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Beisebol
Segunda, 30 de março de 2009, 13h27 
Sem jogar, New York Mets inaugura estádio
 
Joshua Robinson
 
The New York Times
Estádio ainda está em finalização de diversos aspectos
Estádio ainda está em finalização
de diversos aspectos
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Na primeira e única vez que o New York Mets inaugurou um novo estádio, em 17 de abril de 1964, ainda havia operários terminando o serviço de pintura. E enquanto o Mets e o Pittsburgh Pirates se aqueciam no gramado para o jogo daquela tarde no Shea Stadium, ainda havia trabalhadores nivelando as partes de terra do campo.

Assim, passados 45 anos, na hora de inaugurar o Citi Field, os Mets decidiram que um ensaio completo não faria mal. O estádio será adotado formalmente pela equipe em um amistoso contra o Boston Red Sox na sexta-feira, antes do jogo oficial de abertura do campeonato, contra o San Diego Padres, em 13 de abril.

Mas a primeira partida de beisebol disputada no Citi Field aconteceu no domingo, opondo as universidades St. Johns e Georgetown. O público era formado por 22.397 torcedores que compareceram para uma primeira avaliação da nova casa dos Mets. O que encontraram, em meio ao nevoeiro da tarde nublada, foi um estádio aconchegante mas ainda em finalização de diversos aspectos.

Antes do jogo, era possível ouvir o ruído de serras elétricas em diversos pontos do estádio, e operários usando capacetes circulavam pelos corredores. As barracas de comida estavam abertas, mas com cardápios limitados; diversos dos painéis publicitários estavam desocupados; e as marcas de distância ainda não haviam sido pintadas nas cercas que delimitam o campo. Jeff Wilpon, o vice-presidente de operações dos Mets, estava fazendo uma inspeção completa de todas as instalações, em meio ao burburinho.

"Tudo está funcionando bem", disse Dave Howard, vice-presidente de operações de negócios dos Mets. "Diria que os pequenos defeitos encontrados aqui e ali são todos relativamente simples".

Os Mets venderam 30 mil ingressos, a US$ 5 cada, e distribuíram outros 12 mil, mas o clima feio manteve muitos torcedores em casa. Aqueles que compareceram começaram a desembarcar da linha sete do metrô às 10h, acompanhando placas que os conduziam da estação ao "Mets Baseball", e não mais ao "Shea Stadium". Eles pararam nos portões, fotografando o exterior inspirado no Ebbets Field, e logo começaram a passar pela praça frontal que homenageia Jackie Robinson.

Para Joseph Schmidt, 72 anos, que também assistiu à inauguração do Shea, em 1964, as lembranças de encher os bolsos de sanduíches e entrar como penetra no Ebbets Field, quando era menino, continuam vívidas.

"É maravilhoso que eles estejam honrando o passado dessa forma", ele disse, inclinando o pescoço para ler os dizeres perto do topo da praça comemorativa.

Embora trace suas origens ao Brooklyn Dodgers e ao Ebbets Field, os Mets não ignoraram os anos passados no Shea Stadium, do lado oposto da área de estacionamento do novo estádio. A silhueta de Manhattan que ficava por sobre o placar agora está posicionada sobre duas barracas de alimentos na posição central de acesso ao campo. A maçã gigante que saía de dentro de uma cartola sempre que um homem run era anotado também está presente, e existe uma nova maçã instalada em um buraco para lá da cerca da área central do campo.

Mas ela não apareceu no domingo quando Sean Lamont, de Georgetown, conseguiu o primeiro home run do Citi Field com uma rebatida em parábola na direção da arquibancada esquerda.

"Enquanto eu corria pelas bases, comecei a rir", disse Lamont depois do jogo. "Foi genial".

Ainda que a bola tenha percorrido mais de 100 metros e passado por sobre a cerca, o consenso aqui era o de que o Citi Field provavelmente ganharia fama como estádio favorável aos arremessadores. Nos poucos momentos de que precisou para fazer o primeiro arremesso cerimonial da partida, John Franco, antigo rebatedor do Mets, já percebeu que o novo estádio era grande. Da home base, o campo esquerdo se estende por 115 metros, e o direito por 116 metros.

"As dimensões são todas semelhantes às do Shea Stadium, mas dado o fato de que as muralhas são um pouco mais altas no campo esquerdo, algumas das bolas que poderiam ser home runs não o serão", disse Franco.

A cena para além do campo era de movimento permanente, enquanto os torcedores se espalhavam pelos corredores largos que se tornaram obrigatórios nos novos estádios de beisebol. A partida universitária não interessava a maioria deles, que apareceram usando as cores dos Mets e armados de câmeras. Quase todos passaram uma tarde nublada mas feliz explorando as barracas de comida, os melhores locais para assistir ao jogo e tudo mais que o Citi Field tem a oferecer.

"Você viu os banheiros aqui?", perguntou Jeff Gold, de Bellmore, que tem ingressos para toda a temporada. "São limpos, e são imensos. O estádio é de primeira classe".

A classificação "primeira classe" raramente foi usada para definir o Shea Stadium. E para Kevin Murphy, detetive em uma delegacia de polícia em Queens, isso facilitava deixar para trás o velho estádio azul.

"É um novo começo", ele declarou. "Muita coisa muito ruim aconteceu por lá".
 

The New York Times