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Terça, 7 de julho de 2009, 07h15  Atualizada às 08h20
Soldado do Bope, brasileiro guarda agressividade para o UFC
 
Fábio de Mello Castanho
 
Josh Hedges/Zuffa LLC/Divulgação
Soldado do Bope, Paulo Thiago tem 11 vitórias no vale tudo
Soldado do Bope, Paulo Thiago tem 11 vitórias no vale tudo
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O brasileiro Paulo Thiago ganha dinheiro fazendo cara de mal. Seja no octógono, em uma luta de vale tudo, seja nas ruas, como soldado do Batalhão de Operações Policiais Especial (Bope) do Distrito Federal. Porém, o lutador que participará do UFC 100, no próximo sábado, em Las Vegas, garante que só é para ter medo dele em um combate esportivo.

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"Como policial não se pode usar a agressividade como uso no MMA (mixed martial arts, nome pelo qual o vale tudo é chamado no mundo)", conta o lutador, que se prepara para o duelo contra o veterano Jon Fitch, pela categoria meio-leve, que antecede apenas as duas lutas principais do UFC 100 que valem cinturão.

Apesar das profissões que exigem dedicação excessiva, Paulo Thiago diz que consegue conciliar bem a agenda. O soldado conta com a colaboração de seus comandantes para trabalhar em uma escala de 24 horas de trabalho por 72 de descanso quando se aproxima das lutas. O "descanso" vira maratona de treinos, que por tabela servem também para a rotina nas ruas.

"Os conhecimentos de luta, de imobilização, várias vezes eu já utilizei (como policial). Não a ponto de machucar os outros, mas já utilizei", lembra Paulo Thiago, que tem entre as tarefas de um soldado do Bope desarmar bombas e resgatar reféns. "Vivo situações normais para quem escolheu a profissão. Troca de tiros, estas coisas. A gente até torce para ter ação".

Paulo Thiago iniciou sua carreira no vale tudo em 2005, quando já fazia parte do Bope. Com 15 anos de treinos no jiu jitsu, o lutador já fez dois combates profissionais no boxe, mas demonstrou talento mesmo no vale tudo. Está invicto com 11 vitórias, a última delas em sua estreia no UFC, na edição 95, quando nocauteou Josh Koschek depois de uma sequencia de socos.

A oportunidade de participar da edição histórica do maior evento de vale tudo da atualidade, segundo ele, deve-se a dois fatores. Primeiro, a seu favor, a boa impressão causada pelo nocaute devastador em cima de um dos queridinhos da organização. O segundo, a favor do espetáculo, que é a rivalidade entre academias. Jon Fitch treina na American Kickboxing Academy, a mesma de sua última vítima no octógono.

"Fui pego de surpresa com o anúncio da luta. Foi até meio engraçado, porque bem antes eu comentei com meu empresário que seria muito legal eu participar do UFC 100. Daí ele disse que era só ter energia positiva. A hora que ele me falou que ia lutar não acreditei. Olha só a força da energia positiva", lembra.

Forte no chão (tem sete vitórias por submissões na carreira) e perigoso nos golpes em pé, como provou contra Josh Koschek, Paulo Thiago ainda não tem apelido no vale tudo. Gostaria de algum em referência à sua outra profissão? "Não, por enquanto não. Já tem o Cro Cop" disse o soldado do Bope, lembrando do croata peso pesado Mirko Filipovic, que era policial e ganhou o apelido em abreviação às palavras "Croatian Cop" (Policial croata).
 

Redação Terra