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Beisebol
Quinta, 5 de março de 2009, 17h38 
Novo estádio dos Mets fará torcida esquecer Shea
 
Ken Belson
Richard Sandomir
 
The New York Times
Tradicional New York Mets inaugura seu novo estádio
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Para os torcedores que odiavam o Shea Stadium, não há motivo para temor: o Citi Field não se parece em nada com seu predecessor, cujos últimos pedaços jazem arruinados a algumas centenas de metros de distância.

O novo campo do New York Mets, que será inaugurado em 29 de março com um jogo entre as universidades de Georgetown e St. John's, é bem mais íntimo do que o Shea, e corrige alguns dos piores problemas do velho estádio.

O Citi Field abrigará cerca de 42 mil torcedores, 15 mil a menos que o Shea. O estádio é coberto, e muitos de seus assentos estão posicionados em torno do diamante que forma um campo de beisebol, o que o torna mais aconchegante do que o Shea, retangular, aberto e mais adaptado a jogos de futebol americano.

Em uma longa visita ao Citi Field, na terça-feira, Jeff Wilpon, o vice-presidente de operações dos Mets, falou com os jornalistas no Acela Club, um restaurante com 550 lugares, garçons, um bar e armazenagem de vinhos especiais para os clientes frequentes.

"Há muita luz e ar, e quando a pessoa percebe está contemplando o campo", diz Wilpon. "Nós queremos fazer com que elas sintam estar em suas salas".

Os assentos em todo o estádio estão posicionados para permitir melhor visibilidade da área de arremesso e rebatida, o que reduz o contorcionismo a que os torcedores precisam submeter seus pescoços a fim de acompanhar uma jogada.

De seus assentos, poucos dos torcedores verão os desmanches de automóveis em Willets Point, o trânsito intenso da Van Wyck Expressway, o pátio de manobras do metrô ao sul do estádio ou o outdoor da U-Haul. Eles ainda poderão contemplar em detalhes os aviões em sua aproximação final para pouso no aeroporto La Guardia. Algumas coisas não mudam.

O Citi Field conta com muitos recantos e cubículos, bem diferente da fatigada simetria do Shea. A arquibancada de gala posicionada no setor direito, por exemplo, foi inspirada pelo velho Tiger Stadium, que Wilpon visitou com seus avós quando menino.

Os fãs em posições centrais verão bem os dois bancos de reservas, e o banco do time visitante é posicionado de maneira a proteger os ocupantes contra a saliva de eventuais torcedores arruaceiros.

Mas a muralha de quase cinco metros que cerca boa parte do perímetro significa que uma jogada como aquela em que Endy Chavez evitou um home run será impossível.

Ir ao banheiro ou sair para comprar comida será bem mais fácil. Os corredores são muito mais largos, há mais banheiros e os apreciadores da cerveja não precisarão caminhar muito para encontrar suas marcas prediletas. Os knishes de Gabila voltarão, graças a fornos de convecção. (Os velhos knishes eram fritos, o que ajuda a explicar a azia que causavam.)

A probabilidade de problemas de encanamento também foi reduzida. Os Mets instalaram urinais que não utilizam água, em um toque ecológico simpático.

A caminhada do metrô até o portão de entrada do Citi Field durará mais ou menos o mesmo tempo que o trajeto até o portão E do Shea, mas um corredor de árvores, plantas e outros recursos de paisagismo conduzirá os torcedores ao exterior de tijolos do novo estádio e a uma rotatória e praça que homenageia Jackie Robinson.

Os tijolos usados na construção portam inscrições de torcedores que pagaram entre US$ 195 e US$ 345 pelo privilégio. Diversos pedidos foram rejeitados por serem vistos como insultuosos para com o outro time de beisebol profissional de Nova York.

O exterior do Citi Field é uma resposta arquitetônica esplêndida ao tédio do Shea, mas sua porção interna é discreta. Os assentos de plástico coloridos do Shea foram abandonados em troca de assentos verde escuro em todo o estádio.

"O verde escuro é a cor de um estádio clássico de beisebol", disse Dave Howard, vice-presidente executivo de operações de negócios do Mets. "E nós imaginamos que o outro time da cidade optaria pelo azul".

O Citi Field, com 28 categorias diferentes de acomodação, também parece mais fragmentado que o Shea. No novo estádio, os camarotes, salas de festas, restaurantes e assentos exclusivos se distribuem por blocos menores e mais isolados, e podem significar tanto exclusividade quanto exclusão, a depender do ponto de vista do observador.

Tudo tem novos nomes, além disso. Há o Ebbets Club, o Delta Sky360 Club e o Caesars Club. E o jogo dos nomes ainda não acabou. "Em uma economia como essa, não se pode recusar patrocinadores", disse Wilpon. "Quem estiver disposto a pagar...".

Embora o trabalho de construção mais pesado esteja concluído, restam detalhes. As cozinhas já estão equipadas com refrigeradores e até mesmo com as cestas de arame para fritar batatas, mas boa parte do equipamento está desconectada, fora de posição e coberta por camadas de poeira.

Wilpon disse que os Mets ainda não haviam decidido quem faria o arremesso de abertura na primeira partida da temporada, em 13 de abril, mas que seria ótimo que o presidente Barack Obama aceitasse o convite para o arremesso inicial dois dias depois, no Dia de Jackie Robinson.
 

The New York Times