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NBA
Terça, 16 de junho de 2009, 19h16 
Lakers não deixam dúvidas, mas há preocupações à frente
 
Howard Beck
 
AP
Kobe pode perder companheiros de título na próxima temporada
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O vestiário estava banhado em champanhe e delírio de vitória, um mar de grandes sorrisos e abraços de congratulação. Enquanto o Los Angeles Lakers celebrava na noite de domingo, uma figura grisalha e sóbria deixou o local sem alarde, uma alma sóbria em meio à balbúrdia alegre.

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» Lakers fecham série em Orlando e levam 15º título na NBA

Mitch Kupchak, o modesto diretor geral da equipe, chegou atrasado ao ônibus da equipe, depois de atender a repórteres curiosos e torcedores que desejavam cumprimentá-lo. Ele pediu desculpas ao funcionário que cuida desses assuntos.

"No ano que vem, faremos melhor", disse Kupchak, com um sorriso.

Para os Lakers, sempre existe a esperança de um novo título, uma nova parada, uma nova jornada.

Quando concluiu a vitória sobre o Orlando Magic no domingo, o Los Angeles Lakers garantiu seu quarto título da NBA de 2000 para cá ¿ o que representa o maior número conquistado por qualquer equipe de futebol americano, basquete, hóquei ou beisebol profissional importante no período. O time chegou a seis finais da NBA nos últimos 10 anos. E tem todos os motivos para acreditar que estará de volta a essa situação.

"O foco é esse", disse o ala Lamar Odom. "A cidade espera que consigamos, e isso nos estimula a procura a perfeição".

Os Lakers não deixaram qualquer dúvida sobre sua supremacia, ao encerrar a série decisiva com quatro vitórias em cinco jogos. Mas o time saiu de Orlando carregando algumas preocupações sérias sobre o futuro. Há a sensação de que o técnico Phil Jackson, depois de garantir seu décimo título, um recorde entre os treinadores, talvez decida abandonar o posto ¿ainda que pouca gente acredita que isso venha a acontecer já na próxima temporada. O desafio imediato é manter a equipe vencedora.

Odom e Trevor Ariza, os dois atléticos alas da equipe, chegaram ao final de seus contratos. É questionável que os Lakers sejam capazes de renovar com os dois. Odom certamente teria de aceitar um corte em seu salário de US$ 11,4 milhões por ano, e Ariza, que faturou US$ 2,9 milhões na temporada que acabou, certamente vai querer aumento.

A conquista do título só torna mais difíceis essas decisões.

Ariza começou a temporada como um modesto reserva mas a encerrou como titular, e se tornou um defensor insubstituível e um arremessador procurado nos momentos decisivos das partidas. As duas memoráveis roubadas de bola que conseguiu contra o Denver em lances de reposição de bola em quadra ajudaram os Lakers a derrotarem os Nuggets nas finais da Conferência Oeste, e sua precisão nos arremessos alimentou a virada dos Lakers no segundo tempo da quarta partida e a criação de uma vantagem que se provou decisiva no início do quinto e último jogo da série contra o Magic.

Odom tem talentos mais amplos, como arremessador, reboteiro e nos passes. No entanto, esse talento todo termina ocasionalmente obscurecido por uma irritante inconsistência, ainda que ele tenha demonstrado persistência e determinação inéditas nos playoffs deste ano, superando os obstáculos criados por uma dolorosa lesão nas costas.

"Não sabíamos que cara os playoffs tomariam", disse Kupchak, reconhecendo que o cálculo mudou desde sua última reunião com os proprietários da equipe. "Mas saímos vitoriosos, e muita gente contribuiu. Haverá decisões duras a tomar. Com alguma sorte, conseguiremos manter o time relativamente intacto".

O principal acionista do Lakers, Jerry Buss, raramente hesita em investir para manter seus melhores jogadores, e há precedentes para a idéia de manter o núcleo de um time vitorioso. Foi essa a promessa que Kupchak fez ¿ e manteve - em 2002, depois que o Los Angeles Lakers conquistou um tricampeonato. Mas desta ele declarou que era cedo demais para fazer promessa semelhante.

Kupchak não hesita em reconhecer as especulações quanto ao seu técnico. Jackson, que completará 64 anos em setembro, passou por cirurgias de quadril e uma angioplastia, e sofre de gota e de diversas outras doenças. Pessoas que conhecem bem o time estão ponderando, com alguma justificativa, que agora que o técnico garantiu seu 10° título e recorde, talvez sinta que é hora de deixar todo esse sacrifício para trás.

"Parece fazer sentido, não?", disse Kupchak. "Não acredito que seja isso que ele pretende, mas que faz sentido, faz".

Jackson ainda tem um ano de contrato a cumprir, com salário de US$ 12 milhões anuais. Sua intenção é honrar o compromisso, de acordo com Todd Musburger, amigo e agente do treinador há muitos anos.

"Não creio que ele tenha nem ao menos pensado em não cumprir o contrato integralmente", disse Musburger, acrescentando não acreditar que o 10° título mude qualquer coisa. "Não creio que ele esteja na batalha só pelos títulos. Eles importam, mas não acho que sejam o único motivo para que ele trabalhe".

O legado de Jackson está garantido agora que ele ultrapassou o lendário Red Auerbach, do Boston Celtics, em número de títulos.

Kobe Bryant, o astro da equipe, completa 31 anos em agosto e já jogou 13 temporadas, mas não mostrou sinais de desgaste, e está em condições de disputar mais alguns títulos, com a ajuda de Pau Gasol (28), Andrew Bynum (21), Derek Fisher (34) e possivelmente Odom (29) e Ariza (23).

Mas Fisher, o filósofo da equipe e um dos dois remanescentes do time do tricampeonato no começo da década, sabe que esses momentos podem ser passageiros.

"A vida não tem garantias", diz. "Muita coisa pode acontecer, e as oportunidades que surgem podem desaparecer como plumas ao vento, para nunca mais voltar".

Tradução de Paulo Migliacci
 

The New York Times