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Beisebol
Sexta, 3 de abril de 2009, 13h31  Atualizada às 13h55
Depois de longo atraso, estádios de beisebol surgem em NY
 
Richard Sandomir
 
The New York Times
Depois de atraso, Yankees têm novo estádio de beisebol
Depois de atraso, Yankees têm novo estádio de beisebol
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O Citi Field e o novo Yankee Stadium estão enfim abertos, como culminação de um processo que durou quase duas décadas, durante boa parte das quais parecia que seria impossível construir um novo estádio de beisebol na cidade de Nova York.

» Veja as fotos dos estádios

Os Yankees anunciaram sua intenção na metade dos anos 80, exigindo ruidosa e regularmente uma casa renovada no Bronx ou um novo estádio - e ameaçando partir para Nova Jersey caso a prefeitura não ajudasse. O Mets começou sua campanha por um novo estádio para substituir o Shea Stadium uma década mais tarde, e de maneira mais discreta.

Plantas foram desenhadas, e esquemas de financiamento propostos.

Diversos prefeitos, entre os quais Rudolph Giuliani, torcedor declarado do Yankees, passaram pelo governo.

Mas houve recessões, e a era de financiar a construção de estádios com grandes injeções de dinheiro público passou. Os custos subiram. E a indecisão de George Steinbrenner - seria melhor manter o Yankees no Bronx, transferi-lo ao West Side ou cruzar o rio rumo a Nova Jersey? - não só retardou a construção do estádio de seu time como também a do estádio dos Mets.

Nesse meio tempo, 19 times de basquete inauguraram estádios, desde os anos 90, e apenas um grande complexo esportivo novo foi construído nos cinco distritos de Nova York ao longo do período: o Arthur Ashe Stadium, em Flushing Meadows-Corona Park, legado do prefeito David Dinkins, apreciador do tênis.

Por volta de 1996, Giuliani estava defendendo um estádio no West Side de Manhattan como mais fácil de financiar, acompanhado por um novo estádio para o Mets em Flushing. Ele acreditava que a proposta ajudaria Nova York em seu esforço para se tornar sede da Olimpíada de 2008. Em seus dois mandatos, ele ofereceu três planos de financiamento, todos os quais envolviam cobertura pela prefeitura de metade do custo de construção dos novos estádios. Nenhum dos planos foi aprovado.

Publicamente, parecia que a prefeitura e o governo estadual tinham o Yankees como principal prioridade. Steinbrenner se queixava de problemas de estacionamento, segurança, tráfego e de público, no Bronx, mas Fred Wilpon, o sócio majoritário do Mets, na verdade jamais quis ir mais longe do que o outro lado do estacionamento do Shea Stadium, para criar a nova casa de seu time.

Jeff Wilpon, vice-presidente de operações do Mets, diz que seu time só ganhou atenção semelhante ao Yankees quando apresentou uma proposta para um estádio de US$ 457 milhões e 50 mil lugares, com um domo retrátil e uma praça de entrada semelhante à do velho Ebbets Field, em 1995. "Nós estávamos solicitando menos dinheiro, mas a partir de então os valores eram ao menos parecidos", diz.

Em 1998, um plano de Giuliani para usar os proventos do imposto sobre locações comerciais na cidade a fim de financiar a parcela da prefeitura nos dois estádios - derrotado em uma batalha política feroz com Peter Vallone, o presidente do Legislativo municipal- foi acompanhado pela apresentação da primeira maquete do novo estádio dos Mets.

Ao final de seu mandato, em 2001, meses depois dos ataques terroristas do 11 de setembro, Giuliani ainda tentou aprovar um projeto de lei sob o qual a prefeitura bancaria metade do custo de US$ 1,6 bilhão dos estádios. Mas seu sucessor, o ainda prefeito Michael Bloomberg, cancelou o plano sobre a alegação de que gastos como esse eram injustificáveis em uma recessão.

Quando os times aceitaram a idéia de que a prefeitura não bancaria diretamente uma parte dos estádios, os Yankees em 2004 desenvolveram um plano que tinha como peça central usar o dinheiro que a equipe deveria pagar aos demais times de beisebol da liga como participação em seus lucros para bancar a colocação de títulos isentos de impostos que a prefeitura emitiria.

Ainda assim, os estádios de beisebol precisavam de um catalisador, e o encontraram, inesperadamente, em um terceiro projeto: um complexo esportivo de US$ 2,2 bilhões a ser construído no West Side para abrigar o New York Jets, do futebol americano.

O grande estádio seria parte da campanha de Nova York para conquistar a Olimpíada de 2012, mas sua rejeição por um comitê estadual, em 2005, tornou necessária uma proposta alternativa de estádio, para a candidatura olímpica.

Depois de estudar as alternativas, o comitê organizador fez um acordo com os Mets para um estádio que seria construído com dimensões olímpicas para 2012 e reduzido posteriormente. O acordo teria validade ainda que Nova York não se tornasse a sede dos jogos.

Os dois acordos foram concluídos na mesma época, e os Yankees se comprometeram a permitir que o Mets mandasse suas partidas em seu novo estádio durante os jogos olímpicos, caso necessário.

Os dois estádios foram anunciados na mesma semana, em 2005 - e três semanas mais tarde Londres foi escolhida como sede da Olimpíada de 2012.

A construção começou em 2006, em Flushing e no Bronx, e os torcedores agora estão aptos a julgar o legado esportivo da gestão Bloomberg: estádios cujo custo final ficou em US$ 2,3 bilhões, e cuja construção foi tornada possível por quase US$ 1,2 bilhão em obras de infraestrutura e isenções tributárias municipais e estaduais.

Tradução: Paulo Mogliacci ME
 

The New York Times