Esportes

> Esportes > Futebol > Seleções  > EUA

  Personalidades
Ewerthon
Janeth

  Especiais
Copa do Brasil
Copa 2006
Copa América 2007
Dakar 2009
Estaduais 2009
Eurocopa 2008
Formula 1 2008
Libertadores 2009
Jogos Paraolímpicos
Mundial de Futsal
Olimpíada
Pan 07

  Sites relacionados
ESPN
ESPN360
Futex
Futsal

EUA
Terça, 30 de junho de 2009, 19h45 
Donovan se afirma e quer realizar ambições dos EUA
 
Jere Longman
 
Reinaldo Marques/Terra
Donovan fez grande partida contra o Brasil na finalíssima
Donovan fez grande partida contra o Brasil na finalíssima
 Últimas de EUA
» Atacante da seleção dos EUA sofre grave acidente de carro
» Técnico dos EUA diz que gol de Honduras foi "empurrão"
» Em jogo tenso, México bate EUA e mantém sonho da Copa
» México atropela Estados Unidos e conquista a Copa Ouro
Busca
Busque outras notícias no Terra:

No intervalo da final da Copa das Confederações, no domingo, quando os Estados Unidos desfrutavam de surpreendente vantagem por dois a zero contra a Seleção Brasileira, o meio-campista Landon Donovan se permitiu uma pausa para sonhar.

"Não foi uma parada para pensar em que, nossa, estávamos derrotando o Brasil", diz Donovan. "O que eu tinha na cabeça é que a equipe estava jogando bem e o meu desejo era que continuássemos daquele jeito em campo".

Mas tão logo Luís Fabiano marcou o primeiro gol brasileiro, com menos de um minuto de jogo na segunda etapa, e deu início à implacável virada do Brasil, os Estados Unidos pareciam ter perdido a oportunidade de elevar a estatura do país no cenário do futebol internacional.

"Nós chegamos a comentar no vestiário que, se Itália, Espanha ou Brasil chegam ao final do primeiro tempo com vantagem de dois gols, é impossível que percam o jogo, ponto final", afirmou Donovan. "Precisamos ficar mais espertos, aprender a liquidar um jogo da mesma maneira que eles fazem, não importa quem seja o adversário".

A despeito da dolorosa derrota por três a dois contra o Brasil, no domingo, os Estados Unidos ganharam confiança, no certame, de que são capazes de enfrentar de igual para igual as melhores seleções do mundo e, no caso da Espanha, a líder no ranking de seleções da Fifa, até superá-las. Em termos individuais, Donovan demonstrou que tem lugar garantido na elite do futebol mundial.

"Creio que o desempenho dele em todo o certame foi fantástico", disse Carlos Bocanegra, o capitão da seleção dos Estados Unidos, sobre Donovan. "Ele costuma ser muito criticado, e passou por muitos altos e baixos, mas comprovou que é um jogador de nível internacional".

"Ele é importante demais para a nossa equipe. Gosto da maneira pela qual domina a bola e encara os marcadores. Ele também volta para ajudar na marcação, faz faltas, corre atrás de bolas perdidas. Em suma, elevou seu jogo em todas as categorias. E quando ele joga bem desse jeito, passa a liderar pelo exemplo, e o resto do time se inspira nele. Com certeza é um jogador que tem muito a oferecer à nossa seleção", acrescenta Bocanegra.

Donovan, 27, sempre serviu como uma espécie de para-raios para a seleção de futebol norte-americana. Trata-se do melhor jogador da equipe e de seu maior artilheiro, com 41 gols marcados, bem como do líder em número de assistências, mas ao mesmo tempo sempre deixou para a torcida um certo sabor de potencial não realizado, de não mostrar o seu melhor jogo quando a ocasião exige.

No entanto, não se pode afirmar que isso tenha acontecido durante a Copa das Confederações, durante a qual ele marcou dois gols e fez duas assistências. Durante uma brilhante jogada de contra-ataque na final do domingo, Donovan passou para Charles Davies, correu acompanhando a jogada até a entrada da área brasileira, recebeu a bola, driblou o meio-campista brasileiro Ramires e disparou um tiro colocado de esquerda que colocou a seleção dos Estados Unidos em vantagem por dois a zero.

"O desempenho de Landon foi excelente", disse o técnico norte-americano, Bob Bradley. "A dedicação que ele demonstrou em cada partida disputada, sua mobilidade, a imensa competitividade que exibiu em campo - tudo isso brilhou no torneio, para ele. Trata-se de uma indicação de que ele está realmente motivado, e de que sabe que ainda têm muitas grandes realizações por vir. Para a nossa seleção nacional, ter um jogador com a competência e com a atitude que ele demonstrou serve para criar um padrão ao qual todos os seus colegas deveriam aspirar".

Também houve outros desempenhos animadores para a equipe dos Estados Unidos, na Copa das Confederações. Tim Howard se provou em geral seguro como goleiro. Depois de um início morno, Clint Dempsey conseguiu marcar gols em três partidas consecutivas. Jonathan Spector se provou uma ameaça às defesas adversárias com seus cruzamentos da ala direita. Oguchi Onyewu é um zagueiro central que demonstrou muita segurança, e o mesmo pode ser dito sobre Jay DeMerit, que enfim recebeu a oportunidade de jogar regulamente pela seleção durante a competição.

Mas Donovan foi o jogador mais confiável da equipe durante todo o torneio. Foi capitão na partida em que Bocanegra precisou ficar de fora devido a uma contusão, e parecia sério e determinado desde o primeiro jogo.

"Estou me tornando o jogador que desejo ser", disse Donovan. "Tenho orgulho do desenvolvimento que consegui até agora. Trabalhei muito para exercitar minha força de vontade, e também realizei fortes trabalhos físicos. Dediquei muito tempo a isso, e é bom perceber que estou sendo recompensado".

É evidente que resta muito trabalho, para Donovan e para os Estados Unidos, se a seleção norte-americana deseja chegar a uma posição de destaque no futebol mundial, onde pequenos detalhes fazem toda a diferença: a capacidade de reter a bola, de trocar passes mais rápidos do que o oponente é capaz de acompanhar, de escolher o companheiro certo para o passe, de reagir rapidamente a perdas de bola. Em outras palavras, é preciso aprender a jogar partidas difíceis e contra times difíceis.

"Temos o potencial de jogar nesse nível", disse Donovan.

"A diferença é que o Brasil já está há muito tempo nesse patamar. Muitos dos jogadores da Seleção Brasileira já passaram por partidas como essas, e sabem como liquidar um adversário, como garantir uma vitória. Nós ainda precisamos aprender como fazê-lo. Temos muitos jogadores em nossa equipe que não defenderam muitas vezes a seleção, e tampouco jogaram partidas decisivas por clubes grandes. Muitos novatos. E isso certamente faz diferença".

Os Estados Unidos já deixaram há muito de se contentar com vitórias morais, disse Donovan. Os torcedores deveriam se orgulhar do resultado conquistado na África do Sul, mas tem direito a se decepcionar por a seleção ter permitido que escapasse a vitória, na partida contra o Brasil.

"Olha, estamos falando do Brasil", disse Donovan. "É de esperar que a equipe deles tenha chances de gol. Eles não desistem de atacar. O que se pode fazer? Há certos jogadores lá que valem três vezes mais que o nosso time inteiro. E existe um motivo para isso".

Ainda assim, os norte-americanos chegarão com mais confiança à porção final das Eliminatórias para a Copa do Mundo do ano que vem. Se Donovan continuar apresentando um grande futebol, os Estados Unidos talvez até consigam derrotar o México pela primeira vez jogando no Estádio Azteca, na Cidade do México, em 12 de agosto.

"Ele jogou o torneio com a maior seriedade", disse o atacante norte-americano Jozy Altidore sobre Donovan e a Copa das Confederações. "E se saiu realmente muito bem. É exatamente isso que precisamos dele no futuro".

Tradução de Paulo Migliacci
 

The New York Times