| The New York Times |
 Equipes de beisebol invstirão em estádios nos Estados Unidos |
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Há um motivo para que os torcedores de beisebol os designem como "assentos baratos" - aqueles lugares que ficam bem distantes da home base, nos limites superiores das arquibancadas e nos extremos do campo, muitos dos quais oferecendo vistas obscurecidas do jogo.
Os dois times de beisebol de Nova York, os Mets e os Yankees, investiram mais de US$ 2 bilhões em novos estádios, em parte com o objetivo de aproximar os torcedores da ação. Mas esse acesso tem seu custo. Para obter a melhor visão, os torcedores precisam pagar preços muito salgados e sentar nas arquibancadas mais baixas e centrais.
Os torcedores menos endinheirados, porém, terão de aceitar acomodações muito mais distantes, algumas das quais oferecem visões obstruídas do campo.
Os torcedores do Mets aprenderam essa lição do modo mais difícil no domingo, quando as universidades St. Johns e de Georgetown disputaram a primeira partida no novo Citi Field. Steve Gottesman, que comprou um pacote de ingressos para 15 partidas, estava procurando seus quatro lugares ¿seção 533, fileira 15, perto do limite esquerdo da arquibancada mais alta. Para seu "choque e horror", descobriu que não consegue ver o local de aquecimento e cerca de seis metros da porção externa do campo.
"Em outras palavras, só vou ter certeza de que houve um home run se ouvir pelo rádio ou observar a sinalização do juiz", afirmou Gottesman em mensagem de e-mail.
Alguns dos torcedores do Yankees terão de enfrentar situação ainda pior. Os 1.048 lugares das seções 201 e 239 têm sua visão do campo parcialmente obstruída pelo Mohegan Sun Sports Bar, posicionado acima do Monument Park, por trás da cerca central do campo. Os torcedores da seção 201, por exemplo, não verão a porção esquerda do campo, e em alguns casos nem mesmo a terceira base.
Os Yankees vão montar cinco televisores de tela plana de cada lado das paredes externas do restaurante, para que os torcedores possam ver pela TV aquilo que serão incapazes de acompanhar ao vivo. Depois que o jornal Newsday reportou que essas seções tinham vistas obstruídas, o Yankees anunciou que cobraria apenas US$ 5 pelos ingressos para quem as escolhesse, o que fica abaixo dos US$ 12 pagos pelos detentores de carnês de temporada pelos ingressos nas arquibancadas mais distantes.
Alice McGillion, porta-voz do Yankees, disse que o plano sempre foi que os ingressos para assentos com vistas obstruídas custassem US$ 5, e que uma falha na emissão de faturas é que levou a que fossem colocadas à venda por preços mais de duas superiores. (O site do Yankees ainda não corrigiu os preços.) Os torcedores com assentos nessas seções também terão acessos a outras partes do estádio e ao Bleachers Café, por sobre o bar esportivo.
"No velho estádio, não havia onde comer; você tinha de ficar em seu lugar o tempo todo", diz McGillion, acrescentando que os torcedores poderão comprar cerveja, que nos últimos anos não vinha sendo vendida nas arquibancadas do velho estádio. "As pessoas poderão assistir a todo o jogo do café, e haverá os televisores".
Quanto ao Mets, o time continua a sustentar que não há assentos com visão obstruída no Citi Field, a despeito das alegações de alguns torcedores depois do jogo de domingo. Os torcedores podem perder uma ou duas jogadas, o time admitiu. Mas seus representantes acrescentaram que as jogadas serão repetidas nos telões do placar, e, no novo estádio, os torcedores ficam mais perto do campo.
"Sempre que os assentos ficam mais perto da ação, haverá certos ângulos dos quais se perderá uma ou outra jogada", diz Dave Howard, vice-presidente de operações de negócios do Mets. "Isso é típico nos novos estádios de beisebol, mas um pouco diferente para os nossos clientes porque não era algo que acontecesse no Shea".
Howard admitiu que os lugares na seção 533 tinham um ângulo de visão que impossibilitava ver a área de aquecimento e parte do campo. Ele acrescentou que a equipe não tinha planos de reduzir os preços dos ingressos ou identificar os assentos em questão como dotados de vistas obscurecidas.
Os lugares de muitos estádios de beisebol têm pontos cegos. Mas os torcedores do Yankees e do Mets estão zangados, agora, porque os times não os informaram sobre a vista obstruída ao colocar os ingressos à venda. Até recentemente, os torcedores não podiam visitar os estádios e tinham de confiar em representações tridimensionais apresentadas nos sites das equipes.
"É difícil entender como eles construíram estádios novinhos e não perceberam isso", diz Jim Holzman, presidente da Ace Ticket, que é revendedora oficial de ingressos para o Boston Red Sox. "Eles têm todos aqueles lugares caros para vender, e vacilaram no que tange aos lugares mais baratos".
Holzman diz que o Red Sox identifica os ingressos para assentos com visão obstruída, o que ajuda os primeiros torcedores a adquiri-los mas não necessariamente aqueles que os compram posteriormente em sites de venda de ingressos.
A situação é mais complicada para o Mets porque o Citi Field tem apenas 42 mil lugares, 26% a menos que o Shea Stadium. (No caso do novo Yankee Stadium, com 53 mil lugares, a queda foi de apenas 5%.) No Shea, os assentos nas fileiras mais altas das arquibancadas eram vendidos com desconto, porque a cobertura superior obscurecia as vistas do campo.
Tradução: Paulo Migliacci ME
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