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Automobilismo
Sexta, 22 de maio de 2009, 15h07 
Líder do campeonato, Kanaan quer vencer o "clássico" da Indy
 
Dassler Marques e Anderson Giorge
 
Getty Images
Kanaan teve bom desempenho nos treinos e está na briga
Kanaan teve bom desempenho nos treinos e está na briga
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Que o baiano Toni Kanaan é um dos melhores pilotos da Fórmula Indy, pouca gente duvida. Campeão da Racing League em 2004, ele lidera a competição em 2009 e foi o terceiro melhor das últimas duas temporadas. Mas falta, segundo ele próprio, o clássico da modalidade: as 500 milhas de Indianápolis.

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Sexto colocado na largada da prova, agendada para o próximo domingo, Kanaan viveu uma verdadeira odisséia nos treinos classificatórios, o que fez com que a posição atingida ficasse a contento para o brasileiro.

Em entrevista exclusiva concedida ao Terra, Toni explica, passo a passo, a briga nos treinamentos para conseguir uma boa colocação, fala sobre o pole Hélio Castroneves e a respeito das expectativas para o grande evento do domingo: "é como um clássico de futebol, não tem favorito", diz, aguardando que seja, esta, sua vez. "Já me candidatei várias vezes para ser o homem de sorte do dia".

Confira a entrevista na íntegra:

Terra - Como foi esse período de treinamentos para a Indy 500? Segundo a gente soube, você teve um trabalho muito duro no acerto do carro da Andretti Green. Ficou contente com a sua posição no grid?
Toni Kanaan - No Pole Day, fiquei bem contente com a sexta colocação por causa dos dias estressantes que tivemos antes. O pessoal passou a madrugada de sexta para sábado trabalhando no meu carro reserva, pois o titular tinha algum problema que não achávamos o que era. Tanto é que fui com o carro com peças dos meus três companheiros de equipe, e um estilo bem brega (risos).

Mas, mesmo assim, garantimos a nossa vaga e foi uma superação para todos nós. Já na semana seguinte, quando os treinos eram específicos para a corrida, foi outro trabalho incansável e felizmente achamos o acerto que queríamos no último treino, no domingo (17), aos 47 do segundo tempo. Isso porque essa semana não tem nada na pista, a não ser na sexta-feira (22), no Carb Day, em que temos um treino de apenas uma hora para checar se está tudo certo para domingo. Então, foi bem importante o que achamos.

Terra - Quem sabe essa sorte não continua para a prova, não é?
Kanaan - Estou confiante para a prova, mas Indianápolis precisa ser o seu dia. Já me candidatei várias vezes para ser o "homem de sorte do dia", mas ainda não havia chegado minha vez. Vamos ver o que acontece nesse domingo.

Terra - Quais serão os seus principais rivais nas 500 Milhas de Indianápolis?
Kanaan - Nossa, tem bastante gente. Indianápolis é como clássico no futebol, nunca dá para dizer que o melhor time no papel vai ganhar. Mas os cinco vermelhos que largam a minha frente, as duas Penske, as duas Ganassi, mais o Graham Rahal da Newman-Hass, além do Mario (Moraes), meus companheiros de AGR e outros que podem surpreender, vão dar trabalho. Como disse acima, nas últimas 50 voltas, quem estiver em condições de brigar vai fazer de tudo para conquistar a vitória.

Terra - Você foi campeão da Indy em 2004. Para você a Indy 500 é o que falta para tornar sua carreira completa?
Kanaan - Faltou liderar a volta certa. Eu liderei as sete vezes que disputei provas em Indianápolis, mas ainda não a última. Mas a minha determinação e vontade em vencer essa prova não se abalam. A cada ano eu volto com mais força para tentar conquistá-la. E agora, temos de pensar no campeonato também, pois sou o líder. Então, é claro que farei de tudo para vencer, quem sabe minha trajetória sabe o quanto quero isso, mas, como disse, tem que ser o seu dia de sorte, igual foi o do Dario Franchitti em 2007.

Terra - Passada uma temporada desde a fusão entre IRL e Champ Car, você acha que a categoria caminha para repetir o sucesso do início dos anos 90?
Kanaan - Com certeza, foi uma atitude corretíssima de ambos os lados porque você vê mesmo aqui em Indianápolis, que embora seja um ano tomado pela crise, tínhamos quase 40 carros competindo. E mesmo durante a temporada regular, temos entre 22 e 24 carros durante o ano, então, isso mostra a força da categoria e o respeito que ganhou com a qualidade dos pilotos e equipes que se uniram.

Por isso que a competitividade aumentou bastante. Não sei te dizer se vamos ser iguais à época dos anos 90, mas, certamente, é uma das principais categorias de automobilismo do mundo.

Terra - O Hélio passou por momentos conturbados com a Justiça dos EUA. Você tem conversado com ele desde que conseguiu se livrar da prisão?
Kanaan - Fiquei bem feliz com o retorno dele e a categoria só tem a crescer com ele pilotando. Isso é um assunto passado para ele, pois foi julgado e inocentado, então, com certeza ele está seguindo a vida. A gente tem um bom relacionamento, embora sejamos adversários na pista e tivemos nossos altos e baixos. Mas o respeito muito e, com ele na pista, eu tenho mais um motivo para acelerar mais.

Terra - Qual é a diferença das 500 milhas para as outras provas? Conte um pouco sobre esse evento com uma atmosfera tão peculiar.
Kanaan - As 500 milhas é um evento único, a começar com mais de 400 mil pessoas nas arquibancadas. Como prova, é uma das mais difíceis porque você não pode cometer erros principalmente na parte final, desde os pit-stops, estratégias e se livrar de qualquer problema mecânico e acidentes.

E também a força física e mental, pois são três horas de corrida e uma velocidade média superior aos 360 km/h. Além disso tudo, as 500 Milhas te dá repercussão internacional, pois é uma das principais corridas do mundo. Posso te dizer que não é nada fácil, mas é um prazer grande disputar essa corrida. Antes da prova, sempre há uma ansiedade, mas, depois da largada, é sentar o pé no acelerador.


 

Redação Terra