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 Clube Atlético Ubirajá recebe o patrocínio de uma universidade |
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O nome soa engraçado a quem o lê pela primeira vez. Trata-se de uma simpática abreviação de Clube Atlético Ubirajá. Patrocinado por uma universidade, a agremiação de Lajeado, interior gaúcho, com mais de 50 anos de idade, finalmente tem chances de buscar um lugar de destaque no basquete nacional. Cabe ao Bira a responsabilidade de manter a tradição do Estado sulista nas quadras do Brasil.
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"O Bira foi fundado por um grupo de amigos que tinham como objetivo ter um local para a recreação. A abreviação veio em 1997. Nós a fizemos nas categorias de base, após acertar uma parceria, e como esse projeto evoluiu até o adulto, acabamos mantendo", explica Clairton Wachholz, o Xis, 40 anos, coordenador técnico e ex-treinador da equipe de Lajeado.
Fundado em 25 de setembro de 1955, o Bira disputou o Estadual pela primeira vez apenas em 1967. O lugar entre os grandes do Rio Grande do Sul, contudo, demorou. Somente em 1995 chegou pela primeira vez a uma decisão, que acabou perdendo para o Corinthians, de Santa Cruz do Sul.
Xis está no Bira desde 1989 e enfrentou momentos de turbulência. O início de acordos com parcerias ajudou na reestruturação e o início da virada. "Foi a partir de um planejamento, de um trabalho sério, que crescemos. Formamos atletas nas categorias de base, colocamos jogadores na seleção gaúcha e até na Seleção Brasileira de categorias inferiores. Era hora de crescer também no adulto", afirmou.
O crescimento está diretamente atrelado à queda dos chamados "grandes" do basquete gaúcho. O próprio Corinthians, homônimo da tradicional agremiação paulista, era a única equipe do Estado a ostentar um título do Campeonato Nacional, conquistado, em 1994, contra Franca.
O clube de Santa Cruz do Sul ostenta 12 títulos estaduais, mesmo número do Cruzeiro - que ainda disputa o Gaúcho - e apenas dois a menos que o Internacional, maior vencedor local, mas hoje com dedicação única ao futebol. O Corinthians, entretanto, ostenta sete conquistas seguidas, de 1990 a 1996, um recorde na competição.
O basquete gaúcho viu ainda a hegemonia da Ulbra. A universidade de Torres acumulou quatro títulos seguidos, entre 2002 e 2005, mas em busca de maiores investimentos, optou por se transferir para São Paulo, onde apoiou São Bernardo, chegando à final do Campeonato Paulista em 2007, perdendo para Franca o título, e atualmente em Rio Claro.
A ascensão do Bira acontece justamente nesse período. Sem a rivalidade do Corinthians, a equipe de Lajeado viu o caminho ficar aberto para assumir a condição de segundo clube do Estado: são dois vice-campeonatos, em 2003 e 2004, ambos perdidos justamente para o Ulbra.
A partir de 2006, tudo mudou. Naquele ano, o Bira derrubou o favoritismo da Ulbra e levou seu primeiro título estadual. Em 2007, fechou a parceria com a Unidade Integrada Vale do Taquari de Ensino Superior e, aproveitando a mudança da rival de Canoas para São Paulo, engata mais dois títulos locais, chegou ao tricampeonato, sendo duas taças sobre Caxias do Sul, já abrindo uma pequena hegemonia como representante gaúcho nas competições nacionais nos últimos dois anos, após duas temporadas de ausências de equipes do Estado.
"Não diria que ficou mais fácil (com saídas de Corinthians e Ulbra), mas sim que houve dedicação e planejamento. Passamos muitas dificuldades e subimos muitos degraus para chegar até aqui", aponta Xis.
A recém-criada Liga Nacional de Basquete (LNB) e seu novo torneio, Novo Basquete Brasil (NBB) é a chance efetiva do Bira fixar seu nome nacionalmente. Na tabela recentemente divulgada pelos organizadores da competição, o clube estréia no próximo dia 28, no interior paulista, contra o São José dos Campos.
Mesmo com os três Estaduais na galeria, o Bira só participou até hoje de um Campeonato Nacional, na edição 2008, organizado pela Confederação Brasileira de Basquete (CBB). Em 22 partidas disputadas, somou nove vitórias e 13 derrotas, ficando com um aproveitamento de 40,9% e na nona colocação, fora dos playoffs finais.
A posição final fica abaixo do planejamento. No primeiro e segundo ano, a equipe buscava ficar entre os oito primeiros. No terceiro e quarto, o plano é ficar entre os quatro para só a partir daí brigar por títulos.
Na segunda participação em uma competição nacional, Xis, comandante do tricampeonato, deu lugar a Adriano Geraldes, ex-técnico da Hebraica de São Paulo e conhecido pelo trabalho nas categorias de base. São seis remanescentes da campanha no último Nacional e até aqui, três atletas foram contratados para reforçar a base: Raul, Cristiano e Rafael Sabbag. Há planos para a chegada de mais nomes até o início na NBB.
De certeza para a competição, que se iniciará agora e pela primeira vez será totalmente organizada pelos clubes, o Bira tem apenas o apoio que virá das arquibancadas. Lajeado é uma cidade pólo do Vale do Taquari e, segundo Xis, a população da região "abraçou o projeto".
"É uma torcida vibrante, que apóia, não hostiliza os jogadores e os incentivos quando atuam mal", concluiu.
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