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Dario Franchitti está revigorado e de volta à primeira fila nas 500 Milhas de Indianápolis, depois de um ano perdido na categoria Nascar. A sensação é a de que ele nunca saiu. Pode ser porque o rosto dele enfeitava os ingressos da prova do ano passado - uma honraria reservada ao vencedor da edição anterior- mesmo que ele tivesse optado por deixar a Fórmula Indy para tentar uma carreira frustrada e sem vitória alguma na Nascar.
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Enquanto Scott Dixon vencia a prova de Indianápolis no ano passado, Franchitti se unia à onda crescente de pilotos que optaram pela Nascar Sprint Cup Series ¿um escocês desafiando os sulistas que dominam as pistas da categoria de stock cars norte-americana. Mas Franchitti ficou de fora em cinco provas devido a uma fratura de tornozelo sofrida em abril em uma corrida em Talladega, Alabama, e a falta de patrocínio levou Chip Ganassi, o proprietário da equipe que ele defendia, a retirá-la das pistas em julho.
Apenas 13 meses depois de ter vencido as 500 Milhas de Indianápolis sob um pesado temporal e de ter recebido um abraço memorável de sua mulher, a atriz Ashley Judd, a tentativa de Franchitti na Nascar se encerrava em fracasso. O piloto disputou 10 provas da Sprint Cup e em nenhuma delas terminou entre os 20 primeiros. E assunto encerrado.
"A pior parte para mim foi que muita gente terminou perdendo o emprego por conta disso", disse Franchitti esta semana.
Ganassi chamou Franchitti para sua poderosa equipe da Fórmula Indy. Quando Dan Wheldon, vencedor das 500 Milhas de Indianápolis em 2005, trocou sua escuderia pela Panther Racing, Ganassi assinou com Franchitti, e o impacto foi imediato, já que ele venceu a segunda prova na temporada 2009 da Indy.
Franchitti largará em terceiro entre os 33 carros que disputaram as 500 Milhas de Indianápolis neste domingo, dividindo a primeira fila com Helio Castroneves, da Penske, duas vezes ganhador da prova, e Ryan Briscoe. O escocês não mostra traços de que o fracasso o tenha abalado.
"Imaginei que com o retrospecto que ele tem no automobilismo, seria mais fácil arranjar patrocínio para ele", disse Ganassi em entrevista por telefone. "Fiquei arrasado. Sinto alguma responsabilidade pelo que aconteceu. Não queria que a carreira dele acabasse. Mas eu mais ou menos sentia que isso não aconteceria".
Franchitti, 36, parece revigorado. Vai largar duas posições adiante de Dixon, seu novo companheiro de equipe. O piloto diz que no ano passado tentou se convencer que não sentia tanta falta assim das 500 Milhas de Indianápolis, mas de jeito nenhum era o que sentia.
Ele se tornou mais um dos pilotos da Indy que se transferiram em bloco para a Nascar, como Sam Hornish, ganhador das 500 Milhas de Indianápolis em 2006 e Juan Pablo Montoya, que venceu em Indianápolis em 2000. Os três eram considerados como os mais competitivos exemplos de uma tendência que parecia quente mas terminou frustrada.
"Temos outro grande talento de volta, um excelente nome, e é bom tê-lo de volta à série", disse Marco Andretti, 22, neto de Mario Andretti, sobre Franchitti. "A Nascar é uma categoria bem diferente, e ele queria enfrentar um novo desafio. Mas o mundo lá é bem distinto do nosso".
Quando perguntado se tinha interesse em correr pilotando um stock car, Andretti sorriu e disse: "Não, não é para mim. Desde que nasci piloto carros de rodas descobertas. É isso que meu coração prefere, com certeza".
Franchitti começou no kart, vencendo um campeonato escocês aos 11 anos de idade. Ele disputou provas de monopostos na Europa até 1997, quando se transferiu à Indy, nos Estados Unidos, da qual conquistou o título em 2007.
Franchitti diz que imaginava a Nascar como o perfeito desafio. "Na Nascar, eu estava em uma situação que me deixava fora de minha zona de conforto", afirma.
Mas nunca conseguiu se acostumar à nova categoria devido à fratura, que aconteceu durante uma prova da Nationwide Series, a segunda divisão das corridas de stock car. Sua desvantagem com relação aos líderes da categoria cresceu ainda mais. Quando Ganassi decidiu fechar a equipe, estava em 41° lugar na tabela da Sprint Cup.
Ganassi substituiu David Stremme por Franchitti porque sua equipe estava sem patrocínio e o proprietário acreditava que os patrocinadores viessem a se interessar mais pelo escocês. Porque não surgiram interessados, Ganassi passou alguns meses as despesas da equipe com dinheiro pessoal, mas por fim teve de fechar as portas e demitir mais de 70 funcionários.
"Passei mais noites insones em função disso do que por qualquer outra coisa que eu tenha vivido no mundo das corridas", disse Ganassi. "Foi terrível, realmente terrível".
Franchitti diz que não se arrepende de tentar a Nascar, e seu retorno vitorioso à Indy mostrar que voltar foi a decisão inteligente. Agora, ele espera ver sua foto no ingresso da prova do ano que vem para provar que voltou para ficar.
Tradução: Paulo Migliacci
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