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Esportes

 
 

Novo lateral do Fla foi descoberto por um cego

05 de agosto de 2004 10h33

A pequena quadra, modesta como o lugar, fica em frente à casa de China, que acertou nesta quarta-feira com o Flamengo. Foi lá em Bangu, ainda menino, que o novo lateral-direito rubro-negro aprendeu lições de bola.

Afinal, seu mestre era Seu Nildo. Para livrar as crianças da comunidade de Vila Aliança do vício, da criminalidade, ele fazia de tudo um pouco: era o técnico que dava instruções, cobrava com rigor, era o massagista e até comprava medalhas do próprio bolso para organizar torneios. Um detalhe: ele é cego.

"Um auxiliar dizia a ele o que cada garoto estava fazendo. Mas o técnico era Seu Nildo mesmo. Ele dava as instruções", conta China.

Comove a alegria de Seu Nildo com as crianças. Ele não as vê progredir, mas garante saber de tudo.

"O segredo é ouvir as próprias crianças. Elas comentam que um colega deu uma lambreta, driblou de um jeito, de outro. Criança não mente jamais", diz o técnico, que desperta enorme respeito nos alunos.

"Pelo som eu sei onde está cada aluno. Cumprimento, converso", diz.

Ele dirige o time de Vila Aliança em competições, como o Campeonato de Favelas da CBF. Agora, sabe que o trabalho deu um bom fruto. "Já dava para perceber que o China era bom de bola", garante.

China se prepara para o desafio. "Eu tinha o sonho de jogar no Flamengo. Sei que existe pressão, a torcida só quer resultado. Estou concentrado em tirar o Flamengo da situação em que está", diz ele.

Para continuar falando sobre suas características: "Sou um lateral de marcação forte, mas vou muito à linha de fundo. Acho que sou melhor no apoio", complementa.

Lancepress!