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 Brigas estão de volta na Liga Nacional de Hóquei |
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Mitch Fritz, 28 anos, é um ala esquerda de Osoyoos, Colúmbia Britânica, com 2 metros de altura e 117 quilos. Ele tem uma barbicha e o punho de sua mão esquerda vive coberto de machucados. Ele não está com o New York Islanders porque faz pontos.
» Veja as fotos das brigas 
Em seu segundo jogo da NHL (Liga Nacional de Hóquei dos EUA), em 1° de novembro, Fritz começou uma briga com Georges Laraque do Montreal, um dos intimidadores mais temidos da liga. Segundo a opinião geral, Fritz agüentou firme. Ele esteve em três brigas desde então, mantendo seu lugar no time.
Ele não joga muito, mas Fritz considera sua presença um sinal de uma tendência da NHL. O número de brigas aumentou 15% ao longo da última temporada e 75% ao longo dos últimos três anos, o que significa que os jogadores brigões têm se tornado mais valiosos.
"Não vou atrás nem penso muito sobre isso, mas não me importo quando começa," disse Fritz, fora dos jogos um sujeito pacato que ganhou o prêmio de Homem do Ano da Liga Americana de Hóquei há três anos. "Isso pode significar mais trabalho para mim no futuro."
Brigas são aceitas como parte do hóquei há gerações. Com poucas exceções, cada time tem pelo menos um jogador bom de briga. Dois intimidadores se enfrentam, normalmente de maneira breve, para acalmar os ânimos de um jogo físico e disputado - ou para gerar emoção.
A NHL não inclui as brigas em suas estatísticas diárias, mas Web sites como hockey-fights.com fazem esse tipo de contagem que, nesta temporada, chegou a 351 brigas, em comparação a 308 no mesmo período da temporada passada.
As brigas, rotuladas desse modo quando pelo menos um dos jogadores envolvidos recebe uma penalização de cinco minutos, têm aumentado a cada ano desde a suspensão do campeonato de 2004-2005 devido a disputas trabalhistas. Em 23 de dezembro de 2005, haviam ocorrido apenas 201 brigas; em 23 de dezembro de 2006, foram contabilizadas 220 brigas.
"Parece que elas estão voltando", disse Jason Travers, fã do St. Louis Blues e criador do hockey-fights.com em 1995 que, sem constrangimento, lista brigas (freqüentemente acrescentando descrições golpe a golpe) e inclui vídeos das melhores brigas.
Em 23 de dezembro de 2003, na temporada anterior à suspensão do campeonato, o site havia listado 341 brigas. Isso foi antes da NHL instituir uma série de mudanças de regras com o intuito de acabar com as brigas no final do jogo e as puxadas violentas, permitindo que os principais jogadores da liga tivessem mais espaço para pontuar.
Colin Campbell, diretor operacional de hóquei da NHL, disse que faltas com o taco, como marcar indevidamente e atingir um jogador, diminuíram substancialmente. Mas ele reconhece que as brigas aumentaram e, como muitos outros no hóquei, tem algumas teorias para isso.
Primeiro, disse Campbell, brigas - e outras agressões em geral - estavam ocorrendo menos do que quando ele jogava na NHL nos anos 1970 e 1980. (Ele se recorda que cobria os cabelos com vaselina antes dos jogos para que os adversários não conseguissem puxá-los em uma disputa).
Naquele tempo, brigas com dois jogadores se tornavam violentas e quase ninguém dizia não a uma provocação. Muitos intimidadores mal sabiam patinar, muito menos pontuar. Os jogadores são muito mais versáteis hoje e ficaram mais unidos com a suspensão do campeonato.
"Depois da suspensão do campeonato," Campbell disse, "não sei se existia muita animosidade".
O que significa que hoje há mais animosidade do que há três anos.
Quando descobriu o que Campbell havia dito, Shawn Thornton, centroavante do Boston Bruins que participou de sua décima briga da temporada na terça-feira, sorriu e respondeu: "é uma teoria. Mas brigaria com minha irmã se fosse preciso. Sou amigo de alguns dos jogadores com que brigo. Se começar a pensar em quem está do outro lado, não vou jogar como sou capaz."
Mike Rupp, centroavante do New Jersey Devils que brigou com Thornton, disse: "após a suspensão do campeonato, flexibilizaram mais o jogo. Talvez agora o jogo seja mais rápido, e por isso as brigas são maiores. Com maior velocidade, o pessoal acaba atingindo os jogadores habilidosos do time adversário."
Assim, às vezes existe a necessidade de um acerto de contas e é então que as brigas tendem a acontecer. Thornton começou uma briga no segundo tempo com Rupp, que fez marcações fortes (mas legais) em Dennis Wideman e Vladimir Sobotka do Boston.
Campbell entende por que isso acontece - "isso é considerado uma válvula de escape", ele disse sobre as brigas em geral - mas não acha que seja necessário que um intimidador faça um acerto as contas quando marcações legais poderiam fazer o mesmo posteriormente no jogo.
"Agüente a pancada, anote a placa do veículo e espere para revidar depois," Campbell disse.
Estabelecer uma presença física funciona para alguns times, mesmo na NHL de hoje. Com a benção de Brian Burke, o então gerente geral do Anaheim Ducks, seu time acumulou 71 brigas em 2006/2007, de longe o maior número da liga, e acabou ganhando a Copa Stanley.
Burke foi para o Toronto, mas o Anaheim, que tem um recorde de 18-14-3, já se envolveu em 40 brigas nesta temporada, dividindo a liderança da liga com o Vancouver Canucks.
Alguns times não sentem necessidade de partir para a agressão, principalmente o Detroit Red Wings, que ganhou a Copa Stanley na temporada passada pela 11a vez, apesar de ter se envolvido em apenas 21 brigas. (O time só participou de sete brigas nesta temporada, índice mais baixo da liga.)
"Não acho que isso seja parte do nosso plano de jogo," Ty Conklin, em seu primeiro ano como goleiro do time, disse recentemente em uma coletiva de imprensa por telefone. "Sabe, existem times que pensam levar vantagem se conseguem intimidar o outro time, e nós não temos jogadores assim - não nos intimidamos."
Em geral, uma briga não leva a outra, embora Andre Deveaux do Toronto e Kris Barch do Dallas tenham participado de duas brigas em um jogo na terça-feira - a primeira no segundo tempo, a segunda no terceiro tempo - e sido expulsos.
"Muitas vezes, as brigas não significam nada," disse Donald Brashear, centroavante de 36 anos do Washington Capitals, considerado um dos jogadores mais durões da história do hóquei. "A gente briga por diversão, por orgulho. É só isso."
Com bastante freqüência, alguns socos são trocados antes dos brigões se agarrarem e caírem no gelo em uma pilha de suor. Mesmo com os socos, no entanto, eles provavelmente preferem golpear os capacetes dos outros jogadores.
"Prefiro ter cicatrizes nos punhos a no rosto," Thornton disse.
O punho da mão direita de Thornton - sua mão "de luta," como os fãs das brigas gostam de chamá-la - está coberto de machucados. Ele considera isso como ossos do ofício. Ele sabe o que o Bruins espera dele e é isso que fará.
Tradução: Amy Traduções
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