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Segunda, 22 de junho de 2009, 17h04 
Perspectivas de estrangeiros se reduzem na seleção da NBA
 
Jonathan Abrams
 
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Da Sérvia, Fabrizio Besnati estuda o basquete da Itália, Rússia e Espanha a fim de confirmar certas alegações e negar outras. Besnati, diretor de pesquisa internacional do Los Angeles Clippers, compila anualmente uma lista de cerca de 12 jogadores estrangeiros que podem interessar à equipe. A lista já está mais curta quando Neil Olshey, diretor assistente da equipe, faz sua viagem anual ao exterior. Quando é a vez de Mike Dunleavy, o técnico e diretor de basquete, observar os jogadores internacionais, restam apenas um ou dois nomes.

Mas este ano, a lista de Besnati começou com apenas dois nomes, os mesmos que todos os demais dirigentes da NBA estão observando: os armadores Ricky Rubio, da Espanha, e Brandon Jennings, um norte-americano que joga no basquete italiano.

"Não restam peixes a pescar, e precisamos de tempo para que as águas se reabasteçam", disse Olshey.

Quer como resultado de ciclos naturais ou de correção financeira no mercado, o processo seletivo da NBA, que acontece nesta quinta-feira, verá o menor número de jogadores internacionais selecionados na primeira rodada desde 1997, quando o australiano Chris Anstey foi o único jogador selecionado pela liga sem que tivesse experiência prévia no basquete secundarista ou universitário norte-americano.

Rubio é o único jogador genuinamente internacional a estar entre os preferidos para escolha na quinta-feira. Omri Casspi, de Israel, e Victor Claver, da Espanha, podem vir a ser selecionados pelas equipes que fazem suas escolhas no final da primeira rodada do processo, mas muita gente avalia que a classe internacional deste ano será a mais fraca na última década.

As equipes parecem estar abandonando a propensão a selecionar jogadores estrangeiros que existia até recentemente, porque muitos dos escolhidos não confirmaram as expectativas. Dos 39 jogadores estrangeiros selecionados na primeira rodada do processo seletivo desde 2002, apenas Yao Ming se confirmou como astro. No mesmo período, 14 dos 171 jogadores norte-americanos selecionados foram indicados pelo menos uma vez para o jogo dos astros do basquete.

Existem jogadores estrangeiros que se provaram produtivos (Boris Diaw e Leandro Barbosa), e outros que se tornaram coadjuvantes úteis em equipes que costumam chegar aos playoffs, como Nenê e Mickael Pietrus, bem como jovens talentosos que ainda não conseguiram explorar todo seu potencial, como Rudy Fernandez e Danilo Gallinari.

Mas jogadores como Darko Milicic, Nikoloz Tskitishvili e Yaroslav Korolev, que estiveram entre os primeiros escolhidos no processo seletivo e não confirmaram as expectativas, despertam hesitação nas equipes da NBA.

"A abordagem geral é a de que as equipes desejam se sentir mais confortáveis com o desenvolvimento de um jogador antes que arrisquem escolhê-lo", disse Maurizio Gherardini, vice-presidente sênior de operações do Toronto Raptors e antigo diretor geral do Benneton Treviso, na Itália.

"Os times esperam de bom grado enquanto o jogador desenvolve mais seu jogo defendendo equipes internacionais", acrescenta.

O processo de seleção para a NBA em 2003, quando o Detroit Pistons tinha a segunda posição entre os times na hora de escolher e preferiu Milicic a Carmelo Anthony, Dwayne Wade e Chris Bosh talvez tenha sido o ponto alto para os jogadores estrangeiros novatos na NBA. Oito estrangeiros foram selecionados na primeira rodada do processo seletivo daquele ano. Em 2004 e 2006, seis estrangeiros estiveram entre os primeiros selecionados, mas no ano passado esse total caiu a quatro.

"Tudo isso varia de ano a ano", diz Kiki Vanderweghe, diretor de basquete do New Jersey Nets. "Em alguns anos, há muitos jogadores de garrafão, em outros mais armadores. E se as equipes escolhem desenvolver os armadores, são acusadas de não desenvolver pivôs".

O fato de que o basquete esteja se expandindo em todo o mundo torna mais fácil perceber falhas nos jogadores que poderiam ser contratados. As equipes norte-americanas dispõem de olheiros em tempo integral fora do país, como Besnati. E isso também reduz a possibilidade de que uma equipe venha a selecionar um jogador estrangeiro excelente caso não tenha uma das primeiras escolhas no processo, como aconteceu com o San Antonio Spurs ao escolher o argentino Manu Ginobili.

Olshey diz que sua equipe pesquisa possíveis contratações tendo em mente não descobrir talentos ocultos, mas garantir que nada passe despercebido.

Sam Presti, diretor do Oklahoma City Thunder, disse que "não importa que o jogador venha da Universidade da Califórnia em Los Angeles ou de Moscou, todo mundo está observando atentamente os potenciais talentos".

Com jovens jogadores norte-americanos como Jennings e Jeremy Tyler optando por iniciar suas carreiras fora dos Estados Unidos, o país pode estar a ponto de exportar mais talentos do que importa.

Mas muita gente acredita que essa tendência seja cíclica e que o número de estrangeiros no processo seletivo da NBA logo volte a crescer. Donatas Motiejunas, um ala da Lituânia que poderia vir a ser escolhido na primeira rodada, decidiu não se inscrever para o processo seletivo deste ano.

E outros hesitam em tentar a NBA depois de acompanharem os revezes sofridos por jogadores que tentam a sorte nos Estados Unidos. "Os jogadores agora têm menos pressa¿, diz Jonathan Givony, presidente do DraftExpress.com, um site que acompanha os jovens talentos do basquete. ¿Os centros de treinamento e técnicos melhoraram muito, e a distância entre a NBA e a Europa agora é muito menor".


 

The New York Times