| The New York Times |
 Na Universidade de Syracuse, O'Neal se prepara para nova fase |
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O astro Shaquille O'Neal já estrelou muita coisa fora das quadras de basquete, desde vídeos de rap a jogos de computador. Pelas suas contas, gravou mais de 250 comerciais de televisão nos dez últimos anos. E o número de entrevistas pós-jogo que concedeu à rede TNT permitiu que criticasse praticamente todos os ternos púrpura que o repórter Craig Sager costuma ostentar.
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Mesmo assim, na Universidade de Syracuse, nesta terça-feira, O'Neal estava celebrando o sucesso de uma falsa entrevista de quatro minutos como se fosse uma cesta decisiva marcada no último segundo. "Bam", exclamou o pivô, apontando para um monitor de computador. "Quatro minutos exatos", comemorou o jogador.
O'Neal, 37 anos, insiste que jogará por mais quatro temporadas na NBA, liga americana de basquete, mas planeja começar a apresentar programas de rádio e TV tão logo encerre a carreira. O que ele tem em mente é parecido com o programa Real Sports With Bryant Gumbel, da rede de TV a cabo HBO.
É por isso que esta semana ele esteve envolvido em uma intrigante reversão de papéis, no departamento de mídia da Universidade de Syracuse, trabalhando em entrevistas nas quais era ele que fazia as perguntas.
O curso de três dias sobre jornalismo de TV que O'Neal fez em Syracuse é um dos programas associados ao currículo do segundo ano na Escola S. I. Newhouse de Comunicação Pública, em parceria com a associação dos jogadores da NBA. O objetivo é oferecer um treinamento básico a astros do basquete que desejem seguir carreira na área. No entanto, por realizar um curso privativo, O'Neal teve de pagar US$ 15 mil pelo serviço.
"Você precisa saber o que está fazendo", disse O'Neal sobre o trabalho em televisão. "Há muita gente que fala bem, mas isso não transparece na tela. Eu precisava aprender todos os segredos", completou o pivô.
Em sua nova fase longe das quadras, O'Neal conta com dois professores em tempo integral para ajudá-lo a desvendar os segredos da nova profissão. Trata-se de Matt Park e Dave Ryan, ambos profissionais adjuntos da universidade. Park é o narrador das partidas de basquete e futebol americano da equipe da universidade, e Ryan tem vasta experiência como apresentador na rede de espores ESPN. Os dois estudaram televisão em Syracuse, uma escola que formou apresentadores esportivos conhecidos, como Bob Costas, Marv Albert, Dick Stockton, Mike Tirico e Sean McDonough.
Park e Ryan concordaram em que O'Neal, um astro com lugar garantido na galeria da fama do basquete, era um aluno atento e aprendia rápido. Ryan o definiu como "o melhor aluno que se poderia imaginar".
Considerando o fato de que O'Neal provavelmente conseguirá obter um contrato polpudo junto a qualquer das redes de TV, mesmo que não aprenda nada sobre televisão, a disposição dele de se informar bastaria para impressionar. O'Neal, atualmente pivô do Phoenix Suns, disse que queria aprender as coisas da maneira certa. "O fato de que ele tenha escolhido agir assim, em lugar de apenas exercer sua influência sobre uma rede de TV, é uma grande prova de seu profissionalismo", afirmou Park.
O objetivo básico de O'Neal ao iniciar o curso era o de contrabalancear o que considera como suas mais graves deficiências de desempenho televisivo: flutuações de tom de voz e nervosismo. O próprio jogador costuma sempre falar de maneira monocórdica, e por isso, Park e Ryan demonstraram a ele como e quando deveria procurar enfatizar palavras. "Enunciação, dicção, todas essas coisas", disse O'Neal. "Nada disso faz parte da minha personalidade", completou.
O'Neal afirmou que aprender o básico sobre o trabalho de televisão e rádio também serve para acalmar seus nervos. Ele aprendeu ao longo da carreira que uma boa preparação reduz a incerteza. "Mais que tudo, o que você aprende é um novo respeito pelo trabalho do pessoal de televisão e sobre o que é necessário para realizá-lo bem", diz Eric Snow, antigo jogador da NBA que passou pelo programa no ano passado e hoje é analista da NBA TV. "Você aprende de todas as perspectivas, nos bastidores e em cena".
O treinamento a que O'Neal se submeteu nos últimos três dias variou de anúncios de 15 segundos a uma simulação longa e improvisada de uma projeção quanto ao primeiro jogo das semifinais da conferência oeste da NBA. Na terça, Park ensinou o pivô que toda boa entrevista no rádio tem começo, meio e fim, e o lembrou de que precisa "reposicionar" a entrevista a meio caminho, já com um final planejado. "Saiba como vai encerrar antes de começar", disse Park. "Oh", afirmou O'Neal, depois de repetir o conselho. "Eu gosto dessa idéia".
Ele também foi informado sobre os detalhes mais intrincados da arte de entrevistar. "Não faça três perguntas de uma vez", aconselhou Ryan, afirmando que questões apresentadas em termos simples poderiam ser aprofundadas depois por novas perguntas, o que ajudaria a orientar as respostas do entrevistado.
O curso não requer que o aluno tome muitas notas e não envolve grande número de palestras teóricas. A ênfase é o treinamento prático. O'Neal fez uma entrevista com Greg Paulus, o novo armador do time de futebol americano da Universidade de Syracuse e antigo armador na equipe de basquete da Universidade Duke. Ele também simulou um anúncio de rádio com Stephen Curry, antecipando a loteria que definiria a ordem de escolha dos times no processo seletivo da NBA.
Ao longo das entrevistas da terça-feira, O'Neal mostrava personalidade, principalmente antes de apresentar o apresentador de rádio Tirico, que o alertou que não usasse o método "SHAM". "Estou falando do método de respostas curtas", afirmou o jogador, sobre uma tática que freqüentemente utiliza diante de repórteres. "Fui eu que inventei esse método", afirmou.
O'Neal disse a Tirico que aprendera com ele, via "propriedade transitiva", porque o apresentador foi um dos mentores para Park e Ryan. O astro do basquete exibiu seu lado mais gentil ao perguntar a Leo Rautins, antigo astro do basquete na Universidade Syracuse e hoje comentarista nas transmissões do Toronto Raptors, se ele tentava forçar alguns de seus quatro filhos a jogar basquete. E demonstrou a extensão de seus conhecimentos sobre o esporte ao mencionar o nome de John Wooden.
O pivô disse que antes de assumir um papel complexo como o que Gumbel exerce na HBO, ele gostaria de iniciar sua carreira como comentarista em um programa como First Take, da ESPN. "Eu adoro Bryant Gumbel, gosto muito desses sujeitos muito inteligentes", disse O¿Neal. "Gosto de caras com vozes bonitas. Gosto de caras com personalidade. Gosto de caras que sabem sobre o que estão falando. Não consigo entender de que maneira alguém como Skip Bayless pode comentar sobre Tim Duncan. O que ele entende disso?", finalizou.
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