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Automobilismo
Terça, 5 de maio de 2009, 10h26  Atualizada às 11h12
Menina de oito anos tenta a sorte a 100 km/h
 
Chris Kane/The New York Times
Com apenas oito anos, Macy Causey já pisa fundo no acelerador
Com apenas oito anos, Macy Causey já pisa fundo no acelerador
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Macy Causey estava testando a pista de um quarto de milha (400 metros) da Concord Speedway, pisando fundo no acelerador de seu carro de corrida preto e rosa acionado por um motor de 30 HP, e atingindo velocidade próxima dos 100 km/h nas retas.

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Todos os pilotos da série Bandolero usam um intercomunicador com os boxes para casos de emergência. O instrutor de Causey estava cronometrando suas voltas e gritava instruções pelo rádio. "Você está brecando cedo demais. Acelere por mais tempo".

Minutos mais tarde, Causey, 8, levou o carro para os boxes. Seus pais, Rette e Dee Causey, ajudaram a menina a sair do carro, em uma manobra acrobática pela janela. Ela abraçou o pai. "Ótimo trabalho, querida!", disse.

Macy tirou o capacete e abaixou o macacão anti-incêndio até a cintura. Suando muito e com uma cara de insatisfação, ela respondia apenas em monossílabos.

"Ela não fala muito", disse Rette. "Especialmente em dias de corrida". Mas o amor da jovem piloto pelo esporte ficou claro alguns instantes mais tarde.

"Quero dar mais algumas voltas, disse, puxando o pai pela manga. "Agora". A mãe deu de ombros e sorriu.

Macy se apaixonou pelos automóveis desde a primeira vez que pegou no volante, ao contrário de sua irmã mais velha, Brooke, 10. "Ela usa maquiagem e essas coisas", disse Macy sobre Brooke. "Prefiro velocidade. E adoro derrapar".

O carro de Causey, um Bandolero usado comprado por US$ 3 mil, foi presente dos pais pelo seu mais recente aniversário, em novembro, e foi o pai que a ensinou a dirigir. O Bandolero pesa 250 kg, tem 85 cm de altura e uma largura de 1,20 m, com distância entre eixos de 1,77 m, e pode atingir velocidades de até 120 km/h. Mas a velocidade é limitada nas pistas curtas em que eles são pilotados por crianças dos oito aos 15 anos.

Muitas crianças começam a pilotar carts com apenas três anos de idade. Macy, aluna de segunda série em Seaford, na Virgínia, está começando na série Bandolero, criada em 1997 pela INEX, a organização que organiza corridas para iniciantes nos Estados Unidos. A idade mínima para os pilotos é de oito anos, e eles não precisam passar por testes de segurança ou atender a outros requisitos.

Em 2008, mais de 550 crianças em 17 estados americanos e no Canadá disputaram competições de Bandoleros, em três níveis: Os Bandits (dos oito aos 11 anos), Young Guns (12 aos 15 anos) e Outlaws (mais de 16 anos). Quando os pilotos completam 12 anos e adquirem pelo menos 18 meses de experiência na INEX, podem se transferir à divisão Young Lions da série Legends, que envolve provas em réplicas de modelos clássicos dos anos 30 e 40, com velocidades de até 157 km/h. O pai de Macy pilota um carro com motor de 125 HP na divisão Pro do campeonato Legends. Porque a INEX proíbe que os carros sejam modificados, os proprietários não precisam gastar demais para acompanhar o equipamento de outros pilotos.

"Uma pessoa que consiga montar uma bicicleta dada como presente de Natal provavelmente é capaz de correr em um Bandolero", disse Darrel Krentz, diretor executivo da INEX (abreviação de "inexpensive", ou "de baixo custo").

Mas as corridas envolvem outras despesas. Quase todo mundo precisa de um reboque ou trailer; o dos Causey custou cerca de US$ 300 mil. No caso deles, o veículo é como um apartamento, dotado de sofá, espreguiçadeira, televisão via satélite, cozinha, mesa de jantar e banheiro com box de chuveiro.

A equipe de Macy é formada por seus pais e pelo chefe de equipe Chris Conley, que prepara os carros na garagem da família. Macy muitas vezes ajuda, depois da escola e nos finais de semana. Ela limpa calotas, aperta parafusos e limpa parabrisas.

A primeira prova de Macy foi uma corrida de exibição, realizada em Orlando em fevereiro. Ela terminou em segundo, para orgulho dos pais. "Ela não tem medo de nada", disse Dee Causey.

Em uma sexta-feira recente na Concord Speedway, havia apenas quatro meninas entre os 33 pilotos na prova da classe Bandolero, mas Macy recebeu o mesmo tratamento que os demais concorrentes.

Para ela, corridas são uma herança de família. Sua avó materna, Diane Teel, foi a primeira mulher a vencer uma prova sancionada pela Nascar, disse Rette. Foi em 1978, na divisão Limited Sportsman, na Langley Speedway, Virgínia. Mas o herói de Macy é Larry McBride, o motociclista que detém o recorde mundial do quarto de milha, com tempo de 5,793 segundos.

Mas e Danica Patrick? "Quem?", diz Macy. As famílias dos jovens automobilistas esperam que eles possam se equiparar a David Ragan, Reed Sorenson e Joe Logano, pilotos da Nascar que começaram suas carreiras dirigindo Bandoleros.

"São corridas disputadas", afirma Rette. "Não esperamos que ela já comece vencendo".

A família comprou duas horas de treinamento na pista por US$ 400, e Macy e Rette se revezavam testando seus carros. Concord tem uma pista muito mais longa do que aquelas a que a jovem piloto se acostumou. Em Langley, as retas são curtinhas, e isso limita a velocidade a 80 km/h. Aqui, ela chega perto dos 100 km/h.

Kyle Beattie, piloto profissional local, orientava Macy quanto às curvas, pelo sistema de comunicação de uso obrigatório para os pilotos da série Bandolero.

O final de semana foi movimentado para os Causey. No sábado, eles viajaram para a Caraway Speedway, perto de Asheboro, Carolina do Norte, onde Rette tinha uma prova da Legends. Depois, pai e filha voltaram a New Concord no dia seguinte. Na segunda, Macy falou à aula e os dois correram em provas na Lowe¿s Motor Speedway, em Concord. No total, foram 1,33 mil quilômetros de viagem.

Parece divertido. Mas e a segurança? "Temos muito orgulho de nosso histórico de segurança", diz Krentz, da INEX. "Comparado ao futebol americano juvenil e até ao beisebol, com todas aquelas fraturas de braço, o automobilismo pode ser até mais seguro".

Na Concord Speedway, os pais mencionam o equipamento de segurança. Todos os pilotos usam o mesmo sistema que a Nascar emprega para dar apoio à cabeça e pescoço dos pilotos. Mas Larry Thomas, um porta-voz da pista, disse que existiam algumas preocupações quanto à segurança dos pilotos mais jovens.

No começo de abril, Garrett Biggers, 9, capotou com seu carro, que girou meia dúzia de vezes. Incidentes como esse acontecem três ou quatro vezes por ano, disse Thomas.

"E o menino saiu do carro dizendo que foi genial, e que queria capotar de novo", disse Thomas. "Mas mudou de idéia mais tarde, quando começou a sentir a dor de cabeça".

Howard Biggers, o pai de Garrett, disse que o filho não precisou de cuidados médicos e que estava certo de que o equipamento de proteção o manteria seguro.

"Se ele batesse contra uma mureta, eu ficaria preocupado", disse. Howard, o irmão mais velho de Garrett, morreu em um acidente infortunado, ao cair de um carrinho de golfe e bater a cabeça, em 2004.

"Há quem diga que sou maluco por permitir que meu filho dirija um carro de corrida", afirma Biggers. "Mas, como já disse, confio no equipamento". Macy mostrou progresso em seu primeiro final de semana de corrida. Na noite de sexta, ela terminou em último entre os 12 participantes de uma prova de 15 voltas. O pai e a mãe a elogiaram.

Dois dias mais tarde, ela realizou sua primeira ultrapassagem em competição, e terminou em oitavo entre os nove carros que estavam na pista. E na noite de segunda-feira, na corrida da Lowe's Speedway, ela terminou em sexto entre 13 concorrentes. Além disso, a jovem piloto realizou o objetivo mais importante da família em suas primeiras provas oficiais.

"Nós só queríamos que ela saísse das corridas com o carro inteiro", disse Rette.

Tradução de Paulo Migliacci.
 

The New York Times