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Sexta, 6 de março de 2009, 15h13 
Lesão de Rodriguez provoca críticas aos Yankees
 
Jack Curry
 
Getty Images
Demora no diagnóstico pode prejudicar recuperação de Rodriguez
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Dez meses. Foi há 10 meses que o New York Yankees descobriu que Alex Rodriguez tinha uma irregularidade em seu quadril direito. Porque Rodriguez pôde continuar jogando e jamais se queixou de qualquer dor, o Yankees estava confiante em que a lesão não fosse séria. Mas ela se tornou séria.

Agora que o Yankees descobriu que Rodriguez está sofrendo de uma laceração do ligamento cotilóide em seu quadril, é razoável indagar por que o time não monitorou a situação de Rodriguez de maneira mais agressiva. Quando o jogador passou por um exame de ressonância magnética em seu quadríceps direito, em maio do ano passado, o diretor geral do time, Brian Cashman, disse que os resultados demonstravam uma irregularidade incidental em seu quadril.

Mas depois da descoberta, os Yankees não cumpriram sua responsabilidade de reexaminar o quadril de Rodriguez. O jogador mais bem pago do beisebol não passou por novo exame de ressonância magnética em seu quadril durante ou depois da temporada. Cashman disse que a irregularidade revelada na primeira ressonância magnética era razão insuficiente para executar novos testes.

"Só porque essa irregularidade existe, não quer dizer que seja um problema", disse Cashman. "O fato de que um jogador a tenha não significa que ele precise de cirurgia. É por isso que o problema é incluído na ficha. O importante é tratar o paciente e não o sintoma. Ninguém faz tratamento de um exame de ressonância magnética. O paciente é que é tratado".

Ainda assim, considerando o alto valor de Rodriguez e a atenção com que o Yankees tipicamente cuida de seus jogadores, a equipe poderia ter ordenado uma ressonância magnética em outubro passado para determinar se a irregularidade se havia transformado em algo de mais significativo. O Yankees tem um investimento de US$ 275 milhões (cerca de R$ 650 milhões)em Rodríguez. Uma ressonância magnética custa alguns milhares de dólares. Cashman disse que ela desnecessária porque Rodriguez não tinha uma lesão documentada, e embora muitas vezes apresente problemas de rigidez nas pernas mas nunca se queixou de qualquer dor.

Assim que Rodriguez passou por uma nova ressonância magnética, no sábado passado, Cashman disse que a equipe médica do Yankees descobriu um cisto e "algumas mudanças na região do quadril". O time enviou Rodriguez ao Colorado para uma consulta com o Dr. Marc Philippon, um dos mais conhecidos cirurgiões de quadris do país, e ele descobriu a ruptura. Cashman defendeu a maneira pela qual o Yankees tratou da situação de Rodriguez.

"Nós acompanhamos o problema", disse Cashman. "E agora estamos em uma situação na qual ele se queixou de alguma coisa e, de repente, uma mudança tinha surgido".

Cashman disse que Rodriguez tentará uma abordagem conservadora para o tratamento do problema, com repouso e exercícios de reabilitação do quadril. A abordagem agressiva seria que o jogador passasse por uma cirurgia imediata. Cashman disse que uma cirurgia provavelmente tiraria Rodriguez da terceira base e de sua posição de rebatedor principal por quatro meses.

Ainda que o técnico Joe Girardi tenha declarado que "equipes campeãs precisam superar obstáculos", perder Rodriguez pode ser prejudicial para o Yankees. O apanhador Jorge Posada, que passou por cirurgia no ombro em julho passado, afirmou que o Yankees precisa desesperadamente de um Rodriguez em plena forma.

"Nós temos um bom elenco, mas ter um jogador como ele... É ele que une todos os aspectos", disse Posada.

Já que Rodriguez vinha jogando bem apesar da lesão, o Yankees está esperançoso de que seja possível cuidar para que ele jogue nos momentos necessários durante a temporada. Cashman disse que Rodriguez precisaria de cirurgia em algum momento, quer durante a temporada, quer depois dela. Rodriguez teve seu cisto drenado na quinta-feira. Caso o cisto seja a causa da dor de Rodriguez, o Yankees sente que ele será capaz de passar bem pela temporada desde que a ruptura não se agrave.

"Acreditamos e esperamos que a resposta a isso seja sim", disse Cashman, que não revelou o nível da ruptura.

Kevin Long, técnico dos rebatedores do Yankees, disse que Rodriguez se queixou de que seu quadril estava dolorido, em junho ou julho do ano passado. Se Long sabia disso, os preparados físicos da equipe deviam estar informados, e a informação presumivelmente constaria da ficha de Rodriguez.

A admissão de dor por Rodriguez teria sido novo motivo para examiná-lo, ainda que apenas por precaução.

Apesar dos 10 meses que separam os exames de ressonância magnética, Rodriguez recebeu um programa de treinamento para quadril, a ser executado nas férias, e foi informado sobre a irregularidade.

Tanto Cashman quanto Girardi observaram Rodriguez enquanto ele corria, arremessava e rebatia sem dificuldades nas últimas semanas, e por isso se dizem chocados pela extensão da lesão. Mas porque o Yankees sabia da irregularidade há 10 meses, surpreende um pouco que estejam chocados.

Em uma pré-temporada na qual Rodriguez dominou as atenções da imprensa por sua admissão de que usou esteróides, a lesão agora se tornará a mais visível da história do Yankees. Aquilo que começou como uma irregularidade em um exame 10 meses atrás agora se tornará importante preocupação para Rodriguez e o Yankees.
 

The New York Times