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Enquanto Lance Armstrong avançava ao longo do porto de Monte Carlo para a apresentação de sua equipe na Volta da França, quinta-feira, aplausos surgiam das calçadas sempre que os torcedores o reconheciam.
"Lance, você é o melhor!", exclamou Scott McCann, 15 anos, de Coleraine, Irlanda do Norte, quando ele viu o ciclista passar. "Nossa, ele está ficando meio cinzento", acrescentou o adolescente.
McCann e os demais torcedores do ciclismo não veem Armstrong disputar a Volta da França desde 2005, o ano em que ele conquistou seu sétimo título do torneio, antes de decidir se aposentar do esporte. Aos 37 anos, ele agora é um dos ciclistas mais velhos do pelotão. No final do ano passado, decidiu pôr fim aos seus três anos e meio de aposentadoria, e mesmo com o afastamento continua a ser visto como um favoritos para o torneio deste ano.
E no sábado, quando sua equipe dará a largada para os 21 dias da prova, começará para Armstrong o desafio de vencer ainda uma vez.
"Não tenho mais a confiança que tinha no passado", disse Armstrong diante da multidão que assistiu à apresentação, em meio a qual havia figuras famosas como o príncipe Alberto 2°, de Mônaco, sentado ao lado de Eddy Mercx e Bernard Hinault, duas lendas do ciclismo.
Armstrong disse que correria para ajudar seus colegas na equipe Astana, Alberto Contador e Levi Leipheimer, a vencer, caso qualquer dos dois se prove mais competitivo do que ele ao longo da prova.
"Vou fazer tudo que for preciso", disse Armstrong. "Para nós, o mais importante é vencer".
O restante do pelotão, porém, está disposto a capturar as atenções que vêm se concentrando em Armstrong desde que ele anunciou seu retorno, em setembro.
Carlos Sastre, da Espanha, vencedor da Volta da França no ano passado, tentará manter sua posição de liderança e conquistar novo título. Denis Menchov, da Rússia, que venceu o Giro d'Italia em maio, tentará se transformar no primeiro ciclista desde 1998 a vencer o Giro e o Tour de France na mesma temporada. Andy Schleck, do Luxemburgo, que tem apenas 24 anos, tentará vencer sua primeira Volta da França e deixar sua marca no esporte.
Em uma prova na qual a pressão é mais intensa do que em qualquer outra competição ciclística, os atletas agora estão se concentrando na tarefa que lhes está reservada.
"Não me importo com os demais ciclistas, e nem mesmo penso sobre eles", afirmou Sastre. "Sei como vencer a prova, e acredito que possa voltar a fazê-lo. Se Armstrong vier ou não com força, não faz diferença. Contador está bem? Pouco me importa".
Se a história da Volta da França serve como guia, as provas serão acompanhadas por escândalos relacionados a doping, que macularam a competição. Este ano, três dias antes da corrida, o ciclista holandês Thomas Dekker já foi excluído da equipe Silence-Lotto por ter sido apanhado em um teste de EPO, um agente que reforça a circulação de sangue.
Mas os milhares de torcedores que compareceram à apresentação estavam interessados em outras coisas, na quinta-feira. Aplaudiram seus ciclistas favoritos. Uns poucos vaiaram os atletas de que não gostavam. Os preferidos - como Armstrong, Contador, Sastre e Menchov- pareciam atrair as maiores ovações.
"Nossa, você está ouvindo os aplausos do pessoal a Armstrong?", disse Thomas Delen à sua mulher Caroline, em francês. "É uma loucura ele ser tão famoso. Ele é o Michael Jackson do ciclismo".
Tradução: Paulo Migliacci ME
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