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Nenê
Sexta, 26 de dezembro de 2008, 10h28  Atualizada às 10h46
Em sua melhor temporada, Nenê acusa cansaço
 
Chris Dempsey, do Denver Post
 
AP
Mesmo cansado, Nenê tem melhores médias de sua carreira na NBA
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Nenê não parece estar se sentindo 100%. Ele diz que já há duas semanas vem batalhando contra um resfriado. "Depois do câncer as coisas mudaram, não sei", disse Nenê. "Eu raramente adoecia, sabe? Mas agora fico doente o tempo todo".

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E isso não é tudo. Nenê jogará sua 30ª partida na temporada 2008/9 da NBA esta noite, o que já representa o dobro do total que jogou na temporada passada. Embora ele tenha se mantido em boa forma até agora, existe o fator desgaste, e isso justifica que as pessoas acompanhem com atenção o desempenho do ala de força brasileiro de 2,08 metros à medida que a temporada se desenrola. Nenê reconhece a dificuldade da tarefa que tem de cumprir noite após noite, e diz que está fazendo todo o possível para se manter saudável e em forma.

Uma das coisas que ele tem feito é informar à equipe técnica quando precisa de um descanso. Nos últimos jogos, ele tem sinalizado ao banco com mais freqüência para que seja tirado da partida e possa descansar um pouco. Quando ele fica na quadra, seu nível de exaustão se torna evidente. Ao voltar do ataque para defesa, ele começa a passo de caminhada, depois acelera e só consegue correr depois de algum tempo.

O ala de força Nenê está, na prática, jogando na posição de pivô para o Denver Nuggets, mas seu talento e seu tamanho (113 quilos) permitem que sobreviva ao jogo de contato. Sua especialidade são as jogadas próximas à cesta, nas quais marca a maioria de seus pontos, e os corta-luzes.

Ainda assim, ao longo deste mês ele teve de enfrentar oponentes diretos como Tim Duncan, do San Antonio Spurs; Al Jefferson, do Minnesota Timberwolves; Yao Ming, do Houston Rockets; Shaquille O'Neal, do Phoenix Suns; Zydrunas Ilgauskas, do Cleveland Cavaliers; e a dupla de garrafão do Portland Trail Blazers, formada por Greg Oden e Joel Pryzbilla.

"Isso exige muito contato físico no garrafão", diz Nenê. "Não é fácil, Requer energia adicional. Temos muitos jogos, e não muito tempo para descansar, partidas em noites sucessivas e coisas assim".

Mas Nenê tem jogado excepcionalmente bem e está apresentando as melhores médias de sua carreira em termos de pontos (14,2), rebotes (7,6), bloqueios (1,5) e aproveitamento de arremessos (61,5%). Ele tem o melhor aproveitamento da NBA nos arremessos de quadra. Há quem venha discutindo a possibilidade de que ele seja selecionado para o jogo das estrelas, este ano. Isso significa grande avanço com relação à temporada passada, quando ele ficou de fora de 66 jogos devido a inúmeras razões, a mais séria das quais um câncer testicular.

Nenê diz que se preparou para melhorar sua resistência e seu nível de esforço com um regime de musculação e de treinamento em quadra na pausa entre as temporadas. Em lugar de mostrar ao Brasil para a maior parte de suas férias, ele só passou duas semanas em seu país.

"Trabalhei forte para poder participar do treinamento de pré-temporada com o time, depois da quimioterapia", disse Nenê. "E para ganhar mais confiança no garrafão, porque por muito tempo eu batalhava, batalhava e, quando a temporada começava, sofria uma lesão séria. Agora estou me saindo bem, os arremessos estão caindo. Isso é bom".

Nos últimos três jogos, ele se superou, com média de 18,7 pontos e um percentual de acertos espetacular, de 72,4% (21 dos 29 arremessos tentados). E diz que não está preocupado com sua capacidade de manter esse ritmo acelerado pelos 53 jogos restantes da temporada regular.

"Não penso muito a respeito. Só rezo e jogo", disse Nenê, sorrindo. "Não é fácil. O jogo é muito físico, muitos empurrões, colisões. Sabia que seria assim. Agora pretendo me manter quieto e simplesmente jogar basquete".

Tradução de Paulo Migliacci.
 

The New York Times