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Quinta, 14 de maio de 2009, 23h56 
Para acabar com polêmica, CBV lança bola com chip
 


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Vôlei brasileiro lança 'bola tecnológica'
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A ideia não é nova e nem o projeto começou ontem. Porém, a bola de vôlei com chip, desenvolvida desde 2005 pela Penalty e pela 3RCorp com o apoio da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), finalmente foi apresentada nesta quinta-feira e deve tornar-se realidade ainda em 2009.

A intenção é acabar com lances polêmicos na modalidade. Através de um sistema que envolve oito antenas, seis câmeras e um palm (que serve para o juiz receber informações), a bola com chip pretende fazer com que a dúvida de se uma bola foi para fora ou não, vire coisa do passado.

"Ninguém quer investir no esporte para perder por conta de erro do juiz. Isso envolve profissionais, dinheiro e quanto menos erros ocorrerem, melhor para nós", afirmou o presidente da CBV, Ary Graça.

Ainda em 2005 foi realizada uma apresentação da bola, cuja estréia era prevista para menos de um ano. Porém, problemas com o carregamento da bateria do chip e com a precisão (33% dos lances apresentavam até 9 cm de erro) fizeram o projeto atrasar.

Agora, assegura a Penalty, tudo está pronto e sem chance de erro - a defasagem máxima de onde a bola cair para o dado que o chip enviar é de apenas 2,5cm. De qualquer forma, entretanto, câmeras posicionadas na linha servirão para que os árbitros tirem possíveis dúvidas - a partir daí, ele decidirá o que fazer.

"O juiz decide se vai acatar o que a bola mostra, mas se tomar uma decisão muito absurda vai se ver com a CBV depois", brincou Ary. O emprego dos juízes de linha também está assegurado por enquanto, visto que eles seguirão necessários para saber se alguém tocou ou não antes de uma bola ir para fora ou se o jogador infringiu alguma regra na hora de sacar.

O problema da bateria, que dura seis horas, foi solucionado com a introdução de uma espécie de caneta no mesmo orifício em que a bola é enchida. No total, o projeto custou cerca de US$ 2 milhões, tudo bancado pela Penalty.

"É diferente do sistema que atualmente é usado no tênis: o jogo, por exemplo, não precisará ser parado, pois os dados estarão na hora disponíveis para o juiz. Além disso, será mostrada a própria imagem e não um desenho", comentou Roberto Estefano, presidente da fornecedora.

Porém, apesar de tanta tecnologia, ainda não se sabe quando, efetivamente, a nova bola estará em quadra. "Será uma decisão da Penalty, pois há um problema de custo", admitiu Ary Graça - a instalação de câmeras e antenas custa aproximadamente R$ 100 mil. A partir daí, há o gasto do monitoramento por jogo, algo em torno dos R$ 30 mil. São precisos cinco dias de antecedência para que tudo esteja pronto e testado.

A Penalty, entretanto, garante que a inovação já poderá ser vista na próxima Superliga, que começa em novembro. "E não vai ser somente nas finais não. Podemos fazer isso em todos os jogos com TV, para tornar a transmissão mais interessante para o público", destacou Estefano. No caso de competições internacionais, será preciso um aval da Federação Internacional (FIVB), que também terá que comprar a tecnologia da Penalty.

A bola tem outras funcionalidades, como determinar velocidades de saques e ataques - no futuro, pretende-se até mesmo mostrar o posicionamento dos atletas. A Penalty também confirmou que pretende desenvolver uma solução para que toques dos jogadores na bola também sejam detectados, acabando com polêmicas sobre se a bola foi tocada ou não antes de sair.

"Dizer que tirar a dúvida vai estragar o jogo é uma visão antiga. Às vezes, uma marcação errada pode não só tirar o ponto, mas também irritar o jogador e acabar com a concentração do time", afirmou José Montanaro Jr., dirigente do Banespa, time que participou da fase de testes da nova bola. "A essência do jogo é idolatrar a performance de um atleta ou uma jogada espetacular. O melhor juiz é aquele que passa despercebido", afirmou, satisfeito com a tecnologia.
 

Gazeta Press