| The New York Times |
 Quer um autógrafo? Jack Smalling é o homem certo para a tarefa |
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Um carteiro chega a uma casa suburbana de quatro dormitórios aqui em Ames trazendo mais cartões postais e envelopes do que qualquer vizinho recebe, e não deve saber por que a casa recebe tanta correspondência, ou por que ela tem uma extensão própria de código postal.
Caso entrasse na casa, descobriria: no número 2.308 da avenida Van Buren fica a improvável sede de um esforço iniciado há décadas para obter o endereço residencial de todos os jogadores, técnicos, dirigentes e árbitros do beisebol profissional dos Estados Unidos. O homem solitário que comanda a empreitada vive aqui: Jack Smalling, 68 anos, um viúvo e vendedor aposentado de seguro agrícola.
Na terça-feira, Smalling começará a enviar a 15ª edição de seu "Baseball Autograph Collector's Handbook", que contém os endereços residenciais de cerca de oito mil pessoas envolvidas com a Major League Baseball, de Aardsma (David) a Zimmer (Thomas) - e entre eles nomes famosos como Bench (Johnny), Mays (Willie) e Pujols (Albert).
Smalling começou a colecionar autógrafos em 1962, e logo criou a lista de endereços, concebida para ajudar seus colegas de passatempo a enviar pedidos de autógrafos a jogadores. Sua coleção pessoal contém mais de 100 mil autógrafos.
A 15ª edição de sua lista de endereços está sendo lançada em um mundo bastante mudado, com relação a edições anteriores; hoje, os jogadores têm mais medo de perseguição, virtual ou real, e tendem a proteger mais a escassa privacidade que resta a uma pessoa famosa. No mês passado, por exemplo, a Major League Baseball descredenciou uma publicação de St. Louis que publicou os endereços residenciais de alguns atuais e antigos jogadores.
Mas Smalling, que trabalha no porão de sua casa em Ames, parece ignorar a paranoia da era da Internet. "Quem compra meu livro não quer ver essas pessoas", diz. "Quer apenas lhes mandar uma carta."
"Se alguém quisesse fazer a um jogador, ir à casa dele e agredi-lo, não precisaria do meu livro. Poderia encontrar o endereço sem ajuda", acrescentou.
Smalling diz que usa apenas registros públicos para compilar a lista, e vende cerca de duas mil cópias de cada edição, ao preço de US$ 22,50, com entrega postal incluída. O número de endereços inexatos ou desatualizados na lista é desconhecido.
O livro, afirma o autor, contém os endereços de 94% dos jogadores atuais ou aposentados que vivem nos 50 Estados norte-americanos, em Porto Rico ou nas Ilhas Virgens. Já os jogadores estrangeiros são mais complicados. Ele tem um endereço em Nova York para o japonês Hideki Matsui, que defende o New York Yankees, mas nada sobre Miguel Cabrera, o rebatedor venezuelano do Detroit Tigers.
E há também os jogadores com mais de uma casa, como Alex Rodriguez, e aqueles que se mudam com frequência.
"Jack Aker e Ron Diorio - esses sujeitos já se mudaram mais de 10 vezes", diz Smalling, em referência a dois antigos arremessadores. "Dom DiMaggio manteve o mesmo endereço por anos, mas morreu."
Smalling envia sua lista à Lorton Data, uma empresa de Minneapolis que, por US$ 85, o informa sobre que jogadores se mudaram e quais podem ser seus novos endereços.
O processo foi grandemente facilitado por recursos de Internet - "o site 411.com é o melhor", ele diz -, mas Smalling ainda emprega algumas táticas antiquadas. Envia cartões postais azuis promovendo o livro aos jogadores e árbitros, e cartões postais rosa aos compradores de edições passadas. Os cartões postais têm um carimbo de "retorno em caso de endereço incorreto".
"Para os jogadores, isso determina se o endereço procede", disse. "Caso decidam comprar o livro, melhor. Por 28 centavos de dólar, consigo descobrir se o endereço é o certo."
Às vezes, ele recebe respostas de jogadores ou árbitros. Bob Feller, um arremessador que tem lugar na galeria da fama do beisebol, respondeu generosamente aos pedidos de autógrafos de Smalling.
"Derek Jeter - esse não responde", ele disse, sobre o astro do Yankees. "A maioria dos astros atuais não responde. Os astros recebem muita correspondência e não têm tempo de responder."
Alguns jogadores são difíceis de localizar, a despeito da caçada tenaz que Smalling promove do porão de sua casa. "Não consigo encontrar Larry Howard", diz. "Você nunca deve ter ouvido falar dele."
Pouca gente ouviu. Howard jogou 133 jogos no beisebol das grandes ligas, em quatro temporadas, nos anos 70. Pode ser que ele tenha recebido um dos postais enviados da avenida Van Buren, onde Smalling e sua mulher, Marge, que morreu em 1997, criaram quatro filhos.
A mulher dele costumava abrir as cartas e atender aos pedidos. "Quando era ela que respondia, eu nem via o dinheiro que vinha no envelope", diz. "Ela o embolsava. Era como o seu salário. Assim é que um casal aprende a conviver."
Agora, ele paga uma moradora local para ajudá-lo com o trabalho burocrático. "Pago US$ 10 por hora, e tudo que ela quiser comer", diz Smalling. "Mas ela nunca quis comer aqui na minha casa."
Tradução por Paulo Migliacci.
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