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Domingo, 28 de dezembro de 2008, 14h31  Atualizada às 14h39
Agentes também sofrem com demissões de técnicos da NBA
 
Howard Beck
 
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Lonnie Cooper não perdeu nenhum jogo da NBA nesta temporada. Ele não brigou com nenhuma grande estrela, nem deixou de aperfeiçoar um novato. Ele não pediu marcação por zona quando deveria ter usado marcação homem-a-homem. Mesmo assim, em meados de dezembro, Cooper perdeu seis cargos de técnico na NBA, o que deve ser algum tipo de recorde.

Também podemos chamar isso de o preço do sucesso. Por duas décadas, Cooper tem sido o agente ilustre de técnicos da NBA. Sua lista de clientes é longa e decorada, com Lenny Wilkens, Chuck Daly e Doc Rivers.

Mas os técnicos de hoje têm a mesma estabilidade que a faixa de cabelo dos anos 1980, motivo pelo qual Cooper acabou de passar por um dos meses mais agonizantes de sua carreira.

Em 24 dias vertiginosos, que começaram no final de novembro e se estenderam até meados de dezembro, seis técnicos da NBA foram demitidos. Todos eram representados pela Career Sports and Entertainment, agência de Cooper com sede em Atlanta.

A anomalia estatística é, em grande parte, reflexo do alcance de Cooper - desde que abriu a agência, ele representou nove dos 30 técnicos da liga, uma porcentagem espantosa em um nicho de negócio com um número limitado de clientes.

Ao longo de 23 anos, Cooper viu dezenas de clientes serem demitidos, dispensados, substituídos, desligados ou, no linguajar estéril das notas de imprensa, "afastados do cargo." Mesmo assim, ele sofre sempre que acontece.

"Não importa se é um ou se são 12, para mim é pessoal, porque são amigos queridos, e fiquei com eles por muito tempo," Cooper disse na semana passada, em uma rara entrevista telefônica. "Se falar com eles, lhe dirão que estou lá não só para fazer seus contratos. Estou com eles para os altos e baixos."

Às vezes esses altos e baixos se sucedem rapidamente. Rivers foi técnico do Boston Celtics para o campeonato em junho. Nate McMillan, outro cliente de Cooper, está liderando um renascimento fantástico em Portland, onde o Trail Blazers tem 18 vitórias e 12 derrotas.

As alegrias por tabela contrabalançam as angústias por tabela.

As demissões começaram em 22 de novembro, quando P.J. Carlesimo foi dispensado do Oklahoma City Thunder. Dois dias depois, Eddie Jordan foi demitido do Washington Wizards. Sam Mitchell (do Toronto) foi o próximo a ir embora, seguido de Randy Wittman (do Minnesota) e Maurice Cheeks (do Philadelphia). O expurgo continuou em 15 de dezembro, quando o Sacramento Kings despediu Reggie Theus.

Cooper encontrou algum conforto quando o Kings nomeou Kenny Natt, outro cliente seu, como técnico interino. Mas, principalmente, ele se perguntou como qualquer um desses times poderia alegar que melhorou seus prospectos.

"Se você despede seis técnicos no começo da temporada, mas os substitui por técnicos interinos, qual mensagem você está passando?" perguntou Cooper. "A mudança foi feita porque o técnico interino é melhor? Ainda não entendi essa lógica."

Philadelphia, Washington e Minnesota substituíram seus técnicos por executivos ¿ nenhum dos quais deve voltar na próxima temporada. Natt, Scott Brooks (do Oklahoma City) e Jay Triano (do Toronto), todos ex-assistentes de técnicos, têm poucas chances de manter seus empregos. Nenhum dos seis times mostrou melhorias. A chuva de demissões estabeleceu um recorde oficial - o de maior número de técnicos da NBA demitidos antes do Natal - e lembrou Cooper do quanto a liga mudou.

"Os donos são diferentes; não são como Gordon Gund e Davidson no passado," Cooper disse, se referindo a Gund, antigo dono do Cleveland Cavaliers, e Bill Davidson, dono de longa data do Detroit Pistons.

Na última década, a NBA viu uma corrente de donos jovens e hiperativos, dos irmãos Maloof em Sacramento a Mark Cuban em Dallas, Robert Sarver em Phoenix, e Dan Gilbert em Cleveland. Eles se sentam na beira da quadra durante os jogos, torcem, gritam e se envolvem com os fãs e a mídia.

"Essa nova leva de donos são grandes fãs," Cooper disse. "Eles não são apenas homens de negócios, mas fãs da NBA. Eles colocam a mão na massa, se envolvem realmente e suas expectativas são muito grandes. Acho que começa aí. Existe muita pressão sobre os gerentes gerais e técnicos por parte dessa nova leva de donos."

Salários astronômicos de jogadores e o surgimento de agentes poderosos dos atletas também criaram algumas dessas pressões. Os técnicos têm muito menos poder do que há 20 anos, e competem com agentes para exercer influência sobre seus próprios jogadores, e até mesmo seus gerentes gerais.

"Hoje os gerentes gerais dizem que recebem mais ligações de agentes sobre minutos e jogadas do que jamais receberam," Cooper disse.

Atualmente, há muito mais em jogo para os técnicos. Em 1986, os técnicos ganhavam uma média de US$ 200 mil anuais e ninguém tinha agente. Então, Wilkens contratou Cooper e garantiu um contrato de US$ 600 mil anuais com os Cavaliers.

Hoje, o salário médio de um técnico fica em torno de US$ 3,5 milhões. Assistentes de técnicos geralmente ganham entre US$ 200 mil e US$ 400 mil, dependendo de sua experiência e posição na equipe. Os agentes não são universalmente utilizados, mas hoje dezenas de técnicos os empregam.

Pela primeira vez, Cooper também tem um rival de verdade no negócio - Warren LeGarie, um agente de São Francisco que representa sete técnicos atuantes, duas dúzias de assistentes e diversos executivos da liga. A carteira em expansão de técnicos de LeGarie inclui Mike D'Antoni dos Knicks, Rick Carlisle dos Mavericks, Mike Brown dos Cavaliers e Mike Dunleavy dos Clippers.

O restante dos técnicos da liga é representado por advogados ou agentes menos conhecidos. (Alguns técnicos costumavam usar agentes de atletas até que o sindicato dos jogadores pressionou para fazer valer uma regra sobre conflito de interesses desprezada durante anos.) Pelo menos dois times, Chicago e San Antonio, são conhecidos por sua hostilidade a agentes de técnicos, e desencorajam seus funcionários a utilizar seus serviços.

Apenas outro agente tem vários clientes entre os técnicos da NBA: Joe Glass, que representa Larry Brown do Charlotte e Mike Woodson do Atlanta. (Tyler Glass, neto de Joe, trabalha com Scott Skiles do Milwaukee.)

Assim, o campo é predominantemente dividido entre LeGarie e Cooper, que possuem uma rivalidade silenciosa. Eles dizem que nunca se conheceram e não têm interesse no negócio do outro. Eles adotam uma postura mutuamente indiferente, em contraste com o negócio implacável de agentes de jogadores, no qual acusações de caça ilegal de clientes ocorrem diariamente.

"Não sei se existe concorrência," LeGarie disse, se referindo a ele e Cooper. "Representamos tipos totalmente diferentes de clientes."

Cooper e LeGarie também são um estudo de contrastes. LeGarie, agente de jogadores de longa data que mudou seu foco para técnicos há cinco anos, é muito sociável e um intermediário de poder nato (ou "intermediador de felicidade," como LeGarie caprichosamente se refere a si mesmo). Ele começou a liga de verão da NBA em Las Vegas e é uma presença constante nas arenas dos jogos.

"Adoro os rapazes," LeGarie disse. "Eu realmente gosto de passar tempo com eles. Nos divertimos muito."

Cooper, apesar da longevidade e da rede de contatos extensa, é raramente visto nos eventos da NBA, sendo ainda mais raro ouvir notícias dele. Além disso, ele geralmente se recusa a dar entrevistas.

"Sou mesmo uma pessoa dos bastidores," Cooper disse. "Escolhi ser assim. Meus clientes são as estrelas e não estou tentando me colocar como a influência em uma situação."

Mas Cooper e LeGarie também têm muito em comum. Ambos possuem grande paixão pela NBA. Ambos dizem ser seletivos ao escolher clientes e não têm intenção de construir um monopólio. Eles também enfatizam a necessidade de cuidar dos técnicos, antes, durante e depois dos contratos serem assinados. Eles certamente entendem o sentimento de ver um de seus clientes ser demitido.

"É brutal," LeGarie disse. "É preciso ser forte o bastante para dizer a eles o que precisam ouvir, não o que eles querem ouvir."

Embora a empresa de Cooper tenha se transformado em uma agência diversificada de esportes e entretenimento, com 168 funcionários e clientes no mundo esportivo e midiático, Cooper ainda é ativo com seus clientes da NBA. "Esse é meu xodó," ele disse.

As demissões sucessivas não enfraqueceram seu entusiasmo e ele prevê que todos os seis técnicos serão contratados de novo.

"Nenhum deles foi demitido em uma situação controversa," Cooper disse. "Tenho muito orgulho deles, pelo fato de cada um ter saído de cabeça erguida e com dignidade."

Tradução: Amy Traduções
 

The New York Times