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NBA
Terça, 12 de maio de 2009, 12h00  Atualizada às 13h11
Celtics se reinventam na busca pelo bi da NBA
 
Jonathan Abrams
 
Getty Images
Reserva absoluto no título de 2008, Scalabrine ganha espaço nos Celtics
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Os confetes continuavam caindo das arquibancadas quando Brian Scalabrine voltou para o banco, ainda atônito. O espanto dele se devia ao título que o Bolton Celtics havia acabado de conquistar e talvez à champanhe que ele bebera ao receber o troféu com a equipe depois da vitória que definiu a série contra o Los Angeles Lakers no ano passado.

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Ninguém havia convidado Scalabrine a subir ao palanque, em geral reservado para os astros do jogo, que não teriam espaço para conversar com os repórteres em seus vestiários. Afinal, ele não tinha entrado em nenhum dos 26 jogos que sua equipe disputou na pós-temporada a fim de conquistar o título. Por isso, o monólogo dele era ao mesmo tempo completamente absurdo e muito engraçado.

"Agora vocês podem estar dizendo que não joguei um segundo, mas dentro de cinco anos terão esquecido disso", afirmou Scalabrine um ano atrás. "Dentro de 10 anos, eu ainda terei sido campeão. Daqui a 20, provavelmente vou dizer aos meus filhos que era titular, e daqui a 30 provavelmente terei me transformado no melhor jogador das finais".

Exagero demais, talvez, mas nesta pós-temporada Scalabrine pode alegar com justiça que está contribuindo para o time. A equipe que deu o título aos Celtics no ano passado, especialmente seu dizimada elenco de jogadores de força, mudou de maneira ainda mais profunda do que a ausência de Kevin Garnett, lesionado, já bastaria para indicar.

James Posey trocou o Boston pelo New Orleans Hornets, depois da temporada passada; P. J. Brown se aposentou; e o reserva Leon Powe, um dos mais utilizados do time, rompeu um ligamento na dificílima primeira série dos playoffs, contra o Chicago Bulls.

Pode chegar o momento em que a energia dos Celtics venha a se esgotar, depois de um início espantosamente difícil de seu esforço de defesa do título. Mas até agora o time, que parece remendado com fita adesiva, vem encontrando a cada partida uma maneira de superar suas dificuldades.

A mais recente resposta foi oferecida por Glen Davis, que marcou uma cesta de meia-distância no segundo final do jogo de domingo, permitindo que o Celtics derrotasse o Orlando Magic por 95 a 94 e empatando a nova série em dois a dois.

"No ano passado, eu era reserva de uma série de ótimos jogadores", diz Scalabrine, que está em sua oitava temporada na NBA e é muito querido dos torcedores.

"Os sujeitos que tinham posição antes de mim em nossa equipe jogavam bem. Este ano, estou na quadra, fazendo jus à confiança do técnico, mas não posso dizer que seja por conta do meu talento. Nós simplesmente não temos mais o pessoal que tínhamos no ano passado, o pessoal de garrafão, e por isso estamos tentando superar os problemas com base na união".

A equipe continua a contar com os arremessos certeiros dos cestinhas Paul Pierce e Ray Allen, e descobriu novos recursos. Primeiro, a velocidade de Rajon Rondo contra os Bulls. No domingo, foi a vez de Davis, cujo apelido é "Big Baby".

Depois de três jogos de normalidade em quadra, Boston voltou a submeter a torcida ao suspense que ela já se acostumou a esperar, na quarta partida. Davis na verdade era a terceira opção para arremesso, na jogada final da partida, e converteu as duas últimas cestas para os Celtics.

Com aquele último arremesso certeiro, Boston reconquistou a vantagem de mandante, na série de sete partidas (ainda tem dois jogos em casa). Davis correu pela quadra demonstrando alegria ruidosa, gritando para Collis Temple, que o aconselha desde que começou a jogar, no segundo grau, que "nós os vencemos".

Boston saiu vitorioso de uma partida na qual precisava desesperadamente da vitória, para manter vivas suas aspirações a um bicampeonato. E Davis, que está rapidamente estabelecendo um complemento para seu apelido - Big Shot tiro certo além de Big Baby, nas palavras do adversário Dwight Howard, do Magic - conseguiu a façanha depois de começar a temporada como um reserva não muito utilizado para a posição de Garnett.

Enquanto isso, Scalabrine, cujos cabelos revoltos e corpo não muito atlético o tornam parecido com o de um personagem de Will Ferrell em Semi-Pro, um filme que satiriza o mundo do basquete, tem jogado 20 minutos por partida na pós-temporada, depois de se curar de uma concussão.

E o musculoso Kendrick Perkins está mantendo média de 12,5 pontos e 11,5 rebotes por jogo desde que começaram os playoffs.

Juntos, eles assumiram novos papéis e inverteram suas funções habituais, para avançar nos playoffs. E isso pode levar os Celtics à disputa das finais da Conferência Leste contra o quase invencível Cleveland Cavaliers.

"As pessoas não acreditam que consigamos chegar lá", disse Rondo. "Dizem que somos um time velho. E agora Garnett está fora, Leon está fora. As pessoas sempre vêm com alguma desculpa para nos desconsiderar. Mas continuamos a acreditar que temos capacidade de ganhar o título".

E talvez essa seja um de seus últimas chances, ao menos com o atual núcleo de jogadores. Allen tem 33 anos, e Pierce tem 31, e o desgaste de mais uma temporada envolvendo grande número de partidas desgastantes de playoff certamente não os beneficia. O mesmo se aplica a Garnett, que ainda terá de arcar com a dificuldade de retornar de uma lesão. E, embora já tenham adquirido considerável experiência, Rondo e Davis continuam a ser jogadores jovens.

Vistos como um todo, eles formam uma espécie de miragem. Os Celtics formam um time velho ou um time jovem? Até mesmo as opiniões das pessoas diretamente envolvidas com a equipe parecem variar.

"No ano passado, tínhamos claramente um time de veteranos, com Kevin em quadra, e mais P. J. Brown e Posey", diz Doc Rivers, o técnico do Boston. "Nos jogos mais importantes, todos eles sabiam exatamente o que fazer. Jamais cederam ao pânico, e era fácil saber de que maneira jogariam a cada noite. Isso não significava que fossem jogar bem todas as noites, mas era possível antecipar que esforço cada um deles dedicaria ao time a cada noite, e é por isso que os veteranos tendem a jogar melhor nos playoffs, em linhas gerais".

Já Rondo, 23, rebate alegando que a equipe atual continua a contar com muitos veteranos. "Temos os três grandes (Allen, Garnett e Pierce), que são o cerne do time", disse. "Temos Stephon Marbury, Mikki Moore. Perkins já tem seis anos de experiência na liga. O time conta com diversos jogadores mais velhos. Eddie House é veterano, e Scalabrine também é. O pessoal que fica bastante tempo em quadra é basicamente veterano. Só Baby e eu somos jovens".

Não importa como seja definido, o time do Boston mudou de cara durante a temporada regular, e voltou a fazê-lo no playoff. Agora, o ritmo de jogo é mais rápido e, sob a liderança do armador Rondo, as trocas de passes e contra-ataques ganharam velocidade.

Na temporada regular, os Celtics registraram média de 100,9 pontos marcados e 93,4 pontos sofridos por jogo. No playoff, em 11 partidas disputadas até agora, a média é de 107,4 pontos marcados e 105,3 sofridos.

"Creio que a maior mudança é ficamos sem jogo de garrafão, e é difícil para nós jogar perto da tabela", disse Rivers. "E sem jogo de garrafão, você se torna um time de arremesso de média distância, algo de que não gosto".

Sem Garnett, a busca pelo bicampeonato se provou muito mais difícil. "Ele é parte fundamental da equipe", diz Perkins. "Como o nosso presidente Obama, na verdade".

E os Celtics também precisaram contar mais com a sorte. Ainda assim, muitos dos jogadores afirmam que a equipe deste ano é mais determinada que a do ano passado, outra qualidade que lhes foi imposta pelas baixas sofridas e pela força das circunstâncias.

"Ninguém esperava que chegássemos, de qualquer jeito", diz Perkins. "As pessoas no máximo nos viam chegando às finais da conferência leste, mas temos objetivos maiores e acreditamos que seja possível realizá-los com a equipe que temos em quadra".

Tradução de Paulo Migliacci.
 

The New York Times