Esportes

> Esportes  > Olimpíada

  Personalidades
Ewerthon
Janeth

  Especiais
Copa do Brasil
Copa 2006
Copa América 2007
Dakar 2009
Estaduais 2009
Eurocopa 2008
Formula 1 2008
Libertadores 2009
Jogos Paraolímpicos
Mundial de Futsal
Olimpíada
Pan 07

  Sites relacionados
ESPN
ESPN360
Futex
Futsal

Olimpíada
Terça, 28 de julho de 2009, 00h12 
Recessão interfere na candidatura olímpica de Chicago
 
 Últimas de Olimpíada
» Lula garante que Rio está "preparado" para Olimpíada de 2016
» Cuba diz que precisa investir milhões para Olimpíada de 2012
» Europa terá seleções sub-21 nos Jogos Olímpicos
» Ministro promete criação de Agência Nacional Antidoping
Busca
Busque outras notícias no Terra:

Em uma tarde recente, o prefeito Richard M. Daley pronunciou seu discurso anual sobre a situação do município que dirige há 20 anos. A receita pode ficar cerca de US$ 250 milhões aquém do necessário. Alguns funcionários municipais vão precisar tirar 15 dias de folga não remunerada este ano, inclusive Daley. Mais de 400 trabalhadores foram demitidos naquela mesma tarde, após o fracasso de conversas com dois sindicatos.

No mesmo discurso, Daley continuou com os esforços para fazer de Chicago anfitrião das Olimpíadas de 2016, que teriam um custo estimado de US$ 3,3 bilhões. A decisão do Comitê Olímpico Internacional está prevista para outubro, sendo Chicago considerada uma favorita entre quatro finalistas.

Pesquisas de opinião revelam amplo apoio dos moradores aos Jogos Olímpicos na cidade. Mas cada vez mais, a desaceleração econômica assume um papel central no debate local sobre a candidatura. A preocupação dos residentes é de que os contribuintes de Chicago, já em dificuldades, acabem pagando a conta, apesar de declarações dos organizadores de que nenhum dólar dos cofres públicos será necessário.

"Como podemos saber?", um residente, Douglas Brown, perguntou aos responsáveis pela candidatura durante um recente encontro de bairro em South Side.

"Não podemos confiar nas suas palavras", disse Brown, acrescentando: "Quando vamos conseguir as garantias que nos deixarão dormir à noite?" Ao mesmo tempo, Daley e outros a favor dos jogos argumentam que as Olimpíadas seriam uma força ¿ talvez a força - que ergueria Chicago de suas trevas financeiras, com sete anos de novas obras, empregos e turismo.

Questionada a respeito das dificuldades de fazer lobby por uma competição olímpica durante uma recessão, Lori Healey, presidente do comitê Chicago 2016, disse: "Acho que ela facilita. As pessoas estão sedentas por empregos e oportunidades."

Segundo Healey, eventos anteriores que colocaram Chicago no foco internacional também vieram em períodos de crise financeira: uma Feira Mundial em 1893 e novamente em 1933.

Ao ouvir Healey e outras lideranças envolvidas, só existem vantagens. Se o Comitê Olímpico Internacional escolher Chicago em vez de Madri, Rio de Janeiro e Tóquio em 2 de outubro, defensores afirmam que os jogos não apenas se pagarão, como também renderão dinheiro (como renderam Olimpíadas anteriores nos Estados Unidos, eles afirmam), gerando mais de US$ 22 bilhões em impacto econômico indireto e criando US$ 1 bilhão em impostos. Muitos dos locais necessários para os eventos não precisarão ser construídos, pois já existem.

Organizadores afirmam que o apoio financeiro privado está aumentando, com US$ 60 milhões arrecadados até agora, e que a cidade não precisará despender nenhum dólar para a candidatura ou os jogos.

Quanto à última questão, entretanto, os residentes de Chicago parecem céticos. Eles já escutaram promessas antes.

Na primavera americana, um acordo de US$ 1,15 bilhão para privatizar o sistema de parquímetros da cidade se transformou em um fiasco após o inspetor-geral da Prefeitura chamá-lo de acordo financeiro dúbio e após motoristas reclamarem sobre mensagens de erros ao colocarem moedas nos novos e modernos aparelhos. Há alguns anos, o Millenium Park, um parque de destaque no centro, foi inaugurado com atraso e milhões de dólares acima do previsto.

"Vocês todos fazem projeções de que ganharemos muito dinheiro", disse um residente, Robin Kaufman, aos planejadores olímpicos na reunião de bairro, uma de várias organizadas para angariar apoio. "Mas os bancos também projetavam ganhar grandes quantias de dinheiro. Bernie Madoff previa que ganharia rios de dinheiro."

Kaufman levantou um cartaz que dizia: "Sem cheques em branco."

Em um auditório escolar em West Side, onde os dirigentes do comitê apresentaram esquemas olímpicos lustrosos e posaram ao lado de antigos e musculosos atletas olímpicos, Stephanie Patton perguntou: "Por que deveríamos acreditar em vocês?"

Mesmo antes de ser escolhida para o evento de 2016, Chicago concordou neste verão em gastar US$ 86 milhões em um terreno para a vila olímpica. Os responsáveis pela candidatura afirmam que incorporadoras privadas bancariam um projeto de habitações permanentes independentemente das Olimpíadas.

Dirigentes do comitê organizador esperam que só os jogos gerem US$ 450 milhões em lucros. Em caso de déficit, porém, uma "rede de segurança" para os jogos vai incluir um seguro privado estimado em US$ 1 bilhão, de acordo com responsáveis pela candidatura, assim como promessas do Estado de Illinois de US$250 milhões e da cidade de Chicago de US$ 500 milhões.

No mês passado, Daley indicou que assinaria um contrato de anfitrião exigido por membros do comitê olímpico internacional, que inclui uma cláusula padronizada de cobertura oferecendo o apoio da cidade - algo que os líderes de Chicago haviam dito que tentariam modificar.

A possibilidade de a cidade se responsabilizar por mais do que US$ 500 milhões "disparou alguns alarmes" de conselheiros municipais, segundo um deles, Joe Moore. Moore acrescentou que o Conselho da Cidade queria mais detalhes antes de aprovar o acordo. Um grupo de opositores ao evento, Sem Jogos Chicago, disse que a perspectiva parece ter despertado o interesse de pessoas que se mantinham em silêncio sobre as Olimpíadas.

"O dique rompeu nessa questão", disse um fundador do grupo, Bob Quellos.

O que estarrece alguns residentes é o fato de o comitê de candidatura, como uma entidade privada sem fins lucrativos, hesitar em se separar do governo municipal e do dinheiro público. Tecnicamente isso é possível, mas céticos observam que o comitê e a Prefeitura compartilham objetivos e frequentemente parecem entrelaçados; Healey, por exemplo, renunciou ao posto de chefe de gabinete do prefeito para liderar o comitê.

Segundo as pesquisas de opinião, o crucial para manter o apoio dos residentes aos jogos é convencê-los de que seus dólares não serão gastos. Em fevereiro, uma pesquisa do Chicago Tribune revelou que 64% dos residentes de Chicago e subúrbios são a favor das Olimpíadas na cidade, enquanto 75% são contra o uso de dinheiro do contribuinte para cobrir déficits.

Em um dos fóruns comunitários, uma autoridade municipal comparou os esforços dos planejadores dos Jogos Olímpicos aos de Jean Baptiste Pointe DuSable, considerado o primeiro colono não-indígena de Chicago, e Daniel H. Burnham, cujo Plano de Chicago, de 1909, projetou em grande parte as longas áreas de parques e lagos que definem a cidade.

Depois, os dirigentes da candidatura mostraram suas armas: um vídeo de Barack Obama, então candidato a presidente, em Chicago, sua terra natal, sorrindo e cumprimentando Daley durante uma turnê pelas Olimpíadas e manifestando seu desejo de que os Jogos revelem Chicago como "não apenas uma cidade que funciona, mas uma cidade que inspira".

Patrick G. Ryan, fundador da Aon Corp. e presidente do conselho do comitê de candidatura, disse aos presentes que o pensamento de que o dinheiro privado arrecadado para os jogos poderia ser usado para outras coisas, como escolas, coleta de lixo ou salários, está errado.

"Dizer que poderíamos gastar o dinheiro ou recebendo os jogos ou em alguma outra coisa é uma escolha falsa", disse Ryan. ¿Esse dinheiro só virá se ganharmos."

Tradução: Amy Traduções
 

The New York Times