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Nenê
Domingo, 18 de janeiro de 2009, 08h12  Atualizada às 09h02
Nenê supera câncer e faz a sua melhor temporada na NBA
 
Danielle Rocha
 
AP
Recuperado, Nenê tem melhor temporada de sua carreira na NBA
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É como uma muralha que os amigos passaram a ver Nenê. Não apenas pelos seus 2,10 m, mas principalmente pela grande força mental do homem que aos 25 anos descobriu, num exame de rotina, um câncer no testículo e viu sua vida virar um pesadelo.

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Um ano depois de ter se submetido a uma cirurgia para a retirada do tumor, o pivô do Denver Nuggets conseguiu o que parecia improvável: é titular da equipe, um dos jogadores mais eficiente em arremessos de quadra da liga americana de basquete, apresenta as melhores médias desde que chegou à NBA, em 2002 (14,9 pontos, 7,9 rebotes, 1,4 toco por jogo antes do jogo contra o Orlando Magic), calou os críticos que não toleravam suas constantes lesões, e ainda pode conseguir votos suficientes para jogar o All-Star Game, em 15 de fevereiro.

Um dia antes ele se casa com Lauren Prothe, que também tirou um tumor. Os dois têm na fé em Deus, e no exemplo do ciclista Lance Armstrong, a esperança de ter filhos. Lance, que teve o mesmo problema do brasileiro e com quem Nenê pretende desenvolver ações em sua Fundação, conseguiu engravidar a namorada. Seus outros três filhos foram fruto de inseminação artificial. "Quero ter apenas três agora", sorri Nenê, que sonha com gêmeos e em adotar uma terceira criança.

O Dia - Um ano depois de superar o momento mais delicado da sua vida, como é olhar para trás?
Nenê - No começo, foi um momento realmente de muita turbulência, de muita apreensão, mas depois acabei ficando mais tranqüilo por saber que tudo estava no caminho do Senhor. Deixei a minha vida nas mãos Dele. Passei por uma sessão de quimioterapia e agora apenas tenho de fazer um monitoramento a cada três ou quatro meses.

O Dia - Você esperava, após um problema tão sério, voltar a atuar como titular do seu time e com as melhores médias de sua carreira?
Nenê - A única expectativa que eu tinha, a única coisa que eu esperava, era a promessa que Deus tem na minha vida e eu sempre tive a convicção de que ia e vai se concretizar, com relação ao lado pessoal e projetos. E dou toda honra e glória ao Senhor.

O Dia - Pouco antes de disputar a seletiva olímpica, o nadador americano Eric Shanteau também descobriu que tinha câncer no testículo. Em nome do sonho, ele decidiu ir a Pequim e só fez a cirurgia na volta. Faria como ele se estivesse na mesma situação?
Nenê - Eu respeito a decisão do Eric e entendo que há situações e situações. Mas creio que a saúde vem sempre em primeiro lugar.

O Dia - A sua visão de vida mudou depois daquele susto? Entrar em quadra hoje passou a ter um valor diferente pra você?
Nenê - Não, porque tudo que passei na vida me deu a oportunidade de aprender lições em todas as áreas. Um ser humano sem o Senhor na sua vida não é ninguém. Se não fosse a misericórdia Dele eu não estaria aqui para contar essa história.

O Dia - Maurren Maggi, sua conterrânea, mandou-lhe algumas mensagens durante aquele período. Como foi receber o apoio naquele momento e como você viu a vitória dela em Pequim, depois de ter superado suspensão por doping e problemas familiares?
Nenê - Ela, como ¿vizinha¿ na nossa grande São Carlos, me deixa muito orgulhoso de tudo o que tem conquistado na carreira. Eu conheço a Maurren, acompanho a história dela. É uma vencedora, porque quando precisou de ajuda a maioria das pessoas lhe virou as costas. Mas, depois de tudo, conseguiu dar a volta por cima. Eu tenho muito respeito por ela.

O Dia - Voltar a atuar na Seleção está nos seus planos?
Nenê - Tenho planos de ajudar o basquete brasileiro a alcançar o máximo que puder e tenho consciência de que é hora de todos nós nos unirmos por um objetivo comum.

O Dia - Como avalia 2008 e o que deseja para este ano?
Nenê - O ano de 2008 foi de plantar e este agora é de colher todas as bênçãos que Deus tem para mim. Espero que 2009 seja de fartura espiritual, profissional e pessoal.
 

O Dia

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