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Seleção Feminina
Quarta, 23 de setembro de 2009, 15h51 
"Porta está aberta para Iziane", diz Hortência
 
Juliana Michaela
Direto de Cuiabá
 
Juliana Michaela/Especial para Terra
Hortência abre as portas para Iziane na Seleção Brasileira
Hortência abre as portas para Iziane na Seleção Brasileira
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Sim, ela foi a melhor
Não, a Paula jogou mais

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Eleita a rainha do basquete brasileiro, Hortência comemora nesta quarta-feira 50 anos. A ex-jogadora é a nova diretora do departamento feminino da CBB e é a responsável por cuidar das seleções de base e principal.

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Hortência acompanha neste mês a Seleção adulta em Cuiabá, palco da Copa América, competição que premia com três vagas para o Mundial de 2010, na República Checa.

Campeã mundial em 1994, medalha de prata nos Jogos de Atlanta 1996 e de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Havana 1991, Hortência recebeu um buquê de flores das atletas e "pediu" o título da Copa América de presente.

Em entrevista ao Terra, a ex-jogadora falou sobre assuntos delicados como Iziane, ala do Atlanta Dream. No Pré-Olímpico para os Jogos de Pequim, a jogadora se desentendeu com o técnico Paulo Bassul e não foi chamada para a Olimpíada.

Neste ano, Hortência tentou uma reaproximação entre Bassul e Iziane. A jogadora foi convocada, mas recusou o convite por não querer mais atuar ao lado do treinador, que tem contrato até o final da Copa América.

A ex-parceira de Paula na Seleção comentou sobre a cartilha implantada desde a base e como tem sido a nova carreira de dirigente.

Veja a entrevista na íntegra:

Terra - Depois da Copa América, você pretende tentar de novo o retorno da Iziane?
Hortência -
A gente nunca fecha uma porta para uma jogadora como a Iziane. Ela é uma grande jogadora, a porta está aberta para ela entrar quando quiser. Desde que seja a entrada para somar junto às atletas e que entre dentro das regras estabelecidas pela Confederação. Eu nunca tive problema com a Iziane, não posso analisá-la porque nunca trabalhei com ela, mas a porta está aberta. Quando ela quiser vim será bem-vinda.

Terra - O fato de ela falar que somente voltaria para a Seleção com a saída do Bassul pode gerar alguma mudança?
Hortência -
Não, de jeito nenhum. A Seleção Brasileira deve ser a dos melhores. E hoje no meu modo de ver, o Bassul está entre os melhores, por isso nada mais justo ele estar na Seleção Brasileira. Ela também é uma grande jogadora e a porta está aberta para ela.

Terra - Como você se sente entrando na quadra, não mais como jogadora, mas como chefe da delegação e diretora da CBB no feminino?
Hortência - Eu me sinto feliz porque de uma forma posso contribuir com toda essa experiência que tive de 20 anos vestindo a camisa da Seleção e passando para essa garotada que está chegando aí. Eu virei a página como jogadora, não tenho problema nenhum, não tenho saudade. Estou me sentindo bem, é um momento bem ímpar, assim único da minha vida que está acontecendo e estou super feliz.

Terra - Você sente vontade de entrar na quadra e jogar quando observa que uma jogada poderia ter sido feita ou que poderia fazer melhor?
Hortência -
Não, isso não acontece. A minha intenção é de ajudar, dar o melhor treinamento para essas meninas, a melhor estrutura para que elas possam desenvolver aquilo que elas sabem.

Terra - Como é sua atuação agora como chefe da delegação e diretora da CBB?
Hortência -
É passar toda essa estrutura, dar um planejamento de médio a longo prazo para que o basquete volte a ser o que sempre foi - o segundo esporte do Brasil.

Terra - Você criou uma cartilha para a Seleção Brasileira de basquete. Por que essa cartilha? A criação dela teve a ver com o "fator" Iziane?
Hortência -
A criação da cartilha não tem nada a ver com a Iziane. A casa que não tem regra e não tem lei, vira bagunça. A cartilha não nem para o adulto porque são jogadoras conscientes, experientes e sabem o que tem que fazer. É mais para a garotada que está chegando de 15, 16, 17, 18 e 19 anos, que você precisa educar e mostrar para eles como é que se porta e se faz perante a imprensa, o público, a torcida. É mais para quem está chegando agora.

Terra - Tem alguma orientação nessa cartilha para as jogadoras da Seleção? Hortência - Sim, para todas elas. Desde o Sub-15 até o adulto. A pessoa precisa saber o que pode ou não fazer, porque muitas vezes a pessoa fala ou faz as coisas erradas sem saber que era errado.

Terra - Você fez parte da negociação com a pivô Alessandra, campeã do Mundial de 1994, para que voltasse à seleção? Não interferiu em nada o fato de ela cobrar uma indenização de R$ 500 mil à CBB por ter lesionado o ombro no Mundial de 2006?
Hortência -
Sobre o processo que houve antes da nova gestão, é uma coisa para o advogado da CBB e o advogado da Alessandra. A gente não se envolve nisso, nem a Alessandra. É uma coisa que vai ser resolvida, mas que a gente está deixando para os advogados resolverem.

Terra - Há mudanças na forma de contrato com as jogadoras e com o técnico. O treinador poderá agora receber mensalmente. O que irá gerar essas mudanças? Hortência - As jogadoras têm um contrato. Não é nem o fato de estar recebendo dinheiro, mas um contrato que dá segurança que elas tenham um seguro de saúde, por exemplo. Com relação ao técnico (Bassul), ele tem um contrato e ganha mensalmente. A renovação de contrato dele será agora após o fim da Copa América que pode ser renovado ou não. Se renovar, vai ficar contratado pela Confederação durante o ciclo olímpico de quatro anos.

Terra - Você acha que vai haver essa renovação ou espera o resultado da Copa América?
Hortência -
A gente não analisa o técnico pelo resultado, e sim por um todo, no geral. Ele (Bassul) sabia disso, a gente continuou, ele veio da outra gestão. Vamos esperar acabar a Copa América, nos vamos sentar e conversar, se renova ou não.

Terra - Já tem algum posicionamento se renova ou não?
Hortência -
Não, só depois que acabar a Copa América.

Terra - O que acha dos jogos estarem acontecendo em Mato Grosso? Fora do eixo Rio-São Paulo?
Hortência -
Eu acho bacana porque você traz motivação para a galera que mora aqui, para a molecadinha que quer jogar. A gente quer plantar uma semente. Essa Seleção nunca jogou aqui, é uma boa oportunidade de fazer o basquetebol ser visto em outro lugares, além de São Paulo e Rio de Janeiro.

Terra - Qual a avaliação que você faz da equipe hoje de basquete? Tem alguma jogadora que você considera como aposta futura?
Hortência -
Eu não conheço todas. Vou analisar agora, por isso estou viajando junto. Viajei com a Seleção Sub-16, Mundial Sub-19, vou viajar com a Janeth na Sub-15 e Sub-17, e nesse momento estou com a adulta. Justamente para conhecer melhor de perto essas meninas e fazer uma melhor avaliação.

Terra - Como você avalia a presença de jogadoras mais experientes?
Hortência -
Acho que o basquete agora precisa de resultado. E esse resultado precisa ter essas jogadoras experientes, precisamos unir o que temos de melhor. Acho que a Helen vai passar uma experiência muito grande para as jogadoras e a Alessandra também. Nada mais justo que elas estejam aqui.

Terra - Hoje é seu aniversário. O que gostaria de ganhar de presente?
Hortência -
O título da Copa América, já falei para elas e não aceito outro (risos).

Terra - E como elas reagiram?
Hortência -
É brincadeira (risos). Não quero que isso seja uma pressão para elas, mas tenho certeza que já é um objetivo a mais para elas.
 

Especial para Terra