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Esportes

 
 

Brasil prepara terreno para próximos "bananas congeladas"

27 de fevereiro de 2009 13h27 atualizado às 23h32

Brasileiros do bobsled ganharam apelido nos Jogos de Salt Lake City. Foto: Getty Images

Brasileiros do bobsled ganharam apelido nos Jogos de Salt Lake City
Foto: Getty Images

Brasil é o país do bobsled. Nas ruas, em cada esquina, as crianças praticam bobsled o dia inteiro... Não, claro que não. Brasil é o País do futebol e, provavelmente, a maioria das pessoas sequer sabe o que é bobsled. E aqueles que sabem o que é Bobsled talvez tenham visto o esporte apenas no filme Jamaica Abaixo de Zero, baseado na história real de uma equipe de quatro jamaicanos que competem, pela primeira vez, em uma Olimpíada de Inverno.

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Mas a cada quatro anos pelo menos, a nação pentacampeã mundial com a bola nos pés aprende um pouco mais sobre os esportes de inverno. A cada quatro anos, é o Brasil que vai abaixo de zero. A próxima oportunidade será nos Jogos Olímpicos de Inverno de Vancouver, em 2010 - entre 12 e 28 de fevereiro.

Bobsled, apenas para registro, é o time de quatro atletas descendo uma pista em declive acentuado dentro de um carrinho com lâminas. "O Brasil apareceu na Olimpíada de Inverno de Salt Lake pela primeira vez, e capotou duas ou três vezes. Não se assustem se capotar, é assim mesmo, e o pessoal sai inteiro", diz Marcus Vinícius Freire, o superindentente executivo do Comitê Olímpico Brasileiro (COB). Marcus esteve, até ontem, no Seminário de Chefes de Missão em solo, em Vancouver, Canadá, para ver como anda a organização da próxima Olimpíada de Inverno.

Segundo o dirigente, o Brasil deve ter entre oito e 14 atletas nos Jogos de Vancouver 2010 - o processo classificatório vai até janeiro de 2010, às vésperas do evento. Será a sexta participação verde e amarela nas competições geladas. O País ganhou fama a partir da edição de Salt Lake City 2002, quando a equipe de bobsled ganhou o apelido de "bananas congeladas".

Confira a entrevista completa:

Terra - Os Jogos de Vancouver serão os mais quentes da história em termos de média de temperatura. Pode ser uma vantagem para os brasileiros?
Marcus Vinícius -
Os brasileiros que gostam de verão são os que estão na administração (risos). Técnicos e atletas ou moram fora (do Brasil) ou estão muito acostumados com esse tipo de temperatura. O Brasil tem a possibilidade de classificar entre oito, se formos pessimistas, e 14 atletas, se formos otimistas. Acho que a Isabel (Clark, snowboarder) é única que mora mesmo no Brasil, no Rio de Janeiro, treina na areia... Passa três quatro meses do ano no Chile e na Argentina para treinar. Mas os demais moram ou na Europa ou nos Estados Unidos e estão acostumados com esse tipo de temperatura. Falaram para nós a mesma coisa (sobre o fato de ser a Olimpíada com maior média temperatura), mas em Whistler pegamos 14° negativos. Estava muito frio. Também teve sol, mas mesmo assim faz um frio horrível.

Terra - Os organizadores enfrentam problema para concluir as obras da Vila Olímpica por causa da crise econômica no mundo. Eles passaram algum tipo de informação para vocês?
Marcus Vinícius -
Nós visitamos também as Vilas de Vancouver e Whistler. As duas têm boas instalações e estão muito bem preparadas. É fruto de uma parceria público-privada. Aqui em Vancouver os prédios ficam à beira-mar, estão muito bem posicionados. Quando estávamos em reunião saiu a informação de que o congresso aprovou umas 700 milhões de dólares (canadenses) para a conclusão. Acho que eles conseguiram se arrumar e foi essa a posição que o comitê (organizador) apresentou para nós aqui.

Terra - O público brasileiro não está tão acostumado com os Jogos de inverto em comparação com o de verão. O que tem de curioso sobre a participação brasileira nesse tipo de competição?
Marcus Vinícius -
Começou primeiro com a Jamaica. Depois, o Brasil passou a ser conhecido como o país de verão que participa dos Jogos de inverno no bobsled. É o time de quatro atletas descendo (a pista) naquela espécie de banana, um carrinho com laminas. O Brasil apareceu em Salt Lake pela primeira vez, capotou duas ou três vezes. Não se assustem se capotar, pois acontece mas o pessoal sai inteiro. Nós tivemos também nos últimos dois jogos a curiosidade de atletas que estiveram nos Jogos, de verão e inverno. Foi o caso do Claudinei Quirino, do atletismo, que fez parte do bobsled em Torino, e da Jaqueline Mourão, que faz parte da equipe brasileira de ciclismo. Ela casou com um europeu que a levou para o esqui nórdico, que é aquele de cross-country, caminhada. Possivelmente pode ir para sua segunda Olimpíada de Inverno, tendo já participado de duas de verão. É diferente para o mundo inteiro essa situação.

Terra - O que especificamente vocês fizeram aqui?
Marcus Vinícius -
É um misto de reuniões específicas de alguns assuntos, como segurança, transporte, locais de competição, esportes, comunicação, o que vai alugar, quais hotéis vai ficar - família olímpica, representantes do comitê, convidados e patrocinadores -, como vamos trabalhar com a imprensa, onde serão as entrevistas... Depois temos estandes específicos, então vamos conversar com pessoas de credenciamento, por exemplo. Posso ter um problema sobre a vinda do chefe de Estado, se o presidente Lula vier, por exemplo. Automaticamente o embaixador é credenciado também, e assim por diante. Estivemos também nas cidades vizinhas a Vancouver, que vão receber atletas para a aclimatação. Conversamos com essas possíveis regiões onde o Brasil poderá treinar. Depois teve uma parte fora do hotel, que são as visitas. Aqui em Vancouver, em Cypress e em Whistler, onde pegamos muita neve. Esse encontro é realizado exatamente no mesmo período (um ano antes) que serão os Jogos, exatamente para você saber como serão transito, clima, temperatura, movimento, neve... É um misto de uma parte teórica com a prática do local.

Terra - A estrutura agradou?
Marcus Vinícius -
Acho que Vancouver era uma cidade que já estava pronta para os Jogos em termos de infra-estrutura. Pela primeira vez vamos ter uma cerimônia de abertura em local fechado. Normalmente é sempre uma preocupação nossa, já que é uma cerimônia que demora muito. Os atletas saem muito cedo da Vila e ficam fora até muito tarde na rua, ou seja, passando frio. Mas neste caso estamos com a preocupação contrária. Vamos ter que arrumar um uniforme que sirva para as duas situações, já que eles saem na rua a 6°C aproximadamente, se concentram no ginásio a 18° C e depois vão para o estádio da festa com a mesma temperatura. Então se usarmos aquele casacão, lá dentro vai ter que tirar. Estamos conversando com nosso fornecedor para fazer um meio termo. O estádio será coberto pela primeira vez na história dos Jogos Olímpicos de Inverno. É uma cobertura inflável. A capacidade será de 70 mil pessoas, muito bonito. Fiquei impressionado.

Redação Terra