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Histórias Inusitadas de futebol
Quinta, 30 de setembro de 2004, 12h42 
Técnico de futebol usa caratê nos treinamentos
 
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Quebrar uma tábua com um golpe de caratê sem luvas normalmente não faz parte da rotina de treinamento de um time de futebol.

Mas Freddy Ternero, técnico que transformou o Cienciano de nada a sensação internacional usou isso para fazer seus jogadores aprenderem a força do pensamento positivo.

E valeu a pena. Uma semana depois, em 7 de setembro, a equipe peruana venceu o Boca Juniors nos pênaltis e ganhou a Recopa. O time também ganhou a Copa Sul-Americana do ano passado.

O título do ano passado marcou a primeira vez que um time do Peru ganhou um torneio internacional e colocou o Cienciano no mapa.

"Alguns deles tinham dúvidas (sobre a quedra da tábua), outros estavam determinados, alguns não queriam, mas todos foram. Eles tinham medo de não conseguir e depois quebraram a tábua e se convenceram de que são capazes", disse Ternero à Reuters, em entrevista durante treino em Lima.

O próprio Ternero já andou descalço sobre fogo sem sentir queimaduras, como parte do mesmo curso de consultores de motivação que disse ter incentivado os jogadores.

Seu lema ("Você pode") tornou-se um bordão e o Cienciano ganhou de times famosos como Santos, o River Plate e o Boca desde que Ternero, de 44 anos, assumiu o posto, em maio do ano passado. Ternero, que é técnico há 10 anos e tem uma academia de futebol para crianças na periferia de Lima, afirma que assumiu um clube onde os jogadores não eram amigos e tinham medo de perder o emprego.

"A primeira coisa a colocar neles é fé neles mesmo. Vocês querem ser campeões? Bem, se preparem para isso então", disse.

Ele também ensina os jogadores a manterem os pés nos chão -- lição que aprendeu durante tempos difíceis. Ternero jogou durante uma década no Universitario, um dos principais times do Peru, e encerrou a carreira no Cienciano, onde chegou a ganhar vales para comprar em um supermercado em vez de três salários.

Ele ficou desempregado em 2002 e trabalhou como pintor de casas, jardineiro e fez bicos nos Estados Unidos, onde "cada dólar contava".

As vitórias do time aumentaram seu salário em 200% neste ano, disse, acrescentando que ganhava "trocados" em 2003.

Ternero foi cotado para assumir a seleção do Peru, que tenta se classificar para a primeira Copa desde 1982. Mas a federação confirmou o brasileiro Paulo Autuori no cargo.

"Os jogadores peruanos em geral não ligam se perdem ou ganham, e isso é algo que estou tentando mudar porque acredito que eles têm a capacidade de lutar de igual para igual em qualquer lugar do mundo", disse Ternero.

"Eu digo para os meus jogadores antes de cada treino que o objetivo está lá, mas para chegar lá precisam escalar passo a passo."

O Cienciano está mal no Campeonato Peruano deste ano, mas Ternero disse que luta por vitórias e pelo progresso na Copa Sul-Americana deste ano.

"Para mim, a coisa mais importante é sentir-me bem por saber que dei tudo e que os meus jogadores também."


 

Reuters

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