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 Mesmo cansado, Nenê tem melhores médias de sua carreira na NBA |
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Nenê não parece estar se sentindo 100%. Ele diz que já há duas semanas vem batalhando contra um resfriado. "Depois do câncer as coisas mudaram, não sei", disse Nenê. "Eu raramente adoecia, sabe? Mas agora fico doente o tempo todo".
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E isso não é tudo. Nenê jogará sua 30ª partida na temporada 2008/9 da NBA esta noite, o que já representa o dobro do total que jogou na temporada passada. Embora ele tenha se mantido em boa forma até agora, existe o fator desgaste, e isso justifica que as pessoas acompanhem com atenção o desempenho do ala de força brasileiro de 2,08 metros à medida que a temporada se desenrola. Nenê reconhece a dificuldade da tarefa que tem de cumprir noite após noite, e diz que está fazendo todo o possível para se manter saudável e em forma.
Uma das coisas que ele tem feito é informar à equipe técnica quando precisa de um descanso. Nos últimos jogos, ele tem sinalizado ao banco com mais freqüência para que seja tirado da partida e possa descansar um pouco. Quando ele fica na quadra, seu nível de exaustão se torna evidente. Ao voltar do ataque para defesa, ele começa a passo de caminhada, depois acelera e só consegue correr depois de algum tempo.
O ala de força Nenê está, na prática, jogando na posição de pivô para o Denver Nuggets, mas seu talento e seu tamanho (113 quilos) permitem que sobreviva ao jogo de contato. Sua especialidade são as jogadas próximas à cesta, nas quais marca a maioria de seus pontos, e os corta-luzes.
Ainda assim, ao longo deste mês ele teve de enfrentar oponentes diretos como Tim Duncan, do San Antonio Spurs; Al Jefferson, do Minnesota Timberwolves; Yao Ming, do Houston Rockets; Shaquille O'Neal, do Phoenix Suns; Zydrunas Ilgauskas, do Cleveland Cavaliers; e a dupla de garrafão do Portland Trail Blazers, formada por Greg Oden e Joel Pryzbilla.
"Isso exige muito contato físico no garrafão", diz Nenê. "Não é fácil, Requer energia adicional. Temos muitos jogos, e não muito tempo para descansar, partidas em noites sucessivas e coisas assim".
Mas Nenê tem jogado excepcionalmente bem e está apresentando as melhores médias de sua carreira em termos de pontos (14,2), rebotes (7,6), bloqueios (1,5) e aproveitamento de arremessos (61,5%). Ele tem o melhor aproveitamento da NBA nos arremessos de quadra. Há quem venha discutindo a possibilidade de que ele seja selecionado para o jogo das estrelas, este ano. Isso significa grande avanço com relação à temporada passada, quando ele ficou de fora de 66 jogos devido a inúmeras razões, a mais séria das quais um câncer testicular.
Nenê diz que se preparou para melhorar sua resistência e seu nível de esforço com um regime de musculação e de treinamento em quadra na pausa entre as temporadas. Em lugar de mostrar ao Brasil para a maior parte de suas férias, ele só passou duas semanas em seu país.
"Trabalhei forte para poder participar do treinamento de pré-temporada com o time, depois da quimioterapia", disse Nenê. "E para ganhar mais confiança no garrafão, porque por muito tempo eu batalhava, batalhava e, quando a temporada começava, sofria uma lesão séria. Agora estou me saindo bem, os arremessos estão caindo. Isso é bom".
Nos últimos três jogos, ele se superou, com média de 18,7 pontos e um percentual de acertos espetacular, de 72,4% (21 dos 29 arremessos tentados). E diz que não está preocupado com sua capacidade de manter esse ritmo acelerado pelos 53 jogos restantes da temporada regular.
"Não penso muito a respeito. Só rezo e jogo", disse Nenê, sorrindo. "Não é fácil. O jogo é muito físico, muitos empurrões, colisões. Sabia que seria assim. Agora pretendo me manter quieto e simplesmente jogar basquete".
Tradução de Paulo Migliacci.
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