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Na linha de fogo entre a prefeitura do Rio e o Comitê Organizador dos Jogos Pan-americanos Rio 2007 (Co-Rio), o Ministério do Esporte tenta se manter afastado da briga que envolve a cobrança, na Justiça, dos R$ 8 milhões que a prefeitura alega ter desembolsado com despesas extras para a realização do evento e que argumenta ser de responsabilidade do comitê. Em entrevista concedida ontem, o ministro Orlando Silva disse não entender o motivo da disputa judicial, já que não houve reclamações de nenhuma das partes durante a realização do Pan.
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"Não sei dessas críticas, sei que tudo correu bem na época", esquiva-se o ministro. "Quem era o secretário de Esportes do governo do Estado à época era o Eduardo Paes, que elogiou muito, e foi eleito prefeito do Rio. Então estou com ele."
O próprio ministério sofre cobranças do Tribunal de Contas da União (TCU), que teria detectado "gastos excessivos" na organização dos Jogos Pan-americanos e Parapan-americanos do Rio de Janeiro de 2007. O tribunal questionou a pasta sobre a quantia gasta com diárias dos atletas hospedados na Vila-Pan - de R$ 1,13 mil - e outras despesas como o custo da implantação do sistema de credenciamento, orçado originalmente em R$ 55 mil, mas que acabou representando uma despesa de R$ 26,7 milhões aos cofres públicos. Segundo informação da assessoria de imprensa do ministério, a pasta já teria enviado relatório de mais de mil páginas ao tribunal detalhando os motivos para os gastos.
Disputa
A contenda entre a prefeitura do Rio e o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) acontece em momento crítico para a decisão da sede dos Jogos Olímpicos para 2016, em que o Rio concorre com Chicago, Tóquio e Madri. Por ordem do prefeito do Rio, Cesar Maia, a Controladoria-Geral do município deve incluir o Co-Rio na dívida ativa da prefeitura, que teria gasto cerca de R$ 1,4 bilhão para viabilizar a realização dos jogos. No total, as três esferas - União, estado e município - investiram R$ 3,7 bilhões na infra-estrutura necessária para o Pan-Americano, quantia 793% superior ao orçamento dos jogos apresentado em 2002, quando o Rio venceu a disputa para sediar a competição em 2007. Com a solução para o atrito ainda distante, o governo federal discute os investimentos para a realização da Copa de 2014. Um pacote de obras deve ser lançado em 2009, a tempo de viabilizar os jogos.
Timemania
Orlando Silva chamou de "decepcionante" a arrecadação obtida com a loteria Timemania, criada como tábua de salvação para times de futebol em situação de inadimplência com a Receita Federal. Segundo Silva, a expectativa de arrecadação para o primeiro ano da loteria era de R$ 520 milhões. Mas a Timemania só conseguiu gerar uma receita de R$ 130 milhões, nesse período.
"O realinhamento fiscal dos clubes aconteceu, nesse ponto a nova loteria foi um sucesso de fato", ressalva o ministro. - Mas o alto preço da loteria, diante de um prêmio relativamente baixo, manteve o torcedor longe da Timemania. A arrecadação ficou muito aquém do esperado pelo governo na elaboração do projeto.
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