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 Winter X Games tem por base o progresso e a inovação |
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É estranho pensar no Winter X Games em termos de tradição. O torneio, afinal, tem por base o progresso, a inovação e a invenção. Mas ainda assim ele está chegando ao 13° aniversário, esta semana, nas hoje famosas encostas da Buttermilk Mountain. Isso equivale a três ciclos olímpicos de snowboarding e esqui de vanguarda, e a Olimpíada de Inverno de Vancouver está a apenas 13 meses de distância.
Embora o torneio talvez ainda não possa ser qualificado como "instituição", certamente já é hora de estabelecermos uma ou duas tendências. Um exemplo: a tradição de transferências de eventos originados no X Games e nos esportes ao cenário internacional da Olimpíada de Inverno.
Pouca gente imaginava, no evento inicial do snowboarding, o Winter X Games de Big Bear, na Califórnia, em 1997, que o esporte não só se tornaria parte da Olimpíada, mas criaria astros internacionais como Shaun White e Gretchen Bleier.
Depois da inclusão do snowboarding, na Olimpíada de 1998, os Jogos passaram a receber outros eventos vindos dos esportes radicais - como as provas de snowboard cross, que chegaram à Olimpíada em Turim, em 2006. Em Vancouver, será a vez do esqui cross se tornar esporte olímpico.
"O Comitê Olímpico Internacional (COI) está em busca de esportes que tenham relevância. Deseja acrescentar modalidades que gerem imagens excitantes na televisão e atraiam o público jovem", disse Bill Marolt, presidente da U.S. Ski and Snowboard Association (USSA), a associação setorial dos praticantes de esqui e snowboard dos Estados Unidos.
Marolt também é assessor olímpico para esqui e snowboard. "Em qualquer desses esportes, tudo que a pessoa precisa fazer é ser criativa, descobrir formatos e criar coisas que interessem as pessoas".
Por diversos anos, a progressão lógica da transferência de eventos de snowboard e esqui dos X Games para a Olimpíada de Inverno vem apontando para uma competição de superpipe de esqui como acompanhamento para o evento da mesma categoria no snowboard, mas apesar de sua popularidade crescente a modalidade até agora não conseguiu inclusão.
Até o momento, o mais perto que ela chegou dos Jogos é uma tentativa de financiar um torneio de demonstração que aconteceria nos Jogos de Vancouver e poderia levar a uma possível inclusão do evento no calendário oficial da Olimpíada de Inverno de Sochi, em 2014.
Enquanto isso, restam os X Games. "Para nós, a essa altura, os X Games são definitivamente como uma Olimpíada. São o maior evento do ano e com certeza o evento mais importante", diz Jess Cummings, 25, integrante da equipe Copper Mountain, de Edwards, que está disputando seu quarto torneio de skipipe no Winter X Games.
"O esforço é para conseguir inclusão em 2014. Creio que estamos ganhando impulso, mas para levar a modalidade à Olimpíada ela precisa ser aceita por todas as Federações nacionais de esqui".
"É quanto a isso que não temos conseguido o apoio que seria necessário, e é para isso que mais apoio será preciso para que consigamos levar a modalidade a uma Olimpíada", diz a atleta.
Cummings e as outras sete mulheres que disputarão o superpipe no Winter X Games esta noite podem ter encontrado um novo aliado em Marolt, que parece estar disposto a lhes oferecer exatamente o tipo de apoio de que necessitam.
Em um esforço por elevar o número de medalhas dos Estados Unidos na Olimpíada de Inverno, Marolt passou a defender vigorosamente a inclusão de eventos dos esportes de "nova escola" pelos quais o Winter X Games é conhecido.
"Minha idéia pessoal é que, ao avaliar um esporte, é preciso considerar a questão da massa crítica", diz Marolt. "Quantos praticantes existem que estejam realmente envolvidos no esporte? Isso vai determinar o nível de talento presente, e também o potencial de marketing. Na minha opinião, os eventos de skipipe têm posição realmente elevada nessa lista".
"Todo complexo de esportes radicais tem um pipe, e há toneladas de moleques manobrando neles. Assim, a inclusão do esporte parece lógica", disse.
A USSA e a Federação Internacional de Esqui (FIS) também estabeleceram um circuito de Copa do Mundo para os eventos de superpipe, o que é um passo necessário para a inclusão na Olimpíada. A primeira Copa do Mundo da modalidade acontece na semana que vem em Deer Valley, no Utah.
Porque os prêmios são baixos e a mídia não acompanha os eventos com atenção, as Copas do Mundo não têm atraído os maiores destaques do esporte. Embora o Winter X Games tenha criado carreiras para atletas como Tanner Hall e Simon Dumont, desde a introdução dos pipes no esqui, em 2002, há pouco incentivo em participar de uma Copa enquanto a modalidade não ganha espaço olímpico.
Mas há quem se disponha a competir, na esperança de desfrutar dos benefícios mais tarde. "Eu disputo as Copas do Mundo, e o faço há anos", diz Sarah Burke, bicampeão de skipipe na Copa do Mundo.
"A disputa é acirrada entre as mulheres. Todo mundo vem dos X Games. No caso dos homens, menos, mas cinco dos meninos que participam de todas as copas do mundo se qualificaram para as finais masculinas dos X Games".
"Eu certamente faria tudo por uma medalha olímpica, e adoraria disputar uma Olimpíada", diz a canadense Burke, 26. "Mas foi aqui que começamos, e é isso que somos. Praticamos esportes de ação, e para nós os X Games são a coisa mais importante".
Tradução: Paulo Migliacci
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