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Hipismo
Sexta, 8 de outubro de 2004, 12h41  Atualizada às 16h47
Cavalo dopado pode dar ouro a Rodrigo Pessoa
 
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Waterford Crystal, cavalo que levou o irlandês Cian O'Connor à medalha de ouro na prova de saltos nos Jogos Olímpicos de Atenas, teve um exame antidoping positivo. Com isso, o cavaleiro brasileiro Rodrigo Pessoa, que terminou em segundo, pode herdar a medalha de ouro.

Um comunicado da Federação de Hipismo da Irlanda (EFI) disse, na sexta-feira, que uma amostra de Waterford Crystal havia "comprovado o uso de substâncias proibidas".

"Acredito que ganhei essa medalha de forma justa e que o cavalo não recebeu nada que o ajudasse a saltar melhor", disse o cavaleiro irlandês, que já solicitou a realização da contraprova.

O técnico da equipe de hipismo do Brasil em Atenas e pai de Rodrigo Pessoa, Nelson Pessoa, disse que a vitória de O'Connor tinha sido realmente uma surpresa, já que 20 dias antes ele havia perdido 20 pontos em uma competição por equipes.

"O resultado foi uma grande surpresa para todos. Esse cavalo era conhecido, mas nunca havia ganho nem mesmo um grande prêmio. Vinte dias antes ele havia feito 20 pontos em uma etapa da Copa, e depois saltou daquela forma impressionante", afirmou o ex-cavaleiro, por telefone da Bélgica, onde mora.

"Os esportistas precisam ter consciência de que cada dia mais os sistemas de controle estão rigorosos e que quem quiser usar doping vai ser pego", acrescentou ele.

"Em uma competição como a Olimpíada, onde todas as baias são acompanhadas por veterinários, o sujeito aplicar uma substância proibida é uma verdadeira loucura", completou

Neco afirmou que o resultado da contraprova deve confirmar o doping, já que as substâncias encontradas são muito fortes.

Segundo a Confederação Brasileira de Hipismo, foram encontrados traços das substâncias proibidas Fluphenazine e Zucelopenthixol na amostra do animal.

"Estamos todos muito tranquilos. Agora temos que esperar sair o resultado da contraprova e depois aguardar que a Federação Internacional notifique o Comitê Olímpico para que sejam tomadas as providências", disse ele.

"Com essa confirmação, todos os outros vão subir uma posição. O quarto lugar leva o bronze, o terceiro a prata e o Rodrigo fica com o ouro", completou Neco.

Se isso acontecer, essa será a primeira medalha de ouro olímpica do hipismo brasileiro. Além da prata de Rodrigo Pessoa, o Brasil tem dois bronzes por equipes.

Em outro comunicado separado na sexta-feira, a Federação Internacional de Esportes Equestres (FEI), disse que quatro cavalos, entre os 40 testados na competição, haviam tido exames positivos nos Jogos de Atenas.

Problemas para a Alemanha

Dois cavalos cavalgados por alemães durante os Jogos Olímpicos de Atenas tiveram exames antidoping positivo, colocando em risco a medalha de ouro conquistada pela Alemanha na prova de saltos por equipe, disse a federação de hipismo do país nesta sexta-feira.

Amostras retiradas de Goldfever, cavalo de Ludger Beerbaum, e de Ringwood Cockatoo, guiado por Bettina Hoy na competição de três dias durante os Jogos, deram positivo para substâncias proibidas.

A notícia deve criar confusão no hipismo alemão, que já foi abalado com a perda de duas medalhas de ouro durante a competição por causa de batalhas judiciais sobre Hoy.

Hoy havia conquistado a medalha de ouro no Concurso Completo de Equitação individual e liderado o país no ouro por equipes, porém as medalhas foram cassadas após um recurso da França.

Os exames antidoping foram realizados pela Federação Internacional de Esportes Equestres (FEI), que divulgou na sexta-feira que quatro cavalos tiveram exames positivos durante os Jogos.

Beerbaum, uma lenda do hipismo alemão com cinco títulos olímpicos, e Hoy disseram que os cavalos haviam recebido medicamento para pequenas doenças.

"Sabia que uma lesão no tornozelo de Goldfever havia sido tratada. Mas não estava preocupado porque sabia que nossa equipe tinha aprovado o tratamento", disse Beerbaum.

Reiner Wendt, diretor do Comitê Olímpico de Hipismo da Alemanha, disse: "Estou abalado. Cada caso individual é um desastre. Mas antes de aceitarmos a culpa devemos conduzir a pesquisa e aguardar as contraprovas".
 

Reuters

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