¿ e não são poucos - o atacante é seco. Diz apenas que não dá mais.

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A semana começou sem os requintes da dramaticidade que a queda antecipada à Série B causaria. O amigo e advogado Luiz Roberto Leven Siano conta que o humor de seu cliente varia de acordo com os resultados do campo. Portanto, a vitória de domingo sobre o Coritiba (2 a 0) fez Edmundo participar da pelada de Raí e Leonardo, segunda-feira, no Maracanã, e passar a tarde de terça na companhia de Djalminha.

"Ele está convicto que vai parar. Jogadores que atuaram em alto nível se cobram muito. E ele sabe que não é mais o Edmundo de dez anos atrás. Fez bastante pelo futebol. Vai parar consciente", conta Djalminha, citando a insatisfação do atacante com a situação do clube. "Isso o tem deixado muito triste. Toda hora ele lamenta o fato de o Vasco estar correndo risco de cair".

Ídolo da torcida, Edmundo descarta, apesar dos apelos, a prorrogação do contrato. Leven Siano, espécie também de psicólogo, vai tentar convencê-lo a disputar o Estadual de 2009 caso o time seja rebaixado. Seria uma sensação mais gostosa, acredita o advogado, se o jogador se despedir num momento diferente ao da tristeza que pode representar a queda para a Segundona.

"Não vai adiantar nada. Ele me diz: 'Cara, não dá para correr mais. Futebol hoje é velocidade. Os caras correm para caramba. Você pensa em correr, mas o corpo não vai, não obedece'", entrega o amigo-fã-ator-compadre Eri Johnson, com quem Edmundo conversa diariamente e a quem lamenta algumas das dificuldades que tem enfrentado nessa reta final de Brasileiro.

"Hoje, ele dribla um e o cara rapidinho já está de volta, marcando em cima novamente. Ele pensa: 'Já te driblei, sai daqui'. É difícil".

Atacante lê livros de auto-ajuda

Edmundo tem como característica a personalidade forte. Seja lidando com o futebol ou questões do dia-a-dia. Desde que foi lançado no time profissional do Vasco, no Brasileiro de 1992, jamais saiu das machetes. Como jogador, parte do temperamento explosivo está atribuído à vontade de vencer. Por essas e outras que, sem as pernas como aliadas, tomou coragem de dizer adeus.

"Ele gosta de ser o melhor. Sempre disse: 'Quando chegar à conclusão de que não posso ser o melhor, eu paro'. E foi isso que aconteceu", frisa Eri Johnson.

A única chance de o craque não pendurar as chuteiras será um convite do futebol internacional - mais precisamente, dos mercados emergentes e menos competitivos, como as ligas norte-americanas ou Emirados Árabes. Do contrário, Edmundo descarta até mesmo o Estadual, que termina em maio.

A decisão já tomada frustra Leven Siano, que promete esperar o momento certo para o apelo final. Apesar de polêmico e temperamental, Edmundo escuta, e muito, o advogado. Foi dando ouvidos a ele que o atacante passou a ler livros de auto-ajuda (As sete leis espirituais do sucesso, Inteligência emocional, Coragem de mudar e O maior milagre do mundo) e conheceu o Centro Kardecista Lar Paulo de Tarso.

Os dois se conheceram em 96. Antes de virar seu advogado, Leven Siano se aproximou do jogador, presenteando-o com O maior milagre do mundo.

"Vi nele uma pessoa boa, que precisava de amparo. Teve uma vida difícil. Seria chato ficar em cima oferecendo ajuda. Com os livros, ele aprenderia a caminhar com as próprias pernas".


 

JB Online