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Beisebol
Terça, 3 de março de 2009, 15h04  Atualizada às 16h40
Vida de astro vira "reality-show" nos EUA
 
Jack Curry
 
AP
Câmeras se voltam para Rodriguez até em momentos familiares
Câmeras se voltam para Rodriguez até em momentos familiares
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Quando Alex Rodriguez apareceu pela primeira vez no uniforme branco, vermelho e azul da República Dominicana, segunda-feira, naturalmente atraiu a atenção dos fotógrafos. Caminhando pela campo, ele foi seguido por dezenas de repórteres, câmeras e fotógrafos. Mas a sessão fotográfica tomou rumo inesperado.

Rodriguez saiu do campo e caminhou por uma calçada até um utilitário esportivo Mercedes que estava parado lá. Olhou pela janela, e em seguida uma porta se abriu e ele apanhou Natasha, sua filha de quatro anos, e a beijou. Cynthia, a ex-mulher de Rodriguez, segurava no colo o bebê Ella, de dez meses de idade.

O que poderia ter sido um momento discreto em uma sala fechada se transformou em mais um episódio do reality-show de A-Rod. Enquanto ele abraçava a menina mais velha, as câmeras disparavam a poucos metros de distância. Natasha parecia se sentir desconfortável, e Rodriguez ignorava as atenções da mídia, ainda que ele tivesse ajudado a criar a situação que as despertou.

"Aconteceu por acaso", disse Rodriguez, acrescentando depois, sobre as filhas, que "eu gostaria que elas estivessem por perto todos os dias". Antes que a seleção dominicana fizesse seu primeiro treinamento de arremesso, Rodriguez já havia cimentado sua posição como jogador a que todos estão atentos. David Ortiz poderia ter passado correndo e fazendo malabarismos com serras elétricas ligadas, e o foco provavelmente ficaria em Rodriguez. E é isso que pode acontecer durante todo o World Baseball Classic. Afinal, um reality-show sempre precisa de imagens.

Rodriguez era o único jogador recebendo visitas tão públicas das filhas, e o único que tinha pelo menos um encarregado de resolver crises caminhando pelo gramado do Roger Dean Stadium; também era o único que tinha de responder perguntas sobre sua reunião com os dirigentes do beisebol no domingo. Os dirigentes o questionaram sobre seu relacionamento com Yuri Sucart, o primo que, segundo Rodriguez, conseguia esteróides para ele na República Dominicana.

"É realmente bom deixar o passado para trás, outro dos grandes passos", disse Rodriguez, que se recusou a discutir detalhes específicos sobre as reuniões.

Os dominicanos não receberam Rodriguez com abraços, mas foram cordiais com ele, à sua maneira. O esfuziante Ortiz seguiu Rodriguez durante o treino, como um irmão mais velho que o estivesse observando. Pedro Martinez, que está tentando provar às equipes da Major League Baseball que ainda pode ser efetivo, criticou os repórteres por escreverem artigos "negativos".

Felipe Alou, o técnico, se recusou a discutir a situação de Rodriguez. Afirmou que não faria perguntas ao jogador sobre sua tumultuada pós-temporada.

"Os dominicanos estão felizes porque ele está com nossa equipe", disse Alou.

Mesmo antes da admissão de Rodriguez quanto ao uso de esteróides, no mês passado, ele vinha enfrentando dificuldades para se retratar como apenas mais um jogador. Ele tem talento demais, toma decisões descuidadas demais e atrai atenção demais. Agora que Rodriguez é o mais famoso jogador em atividade a admitir o uso de esteróides, essa posição ganha ainda mais destaque - mesmo em uma equipe internacional repleta de jogadores soberbos.

Quando perguntado se ele um dia poderia ser apenas um jogador comum, Rodriguez respondeu, sem muito entusiasmo, que "espero que sim". Martinez, que jogou pelo New York Mets, gostaria de encontrar vaga em uma grande equipe nesta temporada, mas ninguém ofereceu contrato a ele.

Depois de criticar os repórteres, ele declarou que os times "se arrependeriam por não terem arriscado" com ele. Martinez parecia mais disposto a passar a temporada pescando do que a aceitar um contrato no qual o salário estivesse vinculado a cláusulas de desempenho, como o que Tom Glavine assinou com o Atlanta Braves.

"Não permitirei que ninguém desrespeite meu talento ou meu modo de ser", disse Martinez. "Não estou recusando definitivamente. Mas não estou tão desesperado por jogar".

Rodriguez, de sua parte, deseja muito jogar, porque o campo é o único lugar onde não é atormentado por perguntas sobre esteróides. Os jogadores da seleção dominicana estão orgulhosos, e parecem sinceros quando falam sobre a importância de vencer o campeonato World Baseball Classic. Rodriguez fala com muito entusiasmo sobre a energia da equipe.

Mas a preparação dominicana para o torneio foi prejudicada pela conexão entre Rodriguez e Angel Presinal, o preparador físico da equipe no torneio de 2006. Presinal, que foi mencionado com destaque no relatório Mitchell sobre o uso de esteróides, em 2007, devido a um incidente envolvendo esteróides em 2001, está proibido de trabalhar no torneio e de visitar as sedes dos clubes da MLB.

Rodriguez, Martinez e Ortiz estão entre os muitos jogadores dominicanos que treinaram com Presinal. Rodriguez disse "lamentar" sobre o envolvimento da equipe na discussão sobre esteróides. Com ou sem ela, o jogador, que defendeu os Estados Unidos no torneio três anos atrás, declarou que era importante que os dominicanos vencessem. Edinson Volquez começará arremessando na partida de abertura da equipe, contra a Holanda, domingo.

Tradução de Paulo Migliacci.
 

The New York Times