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Automobilismo
Sexta, 22 de maio de 2009, 15h08  Atualizada às 15h31
Livre da prisão, Homem-Aranha quer escalar grade da Indy 500
 
Dassler Marques
 


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Os últimos meses foram bastante delicados para Hélio Castroneves, que foi indiciado e preso, nos Estados Unidos, por fraude fiscal e evasão. Depois de pagar US$ 10 milhões em fiança, Castroneves foi absolvido e liberado para correr. No cockpit da Penske, provou que sabe das coisas e largará em primeiro lugar nas 500 milhas de Indianápolis, neste domingo.

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A volta por cima do Homem-Aranha, como ficou conhecido por comemorar vitórias subindo em alambrados, se deu em um cenário em que lhe é bastante familiar. Na principal prova da Indy, Castroneves já foi vitorioso em duas ocasiões, em 2001 e 2002.

Líder nos treinos, o brasileiro entrará na seleta galeria dos que venceram a corrida três vezes, caso suba no lugar mais alto do pódio no domingo - o recorde é de quatro vitórias e pertence aos americanos A.J. Foyt, Al Unser e Rick Mears.

Em busca do primeiro título na Indy, Castroneves precisa recuperar o tempo perdido, já que não esteve em uma das três provas já realizadas do campeonato. Vencer na Indy seria um grande combustível para uma arrancada, assegura em entrevista exclusiva concedida ao Terra.

Confira a entrevista na íntegra:

Terra - Conte um pouco para nós a respeito dos últimos treinamentos, em que você conseguiu a pole position. Foi surpresa para você?
Hélio Castroneves - Surpresa, vamos dizer assim, não. Pelo fato de a equipe ter se preparado muito bem. Para mim, obviamente, foi muito gratificante voltar aqui com um carro muito rápido. Devo agradecer aos pilotos Ryan Briscoe e Will Power que trabalharam durante a pré-temporada e isso sem dúvida colaborou muito com esse resultado.

E tem um gostinho especial, sim, por eu ter ficado esse tempo fora do carro e voltar. Sem dúvida tem um gosto mais saboroso essa pole position.

Terra - Qual o tamanho da vantagem de largar na pole position em uma corrida como essas? Quais são teus maiores concorrentes?
Hélio Castroneves - A vantagem não é tanta. A única vantagem é largar e não estar no meio da confusão. Às vezes algum piloto acaba se precipitando e você, sem estar no meio, acaba entrando no meio. Essa é a única vantagem, vamos dizer assim, de não ter certos problemas com outros pilotos.

Se o carro estiver bom, você pode largar em primeiro, segundo, terceiro até em último, que provavelmente você se dará bem, porque a corrida é muito longa.

Meus competidores, sendo sincero, é o Ryan, meu companheiro de equipe, que tem a mesma coisa que eu tenho. Não dá pra deixar de fora os outros da Ganassi, Andretti Green, e vou adicionar uma equipe, que é pelo menos o Graham Hall da Newmann Hass. Parece que eles acharam alguma coisa no oval que estão se dando muito bem.

Terra - Qual sabor teve essa pole position depois de tantos problemas?
Hélio Castroneves - Foi bem mais saborosa, justamente por ter ficado tanto tempo fora de um carro de corrida e voltando dessa maneira, sem dúvida dá uma energia fantástica. Só te ajuda a trabalhar mais duro para conquistar o resultado.

Terra - Os pilotos brasileiros são muito queridos pelo público da Indy. Os acontecimentos mudaram essa postura deles com você?
Hélio Castroneves - Pelo contrário. O público tem sido muito mais carinhoso e tenho que agradecer a eles por tudo que aconteceu no começo, durante e agora no fim.

O público tem sido muito positivo, dado um apoio muito grande, sem dúvida me apoiou do começo ao fim e me deu um banho de energia positiva mandando mensagens pelo meu site, facebook, e isso pra mim foi legal pra manter minha fé muito forte. Só está ajudando cada vez mais, apoiando mais, e estando em um país diferente do seu, sem dúvida é muito gratificante.

Terra - Com todos os problemas que você enfrentou, ainda dá para brigar pelo título da temporada?
Hélio Castroneves - Carro tem, equipe tem, sem dúvida, e mostrei que potencial também tenho. O negócio é trabalhar, recuperar o tempo perdido, sem dúvida uma corrida não parece ser tanto, mas para uma categoria competitiva, faz um pouquinho de diferença. Estou confiante que dá pra brigar por título e só estamos começando.

Terra - Além de subir nas grades, você prevê algum tipo de desabafo ou comemoração especial em caso de vitória?
Hélio Castroneves - Agora é bola pra frente, é isso que sei fazer, esse é o lugar em que eu sempre estive desde quando eu era moleque. Trabalhando duro o resultado aparece e vencendo a prova a vida volta normal e de uma maneira melhor.

Terra - Você sente alguma frustração de não ter corrido na Fórmula 1?
Hélio Castroneves - Vou ser sincero: o carro é muito bacana, adorei o carro. Nossa! Quando pude testar para a Toyota, em 2002, foi muito legal. Só que vi que a politicagem era um pouquinho acima do que eu talvez pudesse controlar. Então preferi me manter numa equipe fantástica, que me quer bem. E foi a melhor decisão que tomei. Talvez não fosse para eu andar na Fórmula 1 mesmo e o melhor é estar aqui, onde me sinto bem e querido.


 

Redação Terra